Entre Mitos e a Realidade

fabiogallo

12 de setembro de 2013 | 14h44

Investir e ficar rico é o sonho das pessoas!

O problema é que muitos acreditam que isso seja possível do dia para a noite. Nós sabemos que isso não é verdade. Será?

O fato é que muitas pessoas na hora de investir tomam decisões baseadas em “verdades” que escutaram ou leram de outras pessoas. Frases que soam tão bem que tomam força de verdades absolutas em relação ao “nosso” dinheiro. Aí reside o problema inicial da questão, a frase é de outro, mas o dinheiro é nosso!

Ao longo desses anos tenho respondido a muitas questões trazidas pelas pessoas interessadas em investir. As questões são as mais diversas, mas alguns traços são comuns. Elas de alguma forma continham embutida na pergunta um conceito pré-existente. O que pode ser percebido é que de alguma maneira as questões trazidas pelos investidores continham algum dos famosos “mitos” dos investimentos, podemos dizer também “máximas” em finanças, ou mesmo, “axiomas” de investimentos.

Muitas dessas verdades são ditas acompanhadas de histórias ocorridas com pessoas reais e que se deram muito bem nos seus investimentos. O traço comum de todos os mitos ou axiomas existentes em investimentos é que eles instigam o nosso comportamento, pois contém algo de nossa natureza, como esperança, ganância, medo e outros sentimentos afins.

Não pretendo aqui tratar de todas as estratégias de investimento, seus mitos ou tentar descrever todas as verdades em que acredito. Mesmo porque, como já foi dito por Aswath Damodaran, professor de finanças da Stern Scholl of Business da New York University,  muitos querem promover, outros destruir essas máximas. A promoção muitas vezes fica por conta de analistas e corretores, e os cínicos se encarregam da tentativa de desqualificar, sendo que a grande parte destes é encontrada no mundo acadêmico.

No entanto, tratar de maneira mais realística os mitos em finanças significa conhecer mais sobre o investidor e sobre investimentos. Afinal, quem nunca ouviu expressões como as listas abaixo?

– Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante;
– Somente compre ações que cresceram muito nos meses anteriores, esse crescimento vai induzir a outros também comprarem. Será uma profecia auto-realizável;
– Resista à tentação das diversificações;
– Diversificação é uma máxima;
– O risco está em não saber o que você está fazendo;
– Comprei na alta, agora que caiu, vou comprar mais, porque na média estou bem (sic);
– O mercado, como Deus, ajuda aqueles que o ajudam (do megainvestidor Warren Buffett);
– E outra de Buffett, muito legal para mim: “Não importa o que os professores dizem”.

Alguns desses mitos vêm de histórias baseadas em observações empíricas, enquanto outras trazem personagens reais muito bem sucedidos. Duas pessoas são constantemente mencionadas, uma delas é Paul Getty, que fez riqueza no início do século XX, outra é Warren Buffett, um dos mais ricos do mundo.

Vamos examinar o caso de Paul Getty, que foi alguém que apostou no risco, colocando todo o dinheiro que tinha na época (US$ 500) numa sociedade no ramo de petróleo. O restante da história pode ser resumido no número de US$ 1 bilhão que era a sua fortuna na época. O fato é que ele aproveitou a oportunidade e se deu bem. No entanto, devemos entender que há tantas possibilidades de situações como essa tanto darem certo como errado e que não há como generalizar a grande maioria desses casos de sucesso e boas histórias como “mapas da mina” para que as pessoas fiquem ricas. Mesmo porque se isto fosse verdade teríamos uma distribuição de riqueza muito maior.

Há algo comum nessas boas histórias: sempre há verdades. Neste aspecto é que mora o perigo porque são verdades que nem sempre podem ser replicadas, dependem do ambiente econômico, do perfil do investidor e até mesmo da “sorte”.

Há outras máximas muito interessantes. Podemos citar a questão da diversificação; o grau de aversão a risco do investidor como único fator decisor de alguns investimentos; mercado em queda é momento de comprar porque tudo é pechincha; o preço/lucro; que há oportunidades de lucro sem risco e vai por ai.

A partir de agora vamos tratar desses e outros assuntos neste espaço. Sempre buscando dar conta de como investir melhor o nosso dinheiro.

Mas, devemos refletir sobre algo: há alguma moral nessas histórias e máximas?

Sim, não há “receitas fechadas” que dêem conta de gerar riqueza para todos. Podemos, aqui, lembrar-nos do velho ditado americano: “Não há almoço grátis.”

Até mesmo poderíamos cunhar outra máxima: “Aquele que realmente sabe ganhar dinheiro ao outro não contará”. Bom, nesta eu acredito.

Devemos ter em mente que investir exige muito planejamento, disciplina e conhecimento. Esta receita é indicada para todos.

Mas como lidar com isso tudo? Uma boa saída para conviver com todo esse contexto é lembrar-se de Aristóteles que com toda sua sabedoria dizia: “A virtude está no meio”.

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