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Intervalo menor da meta de inflação vai controlar os preços?

Decisão do CMN não foi recebida cegamente por todos como a panaceia para as expectativas inflacionárias ainda elevadas, mas sinalização é positiva

Fábio Alves

26 de junho de 2015 | 11h57

 Levy foi um dos principais defensores da mudança da banda (André Dusek/Estadão)

Levy foi um dos principais defensores da mudança da banda (André Dusek/Estadão)

Havia no ar, afinal de contas, uma mudança no regime de metas de inflação, embora em declarações em “off the record” à imprensa, por parte do Banco Central, o foco tenha sido o de reiterar a manutenção do centro da meta, de 4,5%, para 2017.

Na quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve, de fato, a meta em 4,5% para 2017, mas alterou a banda de tolerância de 2 pontos porcentuais para 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

E, com isso, o BC conseguiu ainda surpreender o mercado, o qual reagiu positivamente à decisão. O tom da reação foi no sentido de que o BC, ao reduzir o intervalo da banda, reafirmou seu compromisso em fazer convergir a inflação e ancorar as expectativas.

Entre os vários exemplos, em relatório a clientes, os analistas do banco suíço UBS elogiaram a medida e disseram que, apesar da especulação na imprensa, a redução do intervalo da banda não havia sido totalmente precificada pelo mercado.

“A decisão reforça o firme compromisso do governo em baixar a inflação, o que deve facilitar o trabalho do Banco Central de ancorar as expectativas inflacionárias”, afirmou a nota do UBS. “A decisão marca uma mudança significativa na direção da política econômica em relação ao observado nos anos recentes e abre a porta para baixar a meta de inflação no futuro.”

Mas a decisão do CMN não foi recebida cegamente por todos como a panaceia para expectativas inflacionárias ainda elevadas.

“A mudança é positiva, mas simbólica, e a realidade vai se impor”, afirmou a esta coluna um renomado economista brasileiro com larga experiência em Brasília. “O trabalho aqui ainda é a grande desinflação de 2016: precisa primeiro ganhar essa batalha.”

Nesse contexto, prosseguiu o economista acima, a mudança no intervalo da banda é secundária.

Segundo ele, a sinalização é positiva, mas o ganho de credibilidade virá mesmo se o Banco Central deixar o grosso do choque de 2015 em 2015.

“Esse é o foco e falar do futuro longínquo sem cumprir o futuro próximo tem bem menos impacto neste momento”, argumentou. “O risco é prestar muita atenção ao simbólico e desfocar do mais relevante, que é 2016.”

De qualquer forma, ponderou a fonte acima, a medida marca uma mudança no Ministério da Fazenda versus a gestão Guido Mantega, que nunca entendeu o papel da meta como âncora de expectativas de inflação. “Para Mantega, uma meta menor era uma restrição ao crescimento; para Joaquim Levy, uma meta menor é espaço para um PIB potencial mais alto”, explicou.

Já um economista-chefe de uma instituição financeira paulista disse acreditar que a decisão do CMN ajuda a reduzir o juro de longo prazo, na medida em que o menor intervalo da meta, ao menos em teoria, reduz o risco de surpresa inflacionária vis a vis o centro da meta, o que por sua vez reduz o prêmio de risco de longo prazo.

Se foi pra mexer no regime de metas, teria tido um impacto maior mudar o centro da meta? Era o recomendável?

“Entre o ideal (redução do centro da meta mais estreitamento do intervalo) e a inação, eles fizeram o movimento possível para o momento atual. Ainda assim, bem-vindo”, afirmou o economista da instituição paulista.

E qual a principal mensagem dessa mudança?

“Que este BC não é o mesmo da gestão anterior e que a atual política econômica não é mais a mesma da gestão anterior”, conclui o economista acima.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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