No curto prazo, CDBs e LCIs garantem poder de compra

Yolanda Fordelone

16 Fevereiro 2015 | 08h23

Tenho R$ 90 mil na caderneta de poupança porque estava uma partilha na qual terei de pagar certa quantia. Conversando com o advogado, vi que este pagamento não ocorrerá antes de maio. Como já perdi dinheiro até agora aguardando o fim desta situação, gostaria de saber onde posso aplicar o valor durante estes próximos quatro meses? 

Esse valor pode ser aplicado em um CDB, Letras de Credito Imobiliário (LCI) ou em fundo de renda Fixa de curto prazo. No caso do CDB, não há taxa de administração, mas há incidência de Imposto de Renda que, no caso de resgate em quatro meses, tem alíquota de 22,5% sobre ganho de capital. Busque um banco que ofereça a maior taxa porque esse tipo de renda fixa tem garantia até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – ou seja, toda a quantia de R$ 90 mil estará protegida caso o banco quebre. Atente que esse limite é por CPF e instituição bancária. Assim, se aplicar R$ 400 mil em um CDB e uma LCI de uma mesma instituição, o investidor irá receber somente até o limite de R$ 250 mil. Aplicações de LCI tem a vantagem de não ter IR, mas têm a mesma garantia do FGC. Os prazos mínimos de aplicação encontrados no mercado são acima de 60 dias. Lembre-se de comparar a rentabilidade líquida entre o CDB e a LCI e não tome a decisão somente com base nas taxas nominais oferecidas, justamente devido ao aspecto tributário distinto entre esses títulos. Em aplicações em fundos de curto prazo é importante buscar aquele que tenha a menor taxa de administração. A tributação sob o ganho é a mesma do CDB.

Tenho 62 anos e minha esposa, 60. Atualmente pago R$ 300 por mês a um seguro de vida que adquiri na minha ex-empresa. Já paguei o seguro por aproximadamente 30 anos. Entendo valer a pena continuar pagando, pois, numa conta muito simplista, se eu pagar por mais 20 anos, terei desembolsado R$ 72 mil. O valor segurado gira em torno de R$ 300 mil em caso de morte, tanto minha como de minha esposa. Vale a pena continuar pagando o seguro? Sou aposentado, mas tenho como bancá-lo.

Pagar seguro é uma decisão financeira que envolve o comportamento da pessoa e não somente uma conta. Antes de tudo, é uma decisão sobre o grau de risco que você aceita correr na sua vida. Vamos pensar no seguro saúde. Por que as pessoas aceitam pagá-lo? Porque não querem correr o risco de, no caso de emergência ou de uma doença qualquer, não terem assistência médica. Outras perguntas que devem ser feitas: você reclama quando chega o final de ano e descobre que pagou uma grana alta para a seguradora e não usou uma vez sequer o plano de saúde? Você comemora no final do ano porque usou o plano de saúde, assim dando um gasto para seguradora? Provavelmente a resposta às duas questões seja “não”. Respostas positivas são incoerentes porque se você não usou o plano não ficou doente; se o utilizou não deveria comemorar, pois você teve algum problema de saúde. No seguro de vida essas dimensões são mais enfáticas ainda porque se utilizou o seguro houve uma morte ou invalidez. Um seguro de vida deve ser pensado principalmente em relação à proteção desejada. Por exemplo, se você está preocupado em não deixar a sua esposa e/ou filhos desamparados. Do ponto de vista financeiro, deve ser ponderado se o gasto atende a tranquilidade oferecida pelo seguro. Em outros termos, se a cobertura de risco atende as suas necessidades. O cálculo do gasto deve considerar o valor do dinheiro no tempo e o peso deste no conjunto de seu orçamento familiar e de seus outros investimentos. A aplicação de R$ 300 mensais por 20 anos representa um valor acumulado no final do período de mais de R$ 185 mil, sem consideração dos efeitos da inflação e com taxa de 0,7% ao mês. Mesmo realizando esse cálculo com base em ganho de 3% reais ao ano, o valor acumulado seria de mais de R$ 98 mil. Lembre-se que sobre a indenização de seguros não há tributação. Com base nessas questões levantadas e no cálculo realizado, você poderá responder se quer manter o seguro ou é preferível investir o valor mensal.

Pessoa Jurídica que tem contrato com uma empresa e é considerado empregado pode processá-la para requerer direitos trabalhistas?

Essa resposta depende de como o contrato foi celebrado e como está sendo executado. A questão deve analisada por um advogado trabalhista. Uma reposta simples é que não há direito trabalhista a ser discutido se as empresas mantêm um contrato justo e dentro das cláusulas estipuladas. No entanto, muitas questões jurídicas surgiram depois que as empresas começaram a “terceirizar” departamentos ou atividades, realizando essa operação com a demissão dos funcionários e os convencendo a abrir uma PJ. Estas empresas mantêm, porém, os ex-funcionários – agora “terceiros” – no mesmo local de trabalho, cumprindo as mesmas funções, no mesmo horário de trabalho e com a mesma chefia. Na prática não houve terceirização e a Justiça tem dado ganho de causa trabalhista para esses trabalhadores. De qualquer maneira, é essencial contratar um especialista na área jurídica para analisar a questão.