Fundo Imobiliário é boa opção de renda mensal para a aposentadoria

Fundo Imobiliário é boa opção de renda mensal para a aposentadoria

fabiogallo

04 Maio 2015 | 07h00

Fundo Imobiliário distribui renda mensal com aluguéis e há casos de Imposto de Renda isento (Foto: Daniel Teixeira/Estadão - 3/12/2010)

Fundo Imobiliário distribui renda mensal com aluguéis e há casos de Imposto de Renda isento (Foto: Daniel Teixeira/Estadão – 3/12/2010)

É vantajoso aplicar em um fundo de investimento com taxa de administração de 2,5% ao ano, taxa de performance semestral de 10% e come-cotas (Imposto de Renda semestral) ou é melhor ficar no Tesouro Direto? 

O custo desse fundo está muito alto. Caso você possa deixar recursos aplicados no longo prazo, dê preferência para os títulos do Tesouro Direto. Presumo que o fundo mencionado seja do tipo multimercado, pois tem taxa de performance e come-cotas. Não é permitida a cobrança de taxa de performance em fundos de curto prazo, referenciado e renda fixa – a exceção é quando esses fundos são destinados a investidores qualificados ou, somente no caso dos fundos renda fixa, se tiverem o compromisso de obter o tratamento fiscal destinado a fundos de longo prazo. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a média das taxas de administração em março para fundos multimercado foi de 1,09%. Para comparar, a média das taxas de administração para fundos de renda fixa foi de 0,68%, dos referenciados foi 0,69% e fundos de ações foi 1,82%. A taxa ofertada, no seu caso, é alta até mesmo para quem aplica no varejo. Caso esse fundo fosse de renda fixa, a oferta seria pior ainda porque, com taxa de administração de 2,5%, a rentabilidade líquida ficaria próxima da obtida na poupança, mesmo com a subida da Selic (taxa básica de juros). Por outro lado, o Tesouro Direto tem bom desempenho e custos menores. Tais títulos valem a pena, principalmente, para quem mantém o investimento até o vencimento. Sair do investimento no meio do caminho pode significar perdas. Se você comprar o título com a taxa de hoje e o juro básico da economia (taxa Selic) subir e depois você resolver vender o título no meio do caminho, pode perder dinheiro. O contrário é verdadeiro.

Observo a preocupação das pessoas com mais de 55 anos sobre boas opções de aplicações com rendimentos mensais que complementem a renda. Os Fundos de Investimento Imobiliário seriam uma boa indicação para quem tem esse perfil? Hoje temos grandes bancos administrando esses fundos e o valor das cotas está muito abaixo do valor de face, em virtude do mercado de ações em geral. Observo também que, no momento, o valor da cota significa um rendimento mensal médio em torno de 0,8%. 

Todas as pessoas preocupadas com o futuro devem poupar e investir recursos para ter uma vida financeira mais tranquila e usufruir da aposentadoria. A forma de realizar esse investimento depende de planejamento, comportamento em relação a risco e conhecimento sobre produtos financeiros. Sem dúvida uma das boas opções é investir em fundos imobiliários, que são fundos que aplicam dinheiro em empreendimentos imobiliários, tais como edifícios comerciais, shopping centers, hospitais. O retorno do capital investido ocorre de duas maneiras: a primeira por meio da distribuição de resultados do fundo (por exemplo, os alugueis recebidos em um shopping center); a segunda é o potencial ganho de capital com a valorização do empreendimento. Vale lembrar que esses fundos são fechados, ou seja, para se desfazer do investimento as cotas são negociadas no mercado secundário. No Brasil, como na maioria dos países que têm esse tipo de investimento, esses fundos têm incentivos tributários.

São vantagens dos Fundos Imobiliários:

1) permite investimento no mercado imobiliário sem a compra efetiva de um imóvel, o que evita gastos com cartório, corretagem ou Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI)
2) remuneração mensal
3) diversificação de investimentos
4) ganhos de escala
5) possibilidade de fracionar o investimento
6) maior liquidez que o investimento direto em imóveis
7) administração profissional
8) possibilidade de negociação via home broker
9) o investidor ainda pode ganhar com a valorização das cotas do fundo, que são negociadas na Bolsa ou no mercado de balcão organizado
10) rentabilidade mensal isenta de Imposto de Renda, caso a pessoa física possua menos de 10% das cotas e o fundo tenha mais de 50 investidores
11) 95% do resultado líquido auferido pelo fundo deve ser distribuído ao cotista.

Na prática, como funciona o recebimento de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em caso de liquidação de uma instituição financeira? A ideia que é vendida é de que os correntistas ou investidores receberão o valor devido imediatamente, mas me parece que não é bem assim. Outra dúvida: qual é o valor considerado como crédito para ressarcimento no caso de investimentos, o valor atualizado ou o valor original?

O FGC oferece garantia por investidor (cada CPF) e por instituição os investimentos de até R$ 250 mil. Não deve ser esperada a liquidação de outros ativos da instituição que entrou em colapso. O valor a ser recuperado é o saldo que o cliente tem direito no momento da liquidação. Como há um procedimento sobre quais créditos e valores devem ser ressarcidos e seus reais detentores, os prazos para o recebimento do crédito variam. Alguns casos são mais demorados que outros. O relatório sobre o intervalo de tempo entre a data de liquidação e o efetivo pagamento, publicado no site do FGC, mostra que, das 31 instituições liquidadas desde 1996, o maior prazo foi o do Banco de Financiamento Internacional (BFI), em 1996. A devolução demorou 3 anos e 8 meses, mas que isso foi devido à pendência extrajudicial. De maneira geral, os pagamentos são realizados entre um a três meses. Nos casos mais recentes, que são de 2012 e 2013, os ressarcimentos ocorreram entre dois e quatro meses. Os créditos garantidos são depósitos à vista, depósitos de poupança, depósitos à prazo (CDB), depósitos destinados a salários, aposentadorias e similares, Letras de Câmbio (LC), Letras Imobiliárias (LI), Letras Hipotecárias (LH), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e operações compromissadas. Esses créditos são garantidos nas instituições financeiras associadas ao FGC que podem ser bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, a Caixa Econômica Federal, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, companhias hipotecárias e associações de poupança e empréstimo em funcionamento no Brasil. As corretoras não estão entre essas instituições mesmo porque essas instituições exercem outras atividades e não emitem títulos ou mantêm depósitos. A relação completa das instituições associadas pode ser encontrada no www.fgc.org.br, menu “associadas”.