Em tempos de incerteza, investidor deve manter carteira diversificada

Em tempos de incerteza, investidor deve manter carteira diversificada

Mariana Congo

27 de outubro de 2014 | 05h00

Quero vender um terreno adquirido em 1989. Neste caso, existe redução de Imposto de Renda (IR)?

Sim. Vamos começar com a regra de 1988 da Receita Federal que determina que, para imóveis adquiridos até 31 de dezembro daquele ano, deverá ser aplicado um fator de redução fixo. A tabela desse fator começa com o ano de 1969 e porcentual de redução de 100%. São reduzidos mais cinco pontos porcentuais a cada ano. Assim, para 1988 atinge-se o desconto de 5%. A partir de dezembro 2005, foram editadas duas medidas provisórias que determinam a aplicação dos fatores FR1 e FR2 – de redução sobre o ganho de capital apurado – nas alienações de imóveis de pessoa física, Na prática, isso nos leva a três possíveis reduções. O FR1 proporciona, para imóveis adquiridos até novembro de 2005, um fator de desconto de O,60% ao mês, pelo número de meses ou fração, decorridos entre janeiro de 1996 (ou data de aquisição do imóvel, se posterior) e o mês de novembro de 2005. O FR2 permite desconto de 0,35% ao mês, pelo número de meses ou fração, decorridos entre dezembro de 2005 (ou o mês da aquisição do imóvel, se posterior) e o de sua alienação. Assim, a partir de 1o de janeiro de 2005, todas as vendas de imóveis devem apurar o fator de redução na sequência. Primeiro, apure a base de cálculo (BC1) que é a simples diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição. Sobre o BC1 aplique o porcentual indicado na tabela até 1988, o que resultará no BC2. Sobre BC2, aplique o FR1, o que resultará no BC3. Sobre BC3, aplique o FR2, que resultará no BC4. O IR a pagar é de 15% sobre este último resultado (BC4). No caso, como o imóvel foi adquirido em 1989, BC1 e BC2 são iguais. De qualquer maneira, o contribuinte deve acessar o site da Receita e baixar o programa de apuração ganho de capital (CGAP) para realizar a simulação com base nos dados efetivos de compra e venda do imóvel.

Em fevereiro de 2013, por sugestão da corretora, apliquei em um fundo imobiliário o valor de R$ 154 mil. Agora, recebi um extrato de R$ 118.650 (perda de R$ 35.650). Estou preocupada. A economia não anda bem. O que fazer?

Em momentos de instabilidade econômica sempre é prudente esperar para buscar-se uma melhor visão do cenário. Mas, primeiramente, isso depende da sua condição de liquidez e do restante de sua carteira. Lembre-se que uma perda econômica pode ser temporária, mas a realização de um prejuízo ocorre em definitivo no seu bolso. A realização de perdas é uma boa prática, mas dentro de uma estratégia definida e nem sempre é útil em momentos de alta volatilidade. A perda acusada por você no valor da cota é de quase 23%, mas nessa conta também deve ser considerado o rendimento mensal proporcionado. As informações de setembro de 2014 sobre o fundo mencionado (nome omitido) mostram que o retorno nos último 12 meses é negativo em 2,2%. Nos últimos 24 meses, atinge 7,8%. Considere que os fundos imobiliários não apresentam o mesmo desempenho dos anos anteriores e têm frustrado o investidor. O cenário do setor já não apresenta o mesmo vigor do passado recente. Caso você tenha interesse em manter parte de sua carteira em fundos imobiliários, busque uma alternativa no mercado. De uma lista de 100 fundos, atualizada para outubro, 78 apresentam rentabilidade média mensal acima de 0,7%. O fundo de maior retorno apresenta 3,19% de rentabilidade média mensal e 38,23% de anual. O investimento em fundos imobiliários tem vários riscos inerentes: a) risco de mercado: mudança de preço em virtude do cenário, em particular do setor de imóveis; b) risco de liquidez: um fundo fechado tem suas cotas negociadas em Bolsa; c) risco de concentração: caso um cotista se torne majoritário, ele pode tomar decisões alheias aos outros. E se este adquirir 25% das cotas, o fundo perde o beneficio tributário; d) riscos inerentes ao imóvel: vacância, sinistros, desapropriação, entre outros.

Jim Rickards, autor de

Jim Rickards, autor de “Morte do dinheiro” (Foto: Divulgação)

Li artigos e entrevistas do Jim Rickards e fiquei preocupada. Como pequena investidora, sinto que são poucas as informações sobre opções seguras. Quais são os caminhos?

A primeira atitude é manter a calma e buscar entender o autor. Jim Rickards tem uma posição muito radical e prenuncia uma nova crise mundial – que, diz ele, deverá ser muito maior que a de 2008 e ocorrer nos próximos dois anos. Ele é autor de best-sellers como a “Guerra das Moedas” e a “Morte do Dinheiro”. Esses livros fazem sucesso pois trazem uma visão apocalíptica e têm uma argumentação forte, mas que deve ser bem analisada. Ele costuma citar exemplos simples, bem estruturados, mas deixa questões importantes de lado e admite que todos são tolos e capazes de investir de maneira muito errada. Segundo ele, para nos protegermos dessa potencial crise, devemos comprar ouro, arte e aplicar em ações de energia, transporte, recursos naturais, água e agricultura. Mas comprar ouro não é para todos, o quilo beira US$ 40 mil. Também é melhor não arriscar pagar caro por uma obra de arte que possa não valer nada. Recomendo investir de forma diversa, sempre. Casando entre renda fixa e renda variável, com prazos diversos.

Pergunte ao Gallo

Envie sua pergunta. Elas serão publicadas às segundas-feiras – seudinheiro.estado@grupoestado.com.br

Tudo o que sabemos sobre:

fundosimóveisImposto de Renda

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.