Gastar com Congresso é única saída para Dilma driblar crise política

Gastar com Congresso é única saída para Dilma driblar crise política

Jogar dinheiro nas emendas, projetos e demandas de parlamentares parece ser o único caminho; problema vai ser pagar a conta

Fábio Alves

06 de agosto de 2015 | 12h41

 

Dilma passou a ser a presidente mais impopular do País, segundo o Datafolha

Dilma passou a ser a presidente mais impopular do País, segundo o Datafolha

Impeachment é uma das palavras mais repetidas neste segundo mandato de Dilma Rousseff, alimentada a cada derrota no Congresso em votação de interesse do governo ou a nova pesquisa de opinião mostrando a queda na popularidade da presidente.

O apelo do vice-presidente Michel Temer, de que o Brasil precisa que “alguém tenha a capacidade de reunificar todos”, soou mais um alarme no cenário de quem ainda não embute a possibilidade de impedimento de Dilma Rousseff.

Pior ainda, na manhã desta quinta-feira, Temer fez uma declaração de quem está abandonando o barco: “Eu, o Marco Aurélio Melo, Luiz Adams, exercemos função estatal, não somos governo”. Foi mais além: “Ideia do plebiscito e referendo são coisas importantes, deveriam ser mais utilizadas. Na democracia, para ter governo, precisa ter roteiro para governar.”

Então, a Dilma não tem isso, Temer? Ele (Temer) está se colocando então como possível opção numa eventual saída forçosa de Dilma?

E a pesquisa Datafolha publicada hoje jogou mais lenha na fogueira do impeachment: Dilma passou a ser a presidente mais impopular desde que o instituto iniciou a série histórica, em 1990. O governo dela é reprovado por 71% dos brasileiros, ultrapassando o recorde anterior de Fernando Collor (com reprovação de 68%). A taxa de aprovação de Dilma também bateu recorde de baixa: 8%.

O que resta a Dilma para vencer uma espiral negativa que ganha força qual bola de neve rolando montanha abaixo numa nevasca?

Na velocidade da erosão de sua popularidade e sustentação política, como conseguirá Dilma chegar ao fim do ano ainda no poder?

Jogando dinheiro na mão dos parlamentares e rápido.

Só assim para deixar o Congresso menos arisco.

Como ela vem demorando a fazer isso – a liberação de cargos no segundo e terceiro escalões do governo é um exemplo disso -, deputados e senadores apenas inflam a chamada “pauta bomba” para forçar Dilma a vetar medidas negativas em termos fiscais e assim desgastá-la mais ainda perante os eleitores.

O primeiro passo foi abrir mão da meta de superávit primário de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.

O risco Brasil, via contratos de 5 anos de Credit Default Swaps (CDS), que serve de seguro contra eventual calote de emissores soberanos ou privados, já está sendo negociado como o de um rating soberano de grau especulativo, ou “junk” (lixo) no jargão em inglês do mercado financeiro.

Não será surpresa, portanto, se as principais agências de rating internacionais retirarem em breve do Brasil o selo de bom pagador, refletido no grau de investimento na classificação de risco soberano.

O ajuste fiscal já foi diluído e retalhado. O “desajuste” aprovado pelo Congresso em várias medidas torna tão debilitado o horizonte fiscal, o que, nas palavras de um gestor de fundo ouvido por esta coluna, igualará em três ou quatro anos o Brasil a Grécia.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, parece já ter aceitado a situação de que, dada a fragilidade política do governo Dilma, não poderá adotar uma política fiscal com um mínimo de planejamento, na visão de interlocutores desta coluna.

Ao concordar com a implosão da meta fiscal, Levy parece ter dado o braço a Dilma para conseguir alguma governabilidade e levar o mandato até o final, segundo o gestor de fundo ouvido acima.

Assim, para Dilma conseguir driblar as forças que estão minando de vez sua governabilidade, a saída parece ser jogar dinheiro nas emendas, projetos e demandas de parlamentares.

E rápido.

O problema vai ser como o Brasil vai pagar essa fatura.

No curto prazo, quem vai investir e contratar com a incerteza de quem estará no comando do País? No médio prazo, a deterioração profunda dos gastos públicos poderá levar o Brasil à crise econômica bem mais profunda à Grécia.

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