Ao trocar dívida cara por mais barata, devedor precisa reorganizar contas

fabiogallo

16 de setembro de 2013 | 15h23

Sou doutoranda e minha conta no banco anda frequentemente no negativo. O banco está me oferecendo empréstimos. Sei que os juros são mais baixos nessa modalidade, mas noto que, no fim das contas, você paga o dobro ou mais do valor que tomou emprestado. Será que vale mesmo à pena trocar a dívida cara por um empréstimo?

Empréstimos só são úteis quando são inevitáveis, particularmente em situações em que o dinheiro serve para você conseguir se organizar de maneira definitiva. Deixando mais claro, caso você esteja no negativo e consiga trocar a dívida mais cara por uma mais barata vale a pena realizar a operação. Por exemplo, você está endividada no cheque especial ou cartão de crédito com taxas de 9% a 12% ao mês (o que representa um juro de 290% ao ano) e consegue tomar emprestado no crédito pessoal ou consignado com taxas de 1% a 3% ao mês (43% ao ano). Vale lembrar que isso só deve ser feito se você conseguir organizar o seu orçamento pessoal, colocando os débitos da nova dívida juntamente com as suas despesas e equilibrar suas contas para não voltar ao vermelho. Caso contrário, você irá adquirir uma nova dívida e em pouco tempo estará novamente devendo no cheque especial.

Tenho R$ 200 mil em um plano de previdência privada PGBL e desde 2006 não aportei mais nada. Gostaria de ter uma opinião se devo deixar o dinheiro lá mesmo ou se devo sacá-lo para colocar em um CDB, LCA ou LTN. Não pretendo aportar mais nada no plano. Em caso de retirada mensal, quanto posso sacar, sem que eu tenha de pagar Imposto de Renda? A seguradora informa que a taxa de administração é de 2%. A terceira dúvida é em relação à nova poupança, pois tenho R$ 70 mil e não sei se mantenho a aplicação.

A princípio, deixe os recursos no plano PGBL. A decisão de sacar o dinheiro ou manter a aplicação depende de outros fatores. O aspecto inicial a se considerar é a rentabilidade que o fundo de previdência oferece frente ao seu grau de risco. Obviamente, calcule os ganhos líquidos, ou seja, deduza do retorno bruto os custos do plano. Caso o PGBL atual não esteja dentro do seu perfil, busque alternativas de previdência na própria instituição ou em outras. Encontrando algo melhor, use a portabilidade entre planos da mesma natureza para migrar o investimento. Considere na sua decisão de sacar o fato de que haverá incidência de imposto sobre todo o saldo encontrado no plano atual. Caso a sua opção tenha sido pela tabela regressiva, a alíquota tributária de 10% ocorrerá somente a partir de 2016, já que seu último depósito é de 2006. Se decidir sacar os recursos, o novo destino dependerá de qual é a taxa oferecida pelos bancos de seu relacionamento para aplicação em CDB ou LCA, na comparação com as LTNs. Quanto ao saque da retirada mensal, a tabela de IR válida para 2013 aponta isenção para valores de até R$ 1.710,78. A caderneta de poupança pela nova regra deve render em 2013 um pouco mais do 5,4% líquido e possui garantia de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Tenho uma aplicação auto patrocinada da empresa onde me aposentei. Não posso sacar este dinheiro. Apenas tenho direito a uma retirada mensal de 0,7% do valor aplicado. Atualmente, me considero conservador, mas tenho a opção de alterar este perfil por um ano. Em junho, a rentabilidade das aplicações do meu perfil foi negativa. Gostaria de saber qual o melhor perfil para minha realidade, pois não trabalho e dependo deste rendimento para minha sobrevivência.

Independentemente do seu perfil e da rentabilidade de cada opção de investimento, o importante neste momento é o nível de risco que você pode correr frente aos seus objetivos financeiros. Hoje em dia, a sua renda para sobrevivência vem desses recursos aplicados, não sendo indicado você ficar muito exposto a risco. Por isso, mantenha-se em posição mais conservadora. No material enviado por você é possível verificar que a diferença entre as opções de perfil basicamente ocorre devido à porcentagem de renda variável na carteira. As alternativas que você tem à disposição e as respectivas composições de carteiras são: a) ultraconservador, com aplicações de 100% em renda fixa; b) conservador, com carteira de 91,75% em renda fixa e 8,25% em renda variável; c) moderado, com carteira de 78% em renda fixa e 22% em variável; e d) arrojado, com carteira de 61,5% em renda fixa e 38,5% em variável. A carteira ultraconservadora obteve no ano passado a rentabilidade de 8,32% e em 2013, até junho, tem retorno acumulado de 3,43%. A carteira conservadora atingiu em 2012 a rentabilidade de 8,97% e, no acumulado de 2013, somente 1,49%. Em contrapartida, observe que as outras carteiras obtiveram melhor retornos em 2012 do que essas duas citadas. Em 2013, no entanto, estão com rentabilidades negativas, justamente devido ao fraco desempenho da renda variável. Portanto, analisando-se o seu perfil e o desempenho das carteiras, a melhor opção é permanecer na sua condição atual.

Tudo o que sabemos sobre:

dívida

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: