LFT: rentabilidade menor, porém mais estável que outros títulos do Tesouro

Para acompanhar a Letra Financeira do Tesouro, bem como os outros títulos públicos, consulte o site do Tesouro

fabiogallo

29 de setembro de 2014 | 07h38

Li o editorial do ‘Estado’ e fiquei preocupada com algumas informações sobre o risco fiscal e eventuais perdas que o investidor em LFT  poderia ter. Onde posso acompanhar os títulos? Como calcular a valorização? 

Para acompanhar a Letra Financeira do Tesouro, bem como os outros títulos públicos, consulte o site www.tesouro.gov.br. O risco fiscal existe quando a instabilidade aumenta e, assim, fica mais difícil o governo se financiar por meio da emissão de dívida, que é justamente a venda de títulos públicos. Isso é para o mercado como um todo, não somente no caso do Tesouro Direto. A LFT é um título pós-fixado cuja rentabilidade segue a variação da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Para calcular a rentabilidade do período, basta dividir o preço de venda pelo preço de compra. Assim, mesmo antes do vencimento do título você pode vendê-lo pelo preço que está sendo praticado no mercado secundário. Em outros termos, a remuneração desse título é dada pela variação da taxa Selic diária registrada entre a data de liquidação da compra e a data de vencimento do título, acrescida, se houver, de ágio ou deságio. O valor de mercado da LFT apresenta baixa volatilidade, evitando perdas no caso de venda antecipada, mas, em contrapartida, apresenta rentabilidade relativamente menor que outros títulos públicos. O site do Tesouro Direto apresenta outras informações que permitem você acompanhar a evolução dos títulos sem precisar fazer essa conta. Uma opção é a tabela de rentabilidade que traz a evolução de todos os papéis. Por exemplo: neste ano as LFTs com vencimento para 2017 tiveram rentabilidade bruta de 7,63% e de 10,21% nos últimos 12 meses. Outro indicador que pode ser acompanhado é o IMA-S, que é um índice da carteira de LFTs com rentabilidade acumulada de 10,15% nos últimos 12 meses. Já o IMA-B, que é composto de NTN-Bs, rendeu 14,74% em 12 meses.

Tenho 34 anos, sou casado, tenho uma filha de um ano. Tenho imóvel próprio onde moro, apartamento na praia, terreno em outra praia e invisto em fundos de investimento e ações. Calculo que meu patrimônio pode valer até R$ 3 milhões. Consigo economizar sempre mais do que 50% do que ganho. Porém, acho que posso otimizar os ganhos. O que fazer?

Como seu patrimônio é excelente, principalmente considerando a sua idade, vale a pena você diversificar um pouco mais a sua carteira de investimentos. Para isso você deve refazer o seu planejamento financeiro começando por estabelecer mais efetivamente quais são os seus objetivos. Com base neles você terá estabelecido os valores e prazo necessários para atingi-los. Em geral, a sua carteira de ações está pouco diversificada. Valeria a pena considerar investir em fundo de ações, mesmo sabendo que há custos. Caso queira montar diretamente a carteira de ações, esta deverá ser mais diversificada. Como o seu horizonte nesse caso é de longo prazo, o valor investido em renda variável pode chegar até próximo de 20% da carteira total de investimentos. No caso da renda fixa, também, deve ser repensada porque há alternativas muito interessantes como títulos do Tesouro Direto, as Letras de Crédito Imobiliárias ou do Agronegócio. Outra razão para repensar os fundos é que eles são caros e tem o come-cotas (cobrança antecipada de IR) em maio e novembro.

Se pagar o IR com juros  (com ou sem multa) não significa que a pessoa não usou a prerrogativa dos 180 dias?  E, portanto, fica livre para outra operação igual, ou seja, vender outro imóvel e comprar outro dentro de novos 180 dias (sem esperar os 5 anos)?

Você está certo. A isenção de imposto vale se houver a utilização do valor obtido na venda de um imóvel na compra de outro dentro do prazo de 180 dias. Após a venda de um imóvel, devemos reconhecer o ganho de capital e pagar imposto de renda com alíquota de 15%, observando-se o Fator de Redução que depende de quando o imóvel foi comprado. Esse recolhimento de imposto deve ocorrer até o último dia útil do mês seguinte a venda do imóvel. Se houver a intenção de comprar outro imóvel haverá isenção caso os recursos sejam utilizados até 180 dias da venda e o contribuinte não tenha realizado esse mesmo tipo de operação nos últimos cinco anos. O contribuinte que usar do benefício integral dentro do prazo apresentará esse acerto na declaração de ajuste anual do IR. Caso você não utilize, ou tenha utilizado parte do dinheiro na compra dentro do prazo estabelecido, deve preencher o Programa de Apuração de Ganhos de Capital (GCap) e terá 30 dias além dos 180 dias para recolher o IR devido, sem incidência de multa, mas com juros de 1% ao mês mais a correção da Selic no período. Para todos os efeitos, o contribuinte usou do benefício fiscal e somente poderá usufruir dele novamente dentro de cinco anos. A outra opção é pagar o imposto atrasado com juros e multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% do imposto devido. Assim, poderá usufruir do beneficio fiscal em outra operação semelhante sem ter que esperar por cinco anos. Nesse caso, porém, caso o prazo de 180 dias comece em um ano e termine no seguinte poderá haver necessidade de realização de retificar a declaração de ajustes do ano anterior.

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