Pagar anuidades altas de cartões só vale a pena se benefícios forem utilizados

Bianca Pinto Lima

19 de janeiro de 2015 | 11h22

Há um ano, fiz um financiamento imobiliário pela Caixa Econômica Federal. Paguei R$ 140 mil em dinheiro e financiei R$ 51 mil. Agora, consegui juntar R$ 50 mil e gostaria de quitar o imóvel. Como proceder? Será mais vantajoso quitar o imóvel ou deixar na poupança? O financiamento foi feito em 360 meses e não quero ficar com uma dívida tão longa.

Caso tenha alguma outra reserva financeira para emergências, o adequado seria quitar o imóvel e ficar livre da dívida. Do ponto de vista apenas racional, como você tem recursos, não há por que manter o financiamento e continuar pagando juros. Mesmo no caso do financiamento imobiliário, em que as taxas de juros são mais baixas que outras linhas de crédito para a pessoa física, são taxas altas para um financiamento de longo prazo. Ficar com uma dívida ao longo de 29 anos, pois já foi passado o primeiro ano, significa pagar três vezes o valor tomado emprestado. Sem falar que você não pode ter a escritura definitiva do imóvel. A dica é: reveja o seu orçamento familiar e os seus investimentos para ter certeza de sua capacidade de quitação do financiamento com a manutenção de conforto em relação aos outros gastos. Caso você já tenha outras reservas e/ou não tenha compromissos que ficarão difíceis de arcar em caso de emergência, use essa poupança de R$ 50 mil para o imóvel ser totalmente seu. O procedimento para a quitação é simples: procure pela instituição financiadora, peça o valor exato de quitação e pague a dívida. Automaticamente, o documento de quitação será emitido.
Possuo vários cartões de bandeiras diferentes. Alguns cobram anuidade e outros não, nem mensalidade, mas obrigam a saldar o débito na loja, e outros cobram taxa de boleto. Como se defender disso? Até qual momento é interessante pagar a anuidade?

A melhor defesa é optar por um ou dois cartões que mais bem atendam as suas necessidades em relação a gastos e organização de suas contas. Pagar anuidade somente é interessante se você estiver ganhando algo com isso. As taxas significam que você está pagando por algum serviço e caso não atenda aos seus interesses não há por que continuar gastando dinheiro com isso. A anuidade é mais cara conforme mais benefícios são oferecidos pelo cartão. Usualmente esse pagamento está ligado a acúmulo de milhagem, uso de salas especiais em aeroportos, atendimento exclusivo, serviços ligados a turismo ou mesmo a doações para associações beneficentes. O problema é que muitas pessoas pagam valores altos e não usam desses benefícios, sequer conhecem os seus direitos. Mas, mesmo que você esteja utilizando os benefícios a que tem direito, vale a pena verificar se há vantagem financeira na operação. Será que há vantagem efetiva na acumulação de milhagens? Ou seria mais barato comprar diretamente aquilo que você deseja? Faça a sua conta na ponta do lápis. Pode ser que você leve um susto. Juntar dinheiro e depois adquirir o que você deseja sempre é uma boa alternativa. De qualquer maneira, a manutenção de um cartão de crédito deve ser avaliada à luz de todos os benefícios e possibilidades de utilização que ele traga a sua vida financeira. Não aceite cartões para agradar a algum gerente de conta. O mercado oferece muitas boas alternativas e que atendem aos mais variados interesses.
Tenho um imóvel e falta quitar R$ 140 mil. Estou cansada, o sobrado tem dois lances de escadas e tenho dois cachorros. Quero o conforto de chegar em casa sem ter que abrir portão, prender os cachorros, ninguém me incomodando na porta, o caminhão de pamonha, o homem do queijo, do vendedor de churros… Ah! E o caminhão do gás! Porém, não posso me mudar para um apartamento com dois cachorros e tirar o sossego dos vizinhos. Além de ser o assunto das reuniões de condomínio… Imóveis no Butantã estão pela hora da morte. E o valor dos condomínios entre R$ 800 e R$ 1.500. Não tenho caixa para comprar outro imóvel. Aguardo uma indenização que sei lá quando sairá. Talvez meus herdeiros recebam. E tem outra: o Haddad alterou o porcentual do ITBI de 2% para 3% que passa a vigorar em Março/15. E aí, nesta fase econômica, o que fazer? Os preços dos imóveis poderão diminuir?

Você precisa refletir o que a deixará mais tranquila e atenderá mais o seu modo de vida. Sobrado ou apartamento, qualquer alternativa tem prós e contras. Você narrou bem. Morar em casa não tem reunião de condomínio, vizinho que faça coisas que não a agradam, isso tudo é muito chato. Mas tem as comodidades de uma portaria, mais segurança, e os cuidados com o edifício são por conta da equipe de funcionários. Morar em casa requer abrir portão, preocupação maior com a segurança etc. Mas não há taxas de condomínio e outros aborrecimentos. Os preços dos imóveis tendem a permanecer estáveis, o que significa uma redução real. A inflação come parte do valor. Por outro lado, negociar imóvel com dívida é sempre mais difícil. Uma solução alternativa pode ser você alugar o seu imóvel e, ao mesmo tempo, alugar um apartamento para você morar. Viva a experiência para poder estar mais firme na sua decisão de morar em casa ou apartamento. Isso, obviamente, se você conseguir dar uma solução para seus cachorros – porque morar em apartamento com dois cachorros sempre fica mais complicado. De qualquer maneira, caso você não esteja bem consigo mesma, não será o apartamento ou a casa que a deixará com bem-estar.

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