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Ilan acertou ao acelerar a queda do juro

O temor é de que, se o BC seguisse cauteloso no corte de juros, chegaríamos todos mortos ao fim de 2017

Fábio Alves

12 de janeiro de 2017 | 11h22

Com o Brasil engolido pela pior recessão de sua história, não restava outra coisa a não ser uma decisão mais agressiva por parte do Banco Central em cortar os juros básicos, acelerando o ritmo de afrouxamento de 0,25 ponto porcentual na reunião do Copom de novembro para 0,75 ponto ontem.

No auge da crise financeira de 2008, os Estados Unidos, berço do capitalismo, não hesitou em jogar dinheiro público em bancos privados como forma de tentar ressuscitar o mercado de crédito. Instituições como Citibank, Goldman Sachs e JP Morgan fizeram parte do socorro do governo americano, que somou US$ 200 bilhões.

Ou seja, situações extremas exigem respostas ousadas.

E esse é o caso do Brasil, com mais de 12 milhões de desempregados, dois anos seguidos de contração forte do Produto Interno Bruto (PIB) e profunda anemia dos investimentos.

Com as contas em situação caótica e a caminho da insolvência, o governo de Michel Temer não tem como fazer o mesmo que fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009, que jogou bilhões de reais do erário para estimular o consumo e tirar o Brasil do buraco.

O único estímulo possível neste momento é o monetário.

Depois da surpresa negativa do PIB do terceiro trimestre de 2016, quando a economia contraiu 0,8%, e dos indicadores ainda fracos no quarto trimestre, apontando para nova queda do PIB, o BC precisava reagir, de fato.

Afinal, a inflação corrente vem desacelerando mais forte do que os analistas previam justamente porque a atividade econômica vem surpreendendo para baixo e tirando o fôlego dos índices de preços.

Não dá para comemorar a desaceleração da inflação por este motivo.

O temor é de que, se o BC seguisse cauteloso no corte de juros para tentar ancorar as expectativas inflacionárias, chegaríamos todos mortos ao fim de 2017 ou, no mais tardar, 2018, para atingir o centro da meta de 4,5%.

Ao contrário do cavalo de pau dado por Alexandre Tombini, ex-presidente do BC, quando cortou os juros em agosto de 2011, seguindo a terrível e desastrosa cartilha da “Nova Matriz Econômica”, o Brasil agora precisa de uma injeção de estímulos.

E o corte de juros é um dos pouquíssimos instrumentos que restam ao governo para tentar ressuscitar a economia.

Vai dar certo?

Difícil dizer neste momento.

Há tanta diferença em termos de impacto econômico entre reduzir juros em 0,50 ponto ou 0,75 ponto?

Provavelmente, não.

Mas é preciso um tratamento de choque na economia. É preciso algum vetor de crescimento, mesmo que psicológico.

Pela frente, o Brasil ainda terá provavelmente toda a turbulência que o desdobramento da Operação Lava Jato pode trazer para o ambiente político. E isso poderá afetar o avanço da reforma da Previdência no Congresso, fundamental para dar sustentação à PEC do Teto de Gastos e também para recuperar a confiança dos agentes econômicos.

Só o tempo dirá, obviamente, se a decisão de Ilan Goldfajn, presidente do BC, foi a mais acertada em surpreender e acelerar o corte de juros para 0,75 ponto sem ter previamente sinalizado isso para o mercado.

Mas na fotografia de hoje, ele acertou. Em tempos de crise, é preciso ousadia também. Agora, é cruzar os dedos.

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