Estabilização da economia dá uma mãozinha a Temer

Presidente em exercício tem a seu favor o fato de tocar a economia num momento de inflexão do ciclo, migrando para um ambiente mais favorável

Fábio Alves

20 de maio de 2016 | 15h29

Em meio à expectativa sobre o tamanho do rombo das contas públicas e as medidas amargas de ajuste fiscal, o governo Michel Temer pode já estar recebendo uma ajudinha do ciclo econômico: a atividade econômica, depois de alguns trimestres de forte contração, está próxima do seu ponto de inflexão.

Em relatório a clientes hoje, os economistas do banco Bradesco, liderados por Octávio de Barros, afirmam que “diversos indicadores têm sustentado nossa expectativa de estabilização da economia neste segundo trimestre, com destaque para a melhora da confiança, o ajuste de estoques, a retomada gradual dos pedidos e a moderação no ritmo de redução do número de postos de trabalho”.

Eles citam o resultado de abril da sondagem industrial da Confederação Nacional da Indústria. “O indicador de produção, por exemplo, alcançou 42,4 pontos no mês passado. Embora continue abaixo do valor neutro de 50 pontos, o valor é equivalente a uma alta de 1,2% na margem, de acordo com os dados dessazonalizados. No mesmo sentido, o número de empregados cresceu 0,7% na comparação com o mês anterior. Já o nível de estoques caiu 1,4% no período”, escreveram os economistas do Bradesco, citando ainda a melhora de outros indicadores.

Em conversa com esta coluna, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, acredita que a estabilização da economia deverá ocorrer apenas no segundo semestre deste ano. Para ele, o fundo do poço ainda não ocorreu entre abril a junho deste ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter caído 0,5%. Ele projeta desempenho zero no terceiro trimestre e crescimento 0,2% no quarto. Nesse sentido, ele diz que é preciso monitorar os índices de confiança.

“Os indicadores de confiança antecipam os movimentos que os agentes econômicos vão tomar, seja do lado das empresas, seja do lado do consumo”, afirma Rosa. “Além disso, alguns segmentos da produção industrial vão reagir favoravelmente a um setor externo mais favorável, tanto nas exportações, quanto na substituição de importações em razão do câmbio.”

A estabilização da atividade econômica – quer seja no segundo ou no terceiro trimestre deste ano – faz parte do ciclo econômico e independe da troca do governo. Aliás, Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, têm a seu favor o fato de tocar a economia num momento de inflexão do ciclo, migrando para um ambiente mais favorável.

Isso porque, além de atividade econômica estar perto do fundo do poço e começar a estabilizar, a inflação está se desacelerando em relação aos níveis de 2015, quando fechou a 10,67%.

“Isso abre espaço para o Banco Central cortar juros”, lembra Rosa. “O novo governo pode, se aprovar as medidas fiscais e cortar os juros, acelerar o crescimento econômico mais à frente.”

Para Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra, o PIB no segundo trimestre deve ter contraído 0,6%. “É uma contração moderada, conforme este número preliminar”, acrescenta.

Segundo ele, os indicadores antecedentes já apontavam desde o início do ano para uma estabilização da atividade econômica na segunda metade de 2016, “independentemente da mudança de governo”.

“A mudança de governo pode reforçar esse movimento”, diz Oliveira em conversa com esta coluna. “E como o novo governo pode reforçar isso? Pela mudança de humor nos indicadores de confiança e pela queda do prêmio de risco País, por exemplo.”

Oliveira vê um desempenho ao redor de zero do PIB no terceiro trimestre e um crescimento de 0,2% no último trimestre de 2016.

“Essa estabilização no segundo trimestre prepara o terreno para o crescimento da atividade econômica em 2017, quando deverá ser observado um efeito maior”, explica.

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