Investimento em seguro de vida deve ser reavaliado a cada novo ciclo de idade

Yolanda Fordelone

08 Dezembro 2014 | 07h50

De janeiro de 1986 até abril de 2010, contribui para o INSS pelo valor teto. Desde maio de 2010, minha contribuição é sobre R$ 1.800. Tenho 50 anos de idade. Me aproximo da aposentaria. Qual é o melhor caminho: 1) aposentar em 2022 com 58 anos (mínimo permitido) e 36 anos de contribuição; 2) esperar os 65 anos e aposentar em 2029. Valeria a pena retornar a contribuir pelo valor teto?

Se sua intenção for continuar no campo do trabalho, vale a pena esperar um pouco mais para requerer a sua aposentadoria por tempo de serviço. O cálculo para estabelecer o benefício do INSS tem como base o salário de benefício, que é correspondente à média aritmética simples dos 80% maiores salários de contribuição corrigidos monetariamente desde julho de 1994. Se você quiser aumentar essa média, deve retornar suas contribuições pelo teto o mais rapidamente possível. Considerando que o seu caso é de aposentadoria por idade, deve ser aplicado o fator previdenciário sobre o salário de benefício. Com base na tabela em vigor, considerando 58 anos de idade com 36 anos de contribuição, o fator a ser aplicado é 0,81. Isto significa que caso o seu salário de beneficio fosse estabelecido pelo teto, o valor do benefício ficaria em R$3.556,09 (81% de R$4.390,24). Se você continuar a trabalhar haverá o desconto mensal de R$ 482,93 – porque estando regularmente empregado, mesmo aposentado, você continuará a contribuir com o INSS. Por outro lado, caso espere até os 62 anos de idade e atinja 40 anos de contribuição, o fator previdenciário chegará a 1,065 e você terá o beneficio mensal máximo. De qualquer forma, avalie a possibilidade de aplicar o valor líquido da aposentadoria, se continuar a trabalhar, e assim ter uma boa poupança para quando se aposentar em definitivo.

Tenho 65 anos e há 18 pago um seguro de vida. A mensalidade está em torno de R$ 1.600 e o se eu morrer meus filhos receberão R$ 600 mil. O valor mensal pesa no meu orçamento e ficará pior, pois me aposento em nove meses e meu salário cairá. Fora isso, quanto mais idade, mais cara a mensalidade. Pretendo viver uns bons anos ainda. Devo parar de pagar? Reduzo a mensalidade? Invisto? Viajo? Tenho um casal de filhos e me preocupo especialmente com a moça, que não tem grande estabilidade.

A preocupação com os filhos é normal, não importa a idade deles, mas há limites. Precisamos entender que não devemos viver a vida por eles. Neste caso, a mãe está fazendo um grande sacrifício para manter um seguro de vida que só trará benefícios aos filhos. Seria melhor repensar essa postura e pensar um pouco em si mesma: aproveite o que a vida tem de bom enquanto é possível. Use o seu dinheiro de forma consciente, mantendo o seu orçamento no azul, mas não deixe de realizar gastos com viagens e outras atividades. Em casos como esse, sempre lembro-me de uma parábola: uma pessoa que, vendo o esforço do processo de transformação da lagarta em borboleta, resolveu ajudar e rompeu o casulo. Mas, justamente por não ter tido que fazer esforço algum, a borboleta não ficou forte o suficiente para poder voar e acabou morrendo. O processo de transformação pode ser lento, mas é essencial para o voo da borboleta. Como alternativa, você pode investir parte do seu dinheiro em outros produtos financeiros para criar uma poupança para o seu próprio futuro e que, naturalmente, poderão ser herdados pelos seus filhos.

Sei que há pagamento de Imposto de Renda (IR) caso um imóvel seja vendido por um valor maior do que o comprado. E também sei que existem fatores de redução, conforme tentei usar o disposto em lei que diz que a base de cálculo do imposto corresponderá à multiplicação do ganho de capital pelos fatores de redução. Para um imóvel adquirido em janeiro de 2004, consegui um valor de 1,5676. Só que, na prática, não sei para quê serve esse valor. Quanto vou pagar de Imposto de Renda?

Acredito que haja algum equívoco nos cálculos. Do ponto de vista matemático, a correta aplicação da fórmula deve resultar em um número menor do que 1. Simulei os cálculos considerando que o primeiro fator (FR1) tem com base 21 meses (entre janeiro de 2004 e outubro de 2005). O resultado foi o fator 0,881947. O segundo fator (FR2) deve considerar 98 meses (de outubro de 2005 a outubro de 2014); o resultado é 0,710063. Considerando, agora, o efeito desses descontos em todo o período haverá um desconto na Base de Cálculo de 37,3762%. Em outros termos, a diferença nominal de R$ 100 mil entre o preço de compra e o de venda de um imóvel seria reduzida a aproximadamente R$ 62,6 mil após a aplicação dos descontos. Sobre essa base de cálculo é que deve ser considerada a alíquota de 15% de IR sobre ganho de capital. O imposto a pagar seria R$ 9,4 mil nesta minha simulação. Acesse o site da Receita Federal, baixe o Programa de Apuração de Ganho de Capital (GCAP) e faça uma simulação.