Plano de previdência privada pode ser usado para garantir estudos

Yolanda Fordelone

18 de novembro de 2013 | 07h59

Tenho uma neta com um ano e meio de idade. Quanto nasceu, seu pai (meu filho) tinha falecido havia seis meses. Estou com 81 anos e minha preocupação é com o futuro dela e de seus estudos. Tenho condições de destinar de R$ 50 mil a R$ 100 mil para esta finalidade. Qual a aplicação com maior possibilidade de custear seus estudos em uma boa faculdade, daqui a mais ou menor 15 anos?

A senhora deve pensar em um investimento de longo prazo e que, portanto, deve ter alguma proteção contra a inflação. Como o seu objetivo é garantir os estudos na faculdade de sua neta, uma das primeiras coisas a fazer é projetar qual o tipo faculdade almejada. Esse valor pode variar muito. Há cursos que custam perto de R$ 6 mil ao ano enquanto outros chegam a mais de R$ 50 mil, somente com mensalidades. Apenas para se ter uma ideia, um curso em uma faculdade de bom nível com duração de quatro anos custa em torno de R$ 120 mil. As universidades públicas não têm custo, mas há gastos como alimentação, moradia, transporte, entre outros. Com isso em mente, há algumas alternativas de investimento. Uma boa opção é comprar títulos do Tesouro Direto como as NTN-Bs, que estão sendo oferecidas na faixa de 6,02% ao ano mais a variação da inflação. Com esse rendimento, a aplicação de R$ 50 mil daqui a 17 anos será algo como R$ 120 mil, em termos reais e líquidos. A segunda opção é investir em fundos de previdência privada (VGBL ou PGBL), mas sem taxa de carregamentos e que tenham baixa taxa de administração. A dica é cuidar também do aspecto jurídico para garantir que ela tenha acesso a esses recursos.

Em pequenas lojas do varejo, como um mercado ou uma farmácia, como o empresário deve definir seu salário?

A decisão deve ser pelo orçamento e fluxo de caixa daquele negócio e nunca pelo que ele “acha” que deve ganhar. Todos acreditam que o seu trabalho é muito importante e que devem ganhar mais do que os empregados. O problema que as pessoas esquecem é que quem é empreendedor assume os riscos do negócio. Assim, reforço uma ideia passada nesta coluna recentemente de que é essencial para o pequeno empresário a separação total entre as suas contas particulares e as da empresa. É necessário manter o controle gerencial do negócio, principalmente do fluxo de caixa da empresa. Paralelamente, é recomendado criar um orçamento familiar para as contas de casa. Deve-se estabelecer o valor do salário, mas a retirada só deve ser feita se houver resultado positivo no fim do mês. Quando a empresa está no início é preciso considerar que todo o lucro deve ser revertido para o próprio negócio. Com o passar do tempo, o empresário deve retirar parte deste lucro, após estabelecer quanto ficará retido em investimentos, principalmente em tecnologia, para que a empresa possa crescer. Se não sobrar nada no fim do mês, não tira nada. Tirar dinheiro do negócio sem essas premissas vai prejudicar o negócio. Ele não irá evoluir com o mercado e ficará para trás.

Como investir pensando na hora de se aposentar?

Pense em investimentos de longo prazo. Muitos pensam que na hora de investir devemos considerar somente o grau de aversão a risco. A personalidade, a idade, experiências de vida e outros fatores fazem com que cada um tenha o seu próprio grau de aversão ao risco, que representa o quanto a pessoa se ressente com perdas no investimento. De maneira geral, classifica-se o perfil em conservador, moderado ou agressivo. O comportamento em relação ao risco é importante, mas não é suficiente para tomar a decisão. Devemos considerar também duas variáveis importantes: a) o prazo disponível para a realização do objetivo alvo desse investimento; b) a importância deste dinheiro em relação ao objetivo e em relação ao patrimônio total. Com base nessas duas variáveis, podemos estabelecer o nível de risco aceitável no investimento. Quanto mais tempo temos e quanto menos importante for aquele dinheiro, mais risco pode ser corrido. Por outro lado, quanto menor o prazo e mais importante forem os recursos, menos risco devemos correr. No caso da aposentadoria, usualmente, o prazo é longo, mas o dinheiro investido é muito importante porque representa a renda da pessoa quando aposentada. Por isso, o risco deverá ser moderado. Ou seja, não é preciso aplicar somente em caderneta de poupança, mas investir apenas em ações pode não ser uma boa alternativa. Deverá ser elaborada uma carteira diversificada, com a maior parte dos recursos em renda fixa – como títulos do governo, fundos de renda fixa ou fundos multimercado -, e uma parte menor em renda variável, com ações ou um fundos de ações de risco moderado.

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