Imposto de Renda 2015:  contribuinte pode doar ao Fumcad até 30 de abril

Imposto de Renda 2015: contribuinte pode doar ao Fumcad até 30 de abril

fabiogallo

27 Abril 2015 | 07h01

Ainda é possível fazer doações a instituições de caridade com base no Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad)?

Sim. É fácil e faz parte da legislação do Imposto de Renda (IR). As pessoas físicas e as pessoas jurídicas que tenham Imposto de Renda a pagar podem doar aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad). O valor doado será abatido do imposto devido. O Fumcad tem o objetivo de financiar projetos que garantam os direitos da criança e do adolescente. As pessoas físicas têm o limite de abatimento de até 6% do Imposto de Renda devido. Quem não doou valor algum até 31 de dezembro de 2014 pode realizar a doação até o dia 30 de abril próximo, mas com o limite de 3% do Imposto de Renda devido apurado no modelo completo. Atenção: quem doou em dezembro e agora está finalizando a sua declaração pode verificar se já utilizou o valor total ou se ainda pode completar até o limite de 6%. Aqueles que têm imposto a pagar terão redução do valor. Mesmo quem tem restituição a receber pode doar e não perde nada, pois receberá o valor de restituição com correção pela Selic. Para doar, acesse o site do Fumcad da sua cidade. Na cidade de São Paulo, o site é bem amigável. Basta ir em “Clicar e Doar” (fumcad.prefeitura.sp.gov.br) e seguir as instruções. Lembre-se que devem ser enviadas cópias do comprovante da doação ao Fumcad e à instituição para a qual você deseja direcionar o valor.

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Tenho 51 anos e uma família com dois filhos. Um deles é financeiramente independente e outro não, mas ambos moram comigo e minha esposa. Possuo alguns imóveis comerciais para locação, de onde recebo metade da minha renda mensal. A origem da outra metade da minha renda é uma propriedade rural. Tenho R$ 450 mil aplicados em previdência privada do tipo VGBL e R$ 150 mil em poupança. Diante da atual conjuntura econômica, devo manter estas aplicações?

No atual momento da economia e, particularmente, do mercado imobiliário, mantenha o perfil de seus investimentos. Explicando melhor: sua renda, aparentemente, está sendo suficiente para o nível de gastos da família, parte de seus investimentos tem liquidez e o momento não é propício para venda de imóveis. De imediato, considere se você não está mantendo um valor mais alto que o necessário na caderneta de poupança. Este tipo de investimento é para fazer frente às necessidades imediatas do dia a dia, pois tem alta liquidez, mas baixo rendimento. Considere a possibilidade de aplicar parte dos recursos que estão na poupança em fundos de renda fixa para obter maior rentabilidade. Por outro lado, se a situação do mercado imobiliário ficasse mais favorável, você poderia transformar uma parte de seus imóveis em aplicações mais líquidas, mesmo porque o valor dos alugueis não está sendo mantido e, dependendo da sua carteira de imóveis, seria mais indicado não depender somente dessa fonte de renda. Mas, este momento de mercado está mais para o comprador e não para o vendedor. Vale a pena verificar a possibilidade de um planejamento tributário em relação aos imóveis, verifique se seria vantajoso abrir uma empresa para gerir seu patrimônio imobiliário.

Sou consultor e tenho receita bruta de R$ 14.500. Pretendo parar de trabalhar em 2016, aos 67 anos. Minha renda de aposentadoria somada à de minha mulher e aos rendimentos de aluguel é de R$ 11.850. Meus gastos mensais estão em torno de R$ 17.000. Tenho aplicações de R$ 1.510.000 que rendem cerca de R$10.400 por mês. Ao me aposentar, a diferença entre gastos e rendimentos, em tempo presente, será R$ 5.150. Em face disto, a partir de fevereiro de 2016, serei obrigado a retirar parte dos rendimentos das aplicações para cobrir tal diferença. Durante quantos anos as aplicações suportarão tais retiradas?

Caso você obtenha em seus investimentos a rentabilidade de 0,5% ao mês acima da inflação, a retirada mensal poderá ser até de R$ 7.500, em valores de hoje, que o seu dinheiro não vai acabar. Numa simulação simples, considerando a inflação média de 6,5% ao ano e com ganhos reais de 6,17% ao ano, a retirada de R$ 5.100 por mês não afetará o valor principal aplicado, ao contrário, o seu dinheiro irá crescer. Logicamente, esses cálculos devem ser considerados à luz das premissas adotadas, devemos considerar que os juros reais podem cair muito e os nossos gastos podem subir conforme ficamos mais velhos. Além disso, a inflação da terceira idade tende a ser maior que a inflação média. Os gastos de R$ 17.000 tendem a aumentar em relação a médicos e remédios, mas outros itens de despesa devem a ser reduzidos. De qualquer forma, os valores de renda mensal e as aplicações financeiras deixam este casal em ótimas condições para a sua aposentadoria. A dica é preparar melhor o orçamento familiar para a época de saída do mercado de trabalho. Faça uma lista de como vocês querem viver quando aposentados considerando o tipo de moradia, despesas de casa, condomínio, transporte, alimentação, planos de saúde, remédios, viagens e até presentes para filhos e netos. Com isso em mãos vocês terão condições de calcular quanto será efetivamente o gasto mensal e poderão avaliar mais firmemente qual a renda mensal necessária para arcar com as despesas. O importante é entender que, na aposentadoria, nos sentiremos mais felizes e com melhor nível de bem estar quanto mais estivermos vivendo dentro do que planejamos ao longos dos anos dedicados ao trabalho.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

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