Portabilidade é uma saída para planos de previdência com baixa rentabilidade

fabiogallo

09 de setembro de 2013 | 08h42

Com a alta dos juros tenho duas dúvidas. Tenho R$ 90 mil aplicados em um VGBL nesses três meses passados, mas houve quase um prejuízo no resultado se olhado desde 2011. Compensa esperar mais 60 dias para ver como o mercado vai se portar ou devo retirar tudo e aplicar em outro investimento? A segunda dúvida é sobre um CDB, de R$ 10 mil. Vale a pena tirar e aplicar na poupança, com essa nova regra?

Nos dois casos é melhor esperar. No VGBL o resultado negativo tende a ser revertido justamente pela subida de juros. Por outro lado, verifique que no primeiro semestre do ano, todos os investimentos tiveram perdas para a inflação, com exceção do dólar. Além do que a tributação dos planos de previdência é sempre alta. Caso você saque o saldo agora haverá mais perdas ainda. Uma primeira opção é pesquisar alternativas de planos VGBL na própria instituição do plano atual ou no mercado. Caso encontre opção que remunere melhor, use da portabilidade e transfira os recursos do plano atual para outro com melhores condições. Lembre-se de considerar o grau de risco das opções. No CDB, vale a pena esperar o vencimento e nesse momento fazer a comparação com a caderneta de poupança. Provavelmente, compense ir para a caderneta de poupança porque nessa aplicação não há taxas e Imposto de Renda, ao passo que no CDB há IR. Como o valor aqui considerado é relativamente baixo, a taxa usualmente oferecida pelos bancos é pequena. Na hora que for colocar na ponta do lápis a rentabilidade líquida das aplicações, a poupança deve se sair melhor.

Qual a importância da previdência privada no futuro das crianças?

Esta é uma forma interessante de investimento quando pensamos em objetivos de longo prazo. Como regra geral, quanto mais tempo tivermos para gerar a poupança pretendida mais fácil será atingir nossos objetivos. Assim, quando pensamos no futuro, a previdência privada pode ser uma boa alternativa para garantir a faculdade ou mesmo proporcionar um bom início de vida profissional para nossos filhos. Ao contratar os planos de previdência, porém, devemos ter muitos cuidados. O primeiro deles é evitar planos com altas taxas de administração e não aceitar taxa de carregamento. Vale ponderar, no entanto, que eu não acho que a nossa preocupação deva ser de querer garantir toda vida futura de nossos filhos, por exemplo, a ponto de querermos guardar reserva já para a aposentadoria deles. Não podemos tirar deles o direito e dever de construir o próprio futuro.

Tendo em vista o quadro de inflação crescente e a projeção de que a taxa Selic alcance 9,75% até o fim de 2013, pergunto o que seria mais aconselhável para uma aplicação de R$ 400 mil. Minhas opções são a caderneta de poupança (visando investimento futuro em atividades produtivas), uma LCI de um banco de primeira linha (com taxa de rentabilidade de 87,5% do CDI  e prazo de resgate de 361 dias), uma LCI de um grupo financeiro ligado à indústria automobilística (com remuneração de 100% do CDI e com o mesmo prazo da anterior) e um fundo de renda fixa diferenciado, com taxa de administração de 0,30% e rentabilidade de 7,45 % nos últimos 12 meses. Neste último caso, eu aguardaria dois anos para o IR baixar para 15%?

Na comparação direta entre as opções listadas, a melhor delas é investir na LCI com 100% do CDI. Mas essa decisão depende da sua aceitação do risco de crédito de parte do valor aplicado. Essa opção lhe renderia algo em torno de 7,42% no ano. No entanto, fica a consideração sobre o risco da operação, pois a garantia do FGC para esse título é de no máximo R$ 250 mil. O restante do valor aplicado fica exposto ao risco de crédito. Detalhando as demais alternativas pela ordem trazida na pergunta, a caderneta de poupança com a regra antiga deve fechar o ano com a rentabilidade líquida próxima a 6,20%, já que não há taxas e IR. A poupança pela nova regra deve chegar ao final do ano com o acumulado de 5,43%. Com a Selic acima de 8,5%, as duas poupanças rendem pela mesma regra, de 0,5% mais Taxa Referencial. A Letra de Crédito Imobiliária, ofertada a 97,5% do CDI, equivale a um CDB com rentabilidade de 106,06% do CDI. O CDI acumulado no ano atinge 4,89%, o que equivale a uma taxa anualizada de 7,42%. Assim, teríamos a rentabilidade líquida da LCI perto de 6,50% no ano. Lembre-se que sobre essa aplicação não há incidência de IR. Vale observar que caso a taxa básica de juros Selic suba novamente, o CDI de 2013 será superior a essa taxa anualizada. No caso do fundo de renda fixa, a taxa de administração de 0,30% é boa, mas a rentabilidade acumulada nos últimos 12 meses não significa que há garantia de manutenção do retorno para o futuro. Mesmo que admitamos que a rentabilidade do fundo seja mantida em 7,45%, a rentabilidade líquida, para fins de comparação, ficará em torno de 6,30% ao ano, se você aguardar durante dois anos para pegar a menor alíquota de IR.

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