Mercado financeiro já aposta em Marina e Dilma vira zebra

Mercado financeiro já aposta em Marina e Dilma vira zebra

Analistas de bancos nacionais e estrangeiros já 'precificam' vitória da candidata do PSB, que já garantiu passagem para o segundo turno com chances reais de vitória

Fábio Alves

27 de agosto de 2014 | 12h33

Confronto: Marina e Dilma se abraçam durante o debate na Band (Foto: Alex Silva/Estadão)

A Bovespa volta a subir fortemente, enquanto o dólar segue em baixa frente ao real hoje. O apetite a risco dos investidores está sendo alimentado não somente após o resultado da pesquisa Ibope de intenção de voto – divulgado ontem depois do fechamento dos negócios -, como também após os números da pesquisa CNT/MDA.

As ações da Petrobras ON, a estatal que vem sendo mais influenciada no seu valor de mercado em razão da percepção dos investidores sobre o pesado intervencionismo do governo, superaram valorização de 3,5% ao redor das 12hs. Já a Bovespa teve ganho de mais de 1,5% no mesmo horário, batendo 60.698,54 pontos.

O que os preços das ações e do câmbio estão refletindo é que o mercado financeiro consolidou a visão hoje de que a candidata do PSB, Marina Silva, é favorita a vencer a eleição presidencial. Ou seja, a vitória de Marina está se tornando o cenário-base para os investidores e a reeleição de Dilma passou a ser uma zebra.

“Hoje o mercado dá probabilidade maior do que 50% de vitória de Marina”, disse a esta coluna um respeitado economista e sócio de um importante banco de investimento.

Na opinião de um economista-chefe de um banco estrangeiro, também em conversa com esta coluna, o mercado não vai ficar esperando a confirmação de outras pesquisas e já vai trabalhar com Marina como favorita.

“O único evento que poderia alterar essa convicção seria a volta do Lula, que não parece muito plausível nesse momento”, argumentou a fonte.

Para um experiente economista paulista, entre os investidores locais, Marina já está no segundo turno e, crescentemente, com chances reais de vitória.

“Minha dúvida é sobre os estrangeiros: minha sensação é que nesse sentido os ‘gringos’ ainda têm uma visão mais favorável sobre as chances da presidente”, afirmou o economista a esta coluna. “A ironia que se extrai dessa pesquisa Ibope, é que nas simulações de 2º turno Marina ganha de Dilma e Dilma ganha de Aécio, se o Aécio por hipótese ganhar terreno de Marina, o mercado pode sofrer.”

No entanto, os números das pesquisas Ibope ontem e CNT/MDA hoje deixam a perspectiva de ida do candidato tucano ao segundo turno cada vez mais remota.

Conforme o Ibope, Dilma soma 34% das intenções de voto ante 29% de Marina e 19% de Aécio. Em um eventual segundo turno, Marina venceria Dilma por 45% a 36%.

Já a pesquisa CNT/MDA, divulgada hoje de manhã, a candidata petista está em primeiro lugar, com 34,2%, enquanto Marina soma 28,2% e Aécio caiu para 16%. No confronto do segundo turno, Marina vence Dilma por 43,7% contra 37,8%.

Se as próximas pesquisas apontarem uma probabilidade crescente de vitória de Marina, quais as dúvidas que os investidores ainda têm sobre um governo da candidata do PSB?

“As dúvidas sobre um governo dela são mais a respeito das relações com o Congresso do que quanto à orientação da equipe econômica”, afirma o sócio do banco de investimento ouvido mais acima. “Do lado econômico, há mais dúvidas sobre a parte ambiental e micro do que macro.”

Já na opinião do economista paulista, embora o discurso de Marina e de seu assessor econômico Eduardo Giannetti da Fonseca de reforço do tripé macroeconômico seja animador, é claro que o lado fiscal exige um ajuste que dificilmente será muito grande em 2015 diante da rigidez dos gastos, do baixo crescimento econômico que afeta a arrecadação e da sinalização (ainda feita pelo ex-candidato Eduardo Campos) de que não haverá elevação de tributos.

“A pergunta que eu faria a Marina é: qual é o tamanho do resultado primário que ela julga possível fazer no próximo ano e qual é a trajetória esperada para os anos seguintes?”, indagou a fonte.

Dúvidas ou não em relação ao que Marina faria se eleita, o fato é que o mercado financeiro seguirá precificando sua vitória, na opinião dos analistas ouvidos por esta coluna.

Num primeiro momento, ressaltou o economista do banco estrangeiro, os investidores foram reduzindo o pessimismo, cobrindo posições “short” (vendidas) ou “underweight” (abaixo da média das carteiras).

“Mas ainda tem muita gente com posicionamento pessimista”, disse ele. “A dinâmica à frente pode ser a de ficarem ‘long’ (comprado) ou ‘overweight’ (acima da média), incorporando o cenário que Marina pode ser tão ortodoxa na política econômica quanto Aécio”, acrescentou.

* Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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