Para aplicar em fundos, investidor deve ficar atento às taxas cobradas

Para aplicar em fundos, investidor deve ficar atento às taxas cobradas

fabiogallo

12 Outubro 2015 | 03h00

(Foto: Rafael Neddermeyer Fotos Públicas)

(Foto: Rafael Neddermeyer Fotos Públicas)

Eu li uma notícia sobre o anúncio da nova classificação dos fundos de investimento. Por favor, escreva sua opinião sobre essas mudanças e também outras informações que julgar cabíveis sobre o assunto.

A nova classificação dos fundos de investimento está bem feita e resulta de diversos estudos e trabalhos de representantes do mercado financeiro e técnicos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) para adequar a indústria de fundos à nova realidade do próprio mercado. A ideia é atender melhor aos interesses do investidor, agentes de mercado e instituições financeiras. Busca ser mais eficiente na orientação e educação dos investidores. Essa nova classificação divide os fundos em três níveis. O primeiro é referente às classes de ativos (renda fixa, ações, multimercados e cambiais); o segundo ao tipo de gestão e aos riscos associados e o terceiro nível traz a estratégia do fundo, como pode ser visto no quadro ao lado. A classificação de renda fixa, por exemplo, reflete o processo de decisão de investimentos nessa classe de ativo, podendo inicialmente o investidor tomar a decisão pela gestão ativa ou indexada (passiva). Depois ele opta pela duração do investimento e em seguida faz a opção pela estratégia de gestão do fundo. Todos os detalhes dessa nova classificação podem ser encontrados no site da Anbima. Mesmo entendendo o esforço das entidades de mercado em deixar a classificação dos fundos mais dinâmica e de mais fácil entendimento do público, ela ainda é recheada de nomenclaturas e detalhes técnicos que o leigo tem dificuldade de entender. A dica é que o investidor, na hora de decidir, peça todas as explicações para que não fique com nenhuma dúvida. Em essência, devemos sempre buscar investir de maneira casada com os nossos objetivos. Isso quer dizer que devemos buscar casar os prazos, inclusive por questões tributárias, aceitar o grau de risco que não nos deixe desconfortáveis e buscar fundos com os menores custos (taxas de administração e de performance).

Nova classificação de fundos

  • Renda fixa
    A classe de ativos renda fixa abarca fundos que aplicam em títulos que remuneram em juros ou índices de preços. Sobre os tipos de gestão, risco e estratégia de investimento, podem ser simples, passivo (índices), ativos de baixa, média, alta ou duração livre – que podem aplicar em títulos soberanos, de grau de investimento ou de crédito livre. A duração está relacionada ao nível de risco corrido pelo investidor: quanto maior, mais arriscado. E há os fundos de renda fixa de investimento no exterior, que podem ser nomeados de dívida externa ou investimento no exterior.
  • Ações
    São fundos classificados em quatro categorias: indexado (índices), ativo, específicos e de investimento no exterior. A categoria ativo é subdividida em valor/crescimento, dividendos, sustentabilidade/governança, small caps, índice ativo, setoriais e livre. Já os fundos específicos são subdivididos em FMP-FGTS, fechados de ações e mono ações.
  • Multimercados
    Classe com as seguintes categorias: alocação (balanceados ou dinâmicos), estratégia (subdividida em macro, trading, long and short neutro, long and short direcional, juros e moedas, livre, capital protegido, estratégia específica) e de investimento no exterior.
  • Cambiais
    Fundos que aplicam ao menos 80% dos ativos em moedas estrangeiras.

 

Minha dúvida é terrível e peço ajuda: tenho uma quantia aplicada em previdência privada (VGBL). Não estou gostando da rentabilidade e, por isso, gostaria de mudar. Só que, se eu sacar o dinheiro, pago 10% de Imposto de Renda. Existe alguma maneira de transferir esse montante para outra aplicação, como renda fixa, CDB ou Tesouro Direto, sem o pagamento do Imposto de Renda?

A única transferência possível sem pagar impostos é usando da portabilidade entre planos de mesma natureza. Em outros termos, você pode transferir de um VGBL para outro VGBL sem ter de arcar com os tributos que incidem no saque do saldo existente em sua conta. Vale a pena pesquisar no mercado planos similares em termos de risco, buscando aqueles que estejam rendendo mais do que o seu plano para que você compare e, caso seja interessante, realize a transferência. Em qualquer outra alternativa de transferência de seu investimento deverá haver o saque do saldo para ser reinvestido e, nesse caso, haverá incidência de tributos. Um detalhe importante: a alíquota tributária deve ser superior a 10% porque a tabela regressiva, que vai de 35% a 10%, passou a existir a partir de 2005. Assim, somente as contribuições que completaram 10 anos em 2015 têm a incidência da alíquota de 10%. O restante ainda está com alíquotas superiores. É muito importante acompanhar o desempenho do seu plano de previdência e saber os detalhes de seu contrato. Caso haja dúvidas, busque pelo seu gerente de atendimento e peça todos esclarecimentos e boletins de acompanhamento.

Minha empregada doméstica, que trabalha comigo desde julho de 2011, se aposentou por idade (aos 60 anos) em maio de 2015. Por decisão dela, ela quer continuar trabalhando para mim. Sei que ela tem direito a todos os benefícios da categoria, inclusive os que estão para serem aprovados. Pergunto: preciso continuar pagando o INSS todo mês? Penso que, a princípio, esta contribuição não teria mais retorno algum a ela, certo?

Sim, o aposentado que continuar empregado deve continuar suas contribuições ao INSS. Você está certo em relação ao fato de que as novas contribuições não trarão novos benefícios. Mas o Congresso Nacional acaba de aprovar a lei que irá permitir a “desaposentação ou desaposentadoria”. Em outros termos, foi aprovado que o aposentado que continuar suas contribuições após cinco anos poderá solicitar a revisão do benefício recebido. No entanto, esse item da lei está dependendo de aprovação da Presidência da República e, segundo o publicado, deverá ser objeto de veto. Vamos ter de aguardar o desenrolar dos fatos. Por outro lado, é importante que todos os trabalhadores entendam que o aposentado que continua no campo de trabalho perde outros direitos que o trabalhador da ativa possui, pois, segundo o INSS, essa pessoa já está recebendo o beneficio a que tem direito na aposentadoria. A trabalhadora, uma vez aposentada, perde direito, por exemplo, a receber auxílio-doença. Assim, no caso de um acidente do trabalho, ela não terá direito a receber nada além do benefício mensal já recebido – caso supere 15 dias de afastamento. Mesmo a estabilidade de emprego que o trabalhador acidentado tem direito passa a ser discutível. Do ponto de vista do INSS não há direito, mas do ponto de vista de direito do trabalho pode ser discutido. Particularmente, eu não acho justo esse tipo de situação. Afinal, o trabalhador contribuiu ao longo de décadas para ter direito à aposentadoria mas, caso continue no mercado de trabalho, volta a contribuir, mas perde os direitos relativos a essas “novas” contribuições e ainda fica sem os outros benefícios.

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