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Qual vai ser da Rede Sustentabilidade em 2018

Para o senador Randolfe Rodrigues, o partido vai acabar com a polarização entre PT e PSDB

Fábio Alves

11 de novembro de 2015 | 12h12

O senador Randolfe Rodrigues (AP) acredita que, nas eleições presidenciais de 2018, a Rede Sustentabilidade irá acabar com a polarização entre PT e PSDB observada nos últimos 24 anos, sendo a ex-ministra Marina Silva o único nome em condições de viabilizar uma terceira via e disputar o segundo turno.

“Marina já vem de duas disputas presidenciais. Em ambas foi a terceira colocada, sendo que em 2014 sofreu uma forte ofensiva contra seu nome”, declarou Randolfe, em conversa com esta coluna. Ele desde já coloca Marina como a candidata natural da Rede.

Mas a meta, segundo ele, é chegar forte em 2018 em todas as disputas e não somente para a Presidência da República.

Randolfe se filiou à Rede no final de setembro, deixando o PSOL, caminho semelhante ao que fez Heloisa Helena, ex-senadora e atual vereadora de Maceió.

Sobre possíveis coligações com outros partidos para a disputa presidencial, o senador disse que a Rede espera construir alianças.

“Temos, naturalmente, uma relação muito boa com o PSB devido ao próprio PSB ter sediado a Rede no seu ventre antes do registro, além de ter um diálogo muito bom com o PPS”, disse.

Outros partidos que não aceitem mais a polarização PT e PSDB terão na Rede uma opção e serão muito bem recebidos, acrescentou Randolfe.

Mas essas alianças ficarão mais à esquerda ou à direita do PT, por exemplo?

“As alianças têm que estar com um compromisso político progressista”, sentenciou Randolfe. “Setores que se identificam com a esquerda, mas também que se identificam com valores democráticos, o que se chama normalmente de esquerda democrática.”

E o que Randolfe chama de esquerda democrática?

“É ter radical compromisso com a democracia, com as instituições do Estado de direito, com a defesa dos direitos individuais e com a construção das bases de uma sociedade de bem-estar e de inclusão social”, explicou. “Somado também a um radical compromisso com a ética na política, que parte da esquerda abriu mão. Aliás, essa é a principal derrota do ciclo petista no governo”

E o que seria esquerda para ele em termos econômicos?

O primeiro ponto destacado por Randolfe é sobre um eventual programa de governo da nova candidatura de Marina à Presidência em 2018.

Segundo ele, não é correto dizer que o programa de governo de Marina para as eleições presidenciais em 2018 terá o mesmo teor daquele que ela defendeu em 2014. “Aquele foi um programa herdado da candidatura de Eduardo Campos”, disse.

Só para lembrar, Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco pelo PSB, elaborou um programa de governo considerado mais conservador para os temas da economia, defendendo, por exemplo, a independência do Banco Central.

A Rede terá sua convenção nacional em março ou abril do ano que vem. Randolfe defenderá, durante a convenção, que a Rede comece desde já a estruturar um debate sobre a construção de um programa de governo visando as eleições de 2018, com a possibilidade de “abarcar as diferentes visões no âmbito da Rede”.

Mas o senador apoia ou condena o ajuste fiscal que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenta implementar no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff?

“A minha percepção é que o Brasil passou em 2015 insistindo numa receita, que prometia no início do ano que tiraria o País da crise até agosto, mas estamos em novembro e agora o ajuste deve se prolongar até 2017”, afirmou. “O remédio de altíssimas taxas de juros, de redução dos investimentos do Estado na área social e de aumentar a tributação não está dando certo, então essa receita tem que ser modificada.”

O ajuste fiscal em curso, segundo Randolfe, acabou empurrando o País à mais profunda recessão desde a redemocratização em 1985.

Para o senador, a combinação da recessão e do desgaste com as investigações da Operação Lava Jato deverá afetar o desempenho do PT nas eleições de 2018.

“Há algum tempo o PT abriu mão da bandeira de ética na política. Mesmo após o mensalão, o PT conseguiu vencer em três eleições”, ponderou Randolfe. “Ocorre que agora a degradação ética vem acompanhada da degradação do cenário econômico, assim as pessoas ficam mais sensíveis ao tema da corrupção.”

E o que afetará o PSDB em 2018?

“Uma candidatura de terceira via tem que apontar para o povo brasileiro que os dois – PT e PSDB – são muito parecidos tanto na questão da corrupção quanto na condução da economia”, disse.

E qual será o apelo da Rede junto aos eleitores?

Para Randolfe, principalmente os eleitores mais jovens vão se identificar com o perfil da Rede, em particular em razão do formato do partido.

“É um partido movimento, semelhante com outras experiências políticas em curso no mundo como o partido do Homem Comum, na Índia; o 5 Estrelas, na Itália; e o Podemos, na Espanha”, argumentou Randolfe. “Todas essas experiências surgiram após um forte desgaste da classe política por escândalos de corrupção.”

A Rede segue esse perfil com apelo ao segmento mais jovem do eleitorado e também à classe média brasileira: estruturas horizontalizadas onde detentores de mandatos não podem fazer parte dessa estrutura partidária.

“Além de nascer com radical compromisso aos valores republicanos, o que comumente se chama de ética na política”, acrescentou Randolfe.

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