Dólar sobe se Dilma vencer e cai se ela perder, diz consultoria

Fábio Alves

22 de maio de 2014 | 15h39

dilma

Mercado financeiro arrisca aposta: se Dilma vencer, dólar sobe (Foto:André Dusek/Estadão)

SÃO PAULO – Uma vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais deste ano fará a cotação do dólar subir, enquanto que sua derrota, levando a um candidato da oposição ao comando do País, fará a moeda americana cair mais ainda em relação ao patamar atual abaixo de R$ 2,22.

A aposta é dos economistas Silvio Campos Neto, Alessandra Ribeiro e Felipe Salto, da consultoria Tendências, que vêm apresentando aos seus clientes um cenário duplo para o câmbio e outros indicadores brasileiros em 2015, um com a reeleição da presidente e outro com a vitória da oposição.

Em caso de reeleição de Dilma, o cenário base da Tendências é de que a presidente promova em 2015 um ajuste moderado na economia brasileira. Nesse caso, o dólar iria encerrar cotado a R$ 2,45 em 2014 e a R$ 2,58 ao final de 2015. Se nenhuma mudança ou ajuste for feito em 2015, o dólar terminaria o próximo ano cotado a R$ 3,11, no cenário pessimista da Tendências. A inflação ficaria em 7,5% no ano.

No primeiro ano do próximo mandato, o governo faria um moderado ajuste monetário e fiscal. Com isso, a taxa básica de juros, a Selic, atingiria 12,25% no final de 2015.

Além disso, o governo Dilma tentaria fazer, num eventual segundo mandato, um esforço fiscal maior em 2015, obtendo um superávit primário consolidado do setor público de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação com a meta de 1,9% do PIB neste ano.

Por outro lado, uma vitória da oposição levaria a uma queda na cotação do dólar para R$ 2,10 ao final de 2014.

A consultoria Tendências atribui um ligeiro favoritismo da presidente nas eleições de outubro, num pleito bastante disputado e acirrado, com 55% de probabilidade de reeleição de Dilma, ante 45% de vitória da oposição.

No início deste ano, os analistas da consultoria atribuíam a probabilidade de 60% de vitória da presidente, ante 40% da oposição.

E por que o dólar subiria novamente com a reeleição da presidente?

“A palavra-chave dessa história é confiança e o mercado financeiro hoje não tem mais confiança na presidente”, explica Silvio Campos Neto.

Independentemente de quem Dilma Rousseff nomear para o cargo de ministro da Fazenda, o mercado sempre ficará “com o pé atrás” em relação se o ministro poderá vir a cumprir as ordens da presidente para o rumo da economia, segundo Campos Neto.

“E seriam ordens que não estariam em linha com o que seria correto para a economia na visão do mercado”, disse o economista da Tendências. Isso, em particular, quanto a medidas de caráter intervencionista na economia, como o represamento dos preços administrados, como o da gasolina, da energia elétrica e da tarifa de transporte público.

E por que o dólar cairia com a vitória de algum candidato de oposição?

“Porque haveria um choque de credibilidade”, diz Campos Neto. Ou seja, um candidato de oposição teria mais confiança de investidores e analistas em relação a uma correção necessária de rumos da política econômica, acrescentou ele.

Isso tenderia a gerar uma entrada de capitais mais vigorosa, o que ajudaria a apreciar a moeda brasileira. E a reação no câmbio não se daria necessariamente apenas depois de terminadas as eleições, segundo o economista da Tendências.

“Se por acaso as pesquisas de intenção de voto apontarem já em setembro a reeleição de Dilma, então a depreciação do câmbio será sentida a partir daí”, diz Campos Neto. Da mesma forma, se as pesquisas indicarem a vitória da oposição em setembro, o dólar começará a se enfraquecer.

Pesquisa do Ibope, divulgada nesta quinta-feira, 22, mostrou recuperação da presidente no apoio dos eleitores. Dilma subiu de 37%, em abril, para 40% das intenções de voto. Os demais candidatos somam 37%. A vantagem da petista está dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Aécio Neves (PSDB) aparece com 20% das intenções, Eduardo Campos (PSB), com 11%, pastor Everaldo (PSC), com 3%, José Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada e outros, juntos, somam 1%.

Com o resultado, Dilma retoma o patamar de intenções de voto que tinha em março, após ter caído para 37% em abril. No levantamento anterior, Aécio Neves tinha 14% e Campos, 11% das intenções de voto.

No médio prazo, ressaltou Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, a direção do dólar é de se valorizar frente à moeda brasileira.

“Em razão até dos desequilíbrios da economia brasileira, os quais o próximo governo terá de corrigir”, explicou ele. E essa correção passará por um ajuste do déficit de conta corrente do Brasil, que hoje está ao redor de 3,7% do PIB, exigindo uma desvalorização do real.

“Os fundamentos de longo prazo da economia brasileira ainda apontam para uma depreciação do câmbio, mas no curto prazo poderá haver uma reação maior ao resultado das eleições presidenciais”, disse.

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