Abandonar investimentos após perdas pontuais nem sempre é a melhor saída

É importante ressaltar que a realização de prejuízos e a consequente aplicação dos recursos em outros ativos é algo positivo, se realizada numa estratégia de investimentos

fabiogallo

15 de setembro de 2014 | 08h31

Aplico em previdência privada. Comecei em 2009, com R$ 30 mil, e coloco quantias semelhantes anualmente num fundo PGBL desde então, com tributação regressiva. Se resgatar tudo em dez anos, todas as parcelas sofrerão tributação de 10%?

A tabela regressiva é aplicada a cada contribuição. Após dez anos, a alíquota de 10% não valerá para todas as aplicações. Em 2019, a primeira contribuição terá a incidência de 10%. A tabela regressiva do imposto de renda (IR) tem alíquotas reduzidas ao longo do tempo e o desconto ocorre de modo definitivo e exclusivo na fonte. Começa com 35% e a alíquota é reduzida em 5 pontos porcentuais a cada 2 anos. Assim, as contribuições ao plano com mais de 10 anos atingem a alíquota de 10%. Mas, quando do resgate, no PGBL a incidência do tributo ocorre sobre todo o saldo do plano, não só sobre o ganho de capital – como no caso do VGBL. O VGBL não permite o benefício fiscal de até 12% da renda bruta que poder ser abatida na declaração anual do IR. Cerca de 45% dos contribuintes não aproveitaram esse beneficio fiscal em 2013, muito provavelmente por falta de conhecimento sobre seus planos. É importante que tenhamos conhecimento sobre o tipo de investimento que fazemos, particularmente em relação a planos de previdência destinados a aposentadoria, assim trazendo benefícios que complementarão a renda.

Em 2008, apliquei no banco R$ 40 mil em fundos de ações: R$ 25 mil na Vale e R$ 15 mil na Petrobrás, com taxa de administração de 3%. Perdi 50% do valor e continuo na aplicação. O consultor do banco sugeriu passar para ações, com valor mensal em torno de R$ 13, e não pagar mais a taxa de administração. Seria essa uma opção menos pior?

É importante ressaltar que a realização de prejuízos e a consequente aplicação dos recursos em outros ativos é algo positivo, se realizada numa estratégia de investimentos. Assumir prejuízo só porque o investidor ficou apavorado com perdas pode ser uma porta de saída pior do que outras. É essencial definir os objetivos de seus investimentos para poder estipular prazos e objetivos. Assim, determinará o grau de risco que pode correr. Quanto menor o prazo e maior a importância aplicada, menor o grau de risco a ser aceito. E vice-versa. Aplicar em ações significa aceitar maior grau de risco. A sugestão é analisar se o grau de risco não é superior ao aceitável. Considere também seus outros investimentos. Aparentemente, você intuitivamente acha que o risco de seu investimento atual em ações é alto demais. Pense se vale a pena continuar investimento assim. Mas veja que a queda apontada por você já foi amenizada. Em 9 de setembro, a queda da Petrobrás, considerando o preço de abertura de janeiro de 2008, estava em 35,2%; e a perda da Vale, no mesmo período, estava em 32,8%. São perdas substanciais de qualquer forma. Outra análise deve ser feita sobre a sugestão do banco. Você, com razão, está sentindo fortemente o golpe do prejuízo. Mas o seu dinheiro está num fundo e, logo, com administração profissional. O que mudaria no resultado se você aplicasse diretamente em ações? O prejuízo apontado por você foi de 50% – você faria algo diferente? Outra pergunta é: você tem conhecimento e tempo para criar e administrar a uma carteira? A taxa de administração é o preço pago no caso de resposta ser negativa.

Tenho um pequeno capital na poupança. A minha pergunta é: para o pequeno investidor é melhor continuar na poupança ou existe algum investimento para quem quer variar um pouco iniciando o investimento com R$ 1 mil?

Há outras opções para o pequeno investidor. Mas o primeiro passo é definir qual o objetivo do investimento. A caderneta de poupança é muito boa para quem precisa de liquidez, quando você tem esse valor como uma reserva para emergências. A poupança é segura, com cobertura de risco até R$ 250 mil, não tem custo algum e é isenta de imposto de renda. O rendimento, no entanto, é baixo: 6,17% ao ano mais a variação da taxa referencial. Em 2014, o rendimento nominal da poupança deve ficar nos 7%, o que significa ganho real, descontada a inflação, de uns 0,5% no ano. Uma primeira opção é a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional, série B). É um investimento de longo prazo sem risco de crédito que oferece o rendimento de 3,12% ao ano mais a variação do IPCA, com vencimento em maio de 2015. Chega a ser oferecida por 5,74% ao ano, mais IPCA, para 2050. Outra opção são a NTN-C (série C), oferecida entre 5,11% a 5,71% ao ano, mais a variação do IGP-M, para vencimentos entre 2017 e 2031. Nestes dois exemplos você tem um rendimento efetivo e acima da inflação. Mas há incidência de imposto de renda sobre o ganho com tabela que começa em 22,5% para aplicações até 6 meses e que chega a 15% para investimentos acima de dois anos. Além disso, há pequenos custos da operação, custódia e administração. De qualquer maneira são investimentos seguros e que oferecem ganhos reais maiores que a caderneta de poupança. Há ainda no Tesouro Direto títulos prefixados como as LTNs (Letras do Tesouro Nacional) e as NTN-F que rendem de 10,57% ao ano até 11,55%, com vencimentos entre 2015 e 2025. E há CDBs e Fundos, mas usualmente não são atraentes ao pequeno investidor porque são ofertados com baixo rendimento ou são muito custosos.

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