Tesouro Direto representa só 1% da dívida do governo e risco de calote é baixo

Investidor deve se preocupar, no entanto, com o risco de mercado, que é a alteração de preços dos papéis em virtude da volatilidade dos juros

fabiogallo

29 Fevereiro 2016 | 09h53

Gostaria de saber se realmente é seguro investir no Tesouro Direto. É possível que haja um calote desses títulos no médio prazo? Morei fora e, por isso, tenho dinheiro aplicado no exterior. É melhor deixá-lo lá fora, mesmo que rendendo bem menos?

Acredito que seja seguro investir no Tesouro Direto, mesmo com a situação fiscal atual e o rebaixamento da avaliação de risco do País pelas três principais agências de rating. É importante, também, diferenciar dívida interna da externa. A dívida pública federal total (DPF) está em R$ 2,75 trilhões, sendo que a dívida pública mobiliária federal interna está em R$ 2,61 trilhões (95% da DPF). A dívida externa está em R$ 143 bilhões, algo em torno de 5% do total da dívida brasileira, em dólares e outras moedas. Por outro lado, o Tesouro Direto tem o estoque de R$ 26,8 bilhões, portanto, menos de 1% da DPF. Somente pela observação desses números é possível admitir que o maior volume de dívida está em reais e, em particular, que o volume de recursos tomados pelo governo por meio do Tesouro Direto não é um problema. Quem já viveu os tempos do Collor não pode deixar de ficar com receio de que os nossos governantes são capazes. Mas hoje a situação é diferente. A Emenda Constitucional 32/2001 proíbe a edição de qualquer medida provisória “que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança ou outro qualquer ativo financeiro”. Esta medida nos dá segurança jurídica de que um novo calote não deverá ocorrer. Devemos admitir que um calote público traz uma série de consequências nefastas e que o governo, mesmo aquele mais inconsequente, deverá optar por outras medidas. O risco de calote é muito baixo, mas mesmo assim devemos nos preocupar com risco de mercado, que é a alteração de preços dos papéis em virtude de volatilidade de juros. Quanto a deixar o dinheiro no exterior, é uma decisão pessoal e que depende do grau de aversão ao risco.

Anos atrás, adquiri da Nossa Caixa um consórcio de carta de crédito imobiliário. Esse banco foi adquirido pelo Banco do Brasil, que não incorporou esse negócio, deixando os cotistas relacionarem-se diretamente com o operador do consórcio, o Grupo Rodobens. Fui contemplado com a carta de crédito. Depois da informação de sua coluna, fui ao BB, onde solicitei o inicio do processo de uso do FGTS. O BB informou que a instituição não tinha nenhuma ligação com o consórcio. Fui então à Caixa, gestora do FGTS, que me informou que nesse tipo de operação não pode ser utilizado o FGTS, a não ser que eu faça a operação “aquisição de fundo à vista”, operação equivalente ao pedido de financiamento pelo processo convencional, onde eu teria de pagar 5% do valor do imóvel. Já o Idec informou que eu teria de entrar com um processo contra o BB. Reclamei ao Banco Central, que disse que o BB não herdou os compromissos da Nossa Caixa. O que faço?

A confusão está grande porque os agentes estão se omitindo em vez de atender o consumidor de maneira ética e como prevista em lei. Não está claro se a Rodobens foi procurada, mas é necessário ter a posição desta instituição. Temo que o senhor deverá, além de procurar os órgãos de defesa do consumidor, abrir reclamação junto à ouvidoria da instituição financeira e no Banco Central. E, conforme o desenrolar do processo, talvez buscar seus direitos judicialmente. Infelizmente, questões simples acabam sendo judicializadas pela descumprimento de procedimentos básicos. Vamos retomar o caso. A Caixa é quem opera todas as questões do FGTS. Assim, deveria ter explicado todos os procedimentos a serem observados e como utilizar o FGTS. Em vez disso, houve uma resposta curta que não permite a correta compreensão. O fato é que, recorrendo ao manual de moradia própria do FGTS, encontra-se no item 1.3.1 que “as administradoras de consórcios poderão intermediar operações de liquidação, amortização ou abatimento de prestação de financiamento habitacional.” O consórcio, de fato, não é uma forma de financiamento, mas isto não quer dizer que não há como usar o FGTS para quitar um consórcio de imóvel. A leitura das perguntas frequentes no site do FGTS (fgts.gov.br) confirma que o saldo do FGTS pode ser utilizado para este fim. O site esclarece que as operações de consórcio imobiliário poderão ser realizadas diretamente pela administradora ou por uma instituição financeira indicada por ela, desde que celebrado convênio para essa finalidade. Tudo indica que é possível utilizar o FGTS nos consórcios imobiliários e que a liberação do Fundo tem um custo fixo, mas com duas faixas dependendo do valor do imóvel. Não encontrei nada sobre a necessidade de um procedimento para esta quitação a um custo de 5% do valor.

Tenho dois imóveis, que foram avaliados em R$ 1 milhão e R$ 500 mil, respectivamente. O imóvel mais caro pode ser alugado por até R$ 5 mil. Já o segundo não deve ter interessados. Recebi uma oferta de compra no valor de R$1,25 milhão, sendo R$ 750 mil em dinheiro, valor do qual descontaremos a comissão de corretagem, de R$ 50 mil. O restante, R$ 500 mil, receberemos na forma de quatro terrenos. Devemos vender ou esperar?

Pelo retorno obtido hoje nos seus imóveis a oferta de compra parece boa. A expectativa de aluguel do imóvel de R$ 1 milhão é de R$ 5 mil o que equivale a 0,5% ao mês. Este retorno está dentro do padrão médio, mas temo que não seja fácil se confirmar, já que o valor dos aluguéis está em queda. Mas, quando consideramos que o investimento total – nos dois imóveis – é de R$ 1,5 milhão, o ganho de R$ 5 mil fica muito baixo. A oferta traz um bom dinheiro na mão que ser for aplicado, por exemplo, no título Tesouro IPCA com juros semestrais 2026 (NTN-B), terá rendimento de R$ 25.878 só de juros (brutos) a cada semestre. Ou seja, o equivalente a pouco mais de R$ 4,3 mil por mês, fora a correção monetária pelo IPCA. Além disso, há os R$ 500 mil investidos em terrenos que podem ser negociados futuramente.

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