Quem compra Bovespa hoje: tucanos ou petistas?

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Quem compra Bovespa hoje: tucanos ou petistas?

Empate técnico entre Dilma e Aécio estimula investidores a correr para a Bolsa, mas há outros fatores em jogo pela frente

Fábio Alves

18 de julho de 2014 | 14h50

Pesquisa eleitoral mostra reflexos no mercado (Foto/Estadão)

A Bovespa bateu na manhã desta sexta-feira, 18, o nível máximo de 2014, alcançando 57.483,80 pontos, com ganho de mais de 3,5%. Essa alta está sendo alimentada pelo resultado da pesquisa Datafolha de intenção de voto para a eleição presidencial, divulgada ontem à noite, que mostrou um empate técnico entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) numa eventual disputa de segundo turno.

Interlocutores ouvidos pelo Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, fizeram a seguinte análise sobre a perspectiva de curto prazo da Bolsa brasileira: quem está investidor que acredita numa eventual vitória de um candidato de oposição, em particular Aécio Neves.

Isso porque se as pesquisas eleitorais voltarem a mostrar Dilma recuperando a margem de liderança, com maior probabilidade de reeleição, mesmo que num segundo turno, as ações brasileiras devem devolver os ganhos que vêm registrando desde que a intenção de voto a favor da presidente começou a cair. Há quem fale na volta a um patamar de 40.000 pontos para a Bovespa se Dilma for reeleita.

Nos cenários para o segundo turno, o Datafolha mostrou ontem que Dilma está tecnicamente empatada com Aécio. A petista tem 44% das intenções ante 40% do tucano, dentro da margem de erro. No levantamento anterior, Dilma somava 46% e Aécio, 39%.

Contra Eduardo Campos (PSB), Dilma venceria com 45% dos votos contra 38% num eventual segundo turno. No início de julho, a petista tinha 48% de apoio contra 39% do ex-governador de Pernambuco.

Já a taxa de rejeição da presidente subiu de 32% para 35% no levantamento feito pelo Datafolha. A rejeição de Aécio Neves oscilou de 16% para 17%, enquanto a taxa de Eduardo Campos seguiu em 12%.

E para os que argumentam que o início da propaganda eleitoral gratuita na TV e no Rádio, na qual o PT tem larga vantagem de tempo em relação aos partidos adversários, poderá reverter o recuo no apoio à presidente, interlocutores desta coluna dizem que o tema economia poderá ofuscar a força da propaganda eleitoral, programada para começar no dia 19 de agosto.

Essa é, sem dúvida, uma tese arrojada, mas que ganhou força no mercado financeiro desde a divulgação ontem do desastroso resultado do Caged de junho, quando foram criadas apenas 25.363 vagas de trabalho, muito abaixo do que os mais pessimistas analistas poderiam imaginar. A mediana das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções era de uma criação de 82 mil vagas no mês passado.

Na realidade, foi o pior número de geração líquida de emprega para um mês de junho desde 1998. E isso terá impacto não somente macroeconômico, como também político.

Aliás, o temor da perda do emprego, gerado pela desaceleração esperada do Produto Interno Bruto (PIB), vai ser um tema mais preponderante para os candidatos de oposição do que a inflação.

A previsão de crescimento do PIB em 2014 recuou de 1,07% para 1,05% na última pesquisa semanal Focus do Banco Central. Foi a sétima revisão consecutiva para baixo da projeção do crescimento econômico brasileiro neste ano.

O mais preocupante para a campanha da presidente Dilma é que no dia 29 de agosto, bem no meio da corrida presidencial, o IBGE deve divulgar o resultado do PIB do segundo trimestre deste ano e a maioria dos analistas está prevendo uma contração da economia brasileira entre abril e junho.

Espera-se, entre os analistas ouvidos, que se a previsão de um resultado negativo do PIB do segundo trimestre se confirmar, os candidatos de oposição aproveitem a desaceleração da economia para incutir, no eleitorado, o temor da perda do emprego.

E esse tema pode ser até mais forte do que o medo da aceleração da inflação. Conforme a última pesquisa Focus, a previsão para a inflação em 2014 subiu de 6,46% para 6,48% depois de inalterada por três semanas consecutivas.

E ao menos até o início de setembro, a expectativa dos analistas é que os índices mensais de preços ao consumidor fiquem mais comportados, o que inibiria o tema inflação de dominar o debate eleitoral como se esperava alguns meses atrás. E nas próximas semanas, os preços do grupo alimentação devem ficar mais próximos de zero, o que causaria menos desconforto no bolso dos eleitores.

O que o mercado financeiro vai ficar atento nas próximas semanas é se as pesquisas eleitorais vão mostrar se a queda na intenção de voto de Dilma Rousseff foi apenas reflexo da insatisfação com a derrota acachapante da seleção brasileira para a Alemanha, na Copa do Mundo, ou se, de fato, foi uma mudança de humor mais estrutural em relação ao apoio à presidente.

 

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