Fundos de renda fixa são alternativa para investidor não perder da inflação

Fundos de renda fixa são alternativa para investidor não perder da inflação

fabiogallo

03 de agosto de 2015 | 08h33


Fundos DI são uma boa opção para investir por três anos ou é mais seguro deixar o dinheiro na poupança? 

A melhor opção de fundo de investimento para o prazo de três anos é o de renda fixa duração média, já utilizando a nomenclatura da nova classificação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Tais fundos investem em ativos de renda fixa com prazo médio de carteira igual ou inferior ao Índice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M), composto por títulos do Tesouro Nacional prefixados, ou seja, por Tesouro Prefixado (LTN) e o Tesouro Prefixado com juros semestrais (NTN-F). Para entender melhor, a classificação dos fundos foi alterada recentemente e o chamado de Referenciado DI já não existe mais com este mesmo nome. Pela classificação antiga, os fundos DI tinham 95% de sua carteira em títulos ou operações que buscavam acompanhar a variação do CDI ou da taxa Selic no curto prazo. Atualmente, os fundos de renda fixa têm uma classificação mais detalhada e são organizados em três níveis . Nos últimos meses, a caderneta de poupança tem perdido a atratividade porque o retorno é inferior à inflação do ano. No acumulado em 12 meses, a poupança renda 7,25% contra uma inflação de 9%. Já os títulos do Tesouro, que em linhas gerais acompanham a Selic (hoje em 14,25% ao ano), rendem em torno de 13% ao ano.

classificacaoAnbima

Há muitos anos adquiri, em meu nome e no de minhas filhas, ações escriturais do Bradesco e da Petrobrás. Hoje, aos 80 anos, quero repassar essas ações a elas, o que poderia ser feito por vendas parceladas em Bolsa de até R$ 20 mil mensais, para não pagar Imposto de Renda, e posterior recompra por elas. Fiquei sabendo da possibilidade de transferência direta, sem venda em Bolsa. Como não envolve dinheiro, terei de pagar Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) pela doação? Há limite de isenção? Qual seria a taxa em Brasília, onde elas moram?

As ações podem ser doadas diretamente a suas filhas, mas tal operação, embora não tenha incidência de Imposto de Renda, é passível de tributação estadual. Deve ser pago o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), como consta na lei: esse “imposto incide sobre a transmissão de qualquer bem ou direito havido” por sucessão ou por doação. Também é especificado na lei que esse imposto incide sobre “qualquer título ou direito representativo do patrimônio ou capital de sociedade e companhia, tais como ação, quota, quinhão, participação civil ou comercial, nacional ou estrangeira, bem como, direito societário, debênture, dividendo e crédito de qualquer natureza”. No caso particular do Distrito Federal, há isenção na transmissão de imóveis com o valor limite, em 2014, de R$ 90.755,41. Em consulta diretamente à Secretaria da Fazenda do Distrito Federal obtive a informação que não há isenção em outros casos. O donatário (quem recebe a doação) é o responsável pelo recolhimento do tributo. Como as suas filhas moram em Brasília, elas deverão arcar com o ITCD (como é chamado o imposto no Distrito Federal), pagando uma alíquota de 4% do valor das ações que receberem. As guias de recolhimento e outras informações podem ser obtidas pelo site da Secretaria da Fazenda (www.fazenda.df.gov.br).

Gostaria de saber sobre um investimento em Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Tenho um valor aplicado no banco Pan, uma quantia acima do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com essa turbulência no mercado financeiro, corro algum risco? A Caixa Econômica Federal é sócia do banco.

O risco de uma LCA está ligado ao banco. É o chamado risco de crédito. Embora as LCAs sejam títulos vinculados a direitos creditórios originários de negócios realizados entre produtores rurais (ou cooperativas) e terceiros, inclusive financiamentos ou empréstimo, tais papeis podem trazer dor de cabeça ao investidor se o banco entrar em liquidação. Vale lembrar que tais letras são títulos registrados na Cetip e têm a garantia do emissor, ou seja, da instituição financeira, além do FGC, até o limite de R$ 250 mil por CPF. O prazo de aplicação do papel não poderá ter vencimento superior à data dos créditos imobiliários que servem de lastro. No caso particular do Banco Pan a que o investidor se refere, o controle acionário pertence a duas instituições fortíssimas: a Caixa Econômica Federal (49%) e o BTG Pactual (51%). O risco é baixo, mesmo em momentos de turbulência como estamos vivendo. Nenhuma instituição financeira está isenta de quebra, como assistimos em 2008, mas para bancos como este falirem o mercado tem que estar em estado muito pior do que se encontra hoje. Caso você esteja incomodado, faça como todo bom investidor: diversifique. Resgate parte do recursos e os aplique em títulos semelhantes em outros bancos, dentro do limite de garantia do FGC.

 

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