O efeito tiririca nas próximas eleições

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O efeito tiririca nas próximas eleições

Inflação alta e o desemprego crescente serão os principais vilões das candidaturas do PT nas eleições municipais do próximo ano

Fábio Alves

06 de novembro de 2015 | 13h45

Eleições 2016: Há espaço para acontecer no Brasil o mesmo fenômeno da Guatemala, onde o comediante Jimmy Morales foi eleito presidente (Foto: Filipe Araújo/Estadão)

Eleições 2016: Há espaço para acontecer no Brasil o mesmo fenômeno da Guatemala, onde o comediante Jimmy Morales foi eleito presidente (Foto: Filipe Araújo/Estadão)

A inflação alta e o desemprego crescente vão ser os principais vilões das candidaturas do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais de 2016, superando até o desgaste causado pelas investigações das operações Lava Jato e Zelotes.

A questão mais premente é o espaço que isso abrirá para candidatos à margem da política tradicional – e não somente o que se consideraria a terceira via, como foi Marina Silva, quando assumiu a chapa após a morte de Eduardo Campos, pelo PSB.

Há espaço para acontecer no Brasil o mesmo fenômeno da Guatemala, onde o comediante Jimmy Morales foi eleito presidente.

Não precisa ir muito longe: na província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vida, a praticamente novata na política, elegeu-se após derrotar o candidato peronista. Há 28 anos, o peronismo governava a província.

Tanto na Guatemala quanto na Argentina, um sentimento uniu os eleitores: uma frustração com o debacle econômico, além da fadiga com as recorrentes denúncias de corrupção.

Em 2016, o primeiro pleito após a presidente Dilma Rousseff assumir seu segundo mandato, a grave crise econômica poderá alavancar a candidatura daqueles que conseguirem captar o desalento com a economia, oferecerem uma opção viável de recuperação no emprego e de controle da inflação e não tiverem suas biografias manchadas com escândalos.

Tarefa difícil, mas há no Brasil um triste precedente: Fernando Collor, o caçador de marajás, que veio dominar o imaginário do brasileiro num ano de 1989 marcado igualmente por inflação galopante e ressaca na atividade econômica.

A diferença, todavia, é que o eleitor brasileiro sabe como termina a gestão de um franco atirador como era Collor em 1989.

Ninguém acredita, no entanto, que, como aconteceu na Guatemala, haja atualmente espaço para um candidato como Tiririca, o mais votado deputado federal do Brasil em 2010 e o segundo mais votado em 2014, se eleger para um cargo executivo tão importante como prefeito, governador ou presidente.

Mas um “outsider” não necessariamente tem que ser um comediante para causar estragos no “establishment” político e gerar forte volatilidade nos preços dos ativos se a eleição for a presidencial.

Até outubro do próximo ano, o cenário econômico não deve apresentar melhora significativa.

É justamente a base eleitoral do PT que mais vem sofrendo com a crise.

Enquanto o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 9,93% em outubro, pior resultado desde novembro de 2003, segundo o IBGE, a inflação da população de baixa renda já ultrapassa os dois dígitos.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-C1) acumulado em 12 meses bateu 10,67% em outubro. O IPC-C1 capta preços percebidos por famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos.

O Banco Central espera uma desaceleração da inflação ao longo de 2016, mas surpresas podem acontecer, especialmente se houver aumentos de impostos (como Cide e ICMS) e o dólar subir acima do esperado, sem falar em eventuais choques na produção de alimentos causados por condições climáticas adversas.

Em relação ao desemprego, a perspectiva é mais desanimadora.

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País atingiu 7,6% em setembro, a maior para o período desde 2009, segundo os dados mais recentes do IBGE.

Vários economistas projetam uma taxa de 10% ao longo de 2016, numa combinação de demissões em alta e maior procura por emprego de quem estava fora do mercado de trabalho.

Ontem, a FGV divulgou seu Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), que registrou um salto de 5,4% em outubro ante setembro, para 97,6 pontos, na série com ajuste sazonal. É o maior nível desde março de 2007.

Essa alta traduz um maior pessimismo dos consumidores sobre o mercado de trabalho e sugere continuidade do aumento da taxa de desemprego no período.

Segundo a FGV, o indicador que mede a percepção de dificuldade de se obter emprego subiu 8,1% para a faixa dos consumidores com renda familiar mensal de até R$ 2,1 mil e avançou 6,1% entre as famílias com ganhos superiores a R$ 9,6 mil.

Ou seja, para aqueles com menor qualificação profissional e renda mais baixa, o desemprego ou o temor de perder o emprego assombram mais.

É nessa faixa que o PT tradicionalmente tem mais eleitores.

A eleição municipal de 2016 testará a frustração do eleitorado com a crise econômica e apontará tendências para o pleito presidencial em 2018, em particular se haverá terreno fértil para um “outsider” ou um franco atirador, à margem dos tradicionais partidos que recebem maior número de votos.

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