Comprar imóvel à vista é opção mais interessante do que financiamento

Yolanda Fordelone

17 de novembro de 2014 | 08h25

Durante alguns anos paguei o INSS como facultativo, mas não mencionei estes pagamentos nas declarações de Imposto de Renda e não consegui descobrir como fazer este lançamentos. Como poderia lançar estes pagamentos nas retificações? 

Os lançamentos de pagamentos realizados ao INSS devem ser feitos na coluna “Previdência Oficial”. Caso os rendimentos de trabalhador autônomo tenham sido recebidos de pessoa física a informação deve ser dada na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior”. Se eles foram recebidos de pessoa jurídica, a informação será na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”. No caso de pessoas que tenham feito contribuições facultativas para o INSS, mas não tiveram renda nesse período ou a renda ficou isenta de tributação, a informação fica no campo de “Previdência Oficial”, mas não poderá haver dedução. Este é caso comum de esposa que paga INSS facultativo, mas não tem renda e declara em conjunto com o marido. Todas as declarações de Imposto de Renda podem ser retificadas, observando-se a mesma natureza da declaração original (completa ou simplificada), sendo que o prazo máximo é de cinco anos. Para isso, basta informar o número do recibo de entrega da declaração anterior.

Tenho 60 anos e sou executivo aposentado. Minhas reservas somam R$ 2,8 milhões e estão divididas entre renda fixa (60%), poupança, CDB, LCI e fundos, PGBL (24%) e ações (6%). Também tenho um apartamento quitado no valor de R$ 1 milhão e um terreno quitado no valor de R$ 250 mil, além de dois veículos novos pagos. Hoje sou consultor autônomo e tenho renda mensal de R$ 15 mil. Estou pensando em adquirir um apartamento de R$ 700 mil para a minha filha. Vale a pena adquiri-lo pagando à vista ou financiar parte do valor (25%) para manter a capitalização das aplicações? Meu receio é de que uma aceleração dos juros impacte o valor da prestação mensal do financiamento. Meu “mix” das aplicações é coerente?

A diversificação de seus investimentos está boa, mas sempre vale a pena rever com mais cuidado suas aplicações. Verifique se as taxas de administração dos fundos não estão altas em relação à rentabilidade líquida obtida, particularmente em comparação ao retorno obtido na LCI porque este investimento é isento de Imposto de Renda e tem garantia até R$ 250 mil por instituição financeira (a regra também vale para o CDB). Este detalhe pode ser importante para a diversificação dos investimentos. Caso a aplicação em alguns desses títulos esteja acima desse limite de garantia vale a pena fatiá-los aplicando em mais de um banco. Examine com cuidado também o seu investimento no PGBL quanto aos custos e rentabilidade. Caso não esteja com boa performance use da portabilidade e transfira o dinheiro para uma opção melhor. Pense se vale a pena manter contribuições nesse plano face ao tipo de sua declaração de Imposto de Renda. Provavelmente você não esteja usufruindo do benefício tributário de abatimento de até 12% da receita bruta. A ideia de diversificar com imóvel é interessante em associação à solução de outra situação que é um apartamento para sua filha. No entanto, investir em imóveis pensando em obter valorização é um risco que deve ser mais bem pensado. O risco de mercado de investir em imóveis é alto, bem como o risco de liquidez porque a venda por um preço justo pode ser demorada. Na ponta do lápis, se você tem dinheiro não vale a pena pegar um financiamento. Mesmo que você gaste R$ 700 mil no imóvel você ainda manterá uma ótima poupança que permite sua tranquilidade.

Ouvi um comentário de que é possível fazer inventário diretamente em cartório, não sendo necessário ser feito judicialmente. Não entendi o quer dizer extrajudicialmente, Como isto é possível?

Sim, é possível realizar o inventário no Brasil diretamente no Cartório de Notas desde 2007. Inventário extrajudicial quer dizer que o juiz não precisa homologar aquele processo. Em outros termos, trata-se de inventário que não será feito dentro do judiciário, com a orientação de um juiz. O inventário é um processo de partilha de bens, direitos e dívidas de uma pessoa falecida. Usualmente é um processo demorado e caro porque é preciso contratar um advogado e tem o seu andamento marcado pelo judiciário. Desde promulgação da lei 11.441/07 é possível fazer o inventário por escritura pública diretamente em cartório desde que obedecidos os requisitos legais: a) todos os herdeiros devem ser maiores e capazes; b) deve haver consenso entre os herdeiros quanto à partilha; c) o falecido não pode ter deixado testamento; d) a escritura deve contar com a participação de um advogado, mas caso algum dos herdeiros seja advogado, este poderá atuar nessa função. Essa escritura não depende de homologação judicial, mas, embora seja um processo mais rápido, todos os documentos relativos aos bens e direitos devem ser apresentados para que essa escritura possa ser lavrada. Lembrando que se for o caso deve haver recolhimento do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) em até 180 dias da data de obtido. O preço do inventário é tabelado pelos cartórios do Estado e depende do valor do patrimônio.

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