Turista deve comprar dólar aos poucos, aproveitando os momentos de baixa

Turista deve comprar dólar aos poucos, aproveitando os momentos de baixa

fabiogallo

14 de março de 2016 | 08h16

Tenho uma viagem marcada e venho acompanhando a cotação do dólar. É uma boa hora para comprar a moeda? Na sua opinião, esse movimento deve ter fôlego curto?
Hoje, não há como prever os caminhos da taxa de câmbio no Brasil. A dica é você seguir acompanhando as cotações do dólar e aproveitar a qualquer nova baixa. Assim, siga comprando um pouco da moeda de cada vez sem se preocupar em prever a tendência da divisa estrangeira. A relação entre moedas depende de fatores internos e externos. No front internacional há, no curtíssimo prazo, o cenário de que o dólar não terá fortes altas. Já o cenário interno está cada vez mais difícil de ser previsto, já que o ambiente político está muito conturbado e não permite qualquer melhoria de nossa economia. Quanto mais fraca for a economia local, maior a tendência de desvalorização da moeda frente às moedas fortes. Na minha visão, a cotação do dólar está mais alta do que deveria estar, mas nada impede que exista espaço para nova elevação. Aparentemente, hoje no Brasil o movimento de alta ou baixa depende mais de fatores políticos. Nós estamos mais dependentes dos humores na cidade de Curitiba do que de fatores normalmente considerados para entendermos a cotação de uma moeda e prever a sua tendência no curto prazo.

Li uma matéria sobre a rentabilidade real das aplicações financeiras dos últimos 15 anos. Segundo os dados, os imóveis renderam 23,54%, enquanto a poupança tece valorização de 17,84%. Isto é verdade?
Esses dados são verdadeiros. Busquei por esse levantamento, que foi feito pelo Instituto Assaf, e pude verificar que bate com os dados de mercado. Por esses dados confirmamos que o Brasil é realmente um país de rentistas e que não estão sujeitos a grande risco. A aplicação que teve o maior rendimento no período foi o Tesouro Direto mais IPCA (NTN-B) com o rendimento nominal de 988,58%. Descontando-se a inflação do período de 166,89%, o ganho real foi de 307,87%. Vale a ressalva que nesse tipo de estudo são considerados valores médios dos diversos tipos de investimentos. Quando analisamos a rentabilidade real das aplicações temos uma visão mais objetiva do ganho proporcionado por esses investimentos. A comparação entre o rendimento real da poupança com a aplicação em imóveis chama atenção, porque o grau de risco da caderneta é muito baixo e acabou rendendo nesse período próximo ao investimento imobiliário. A primeira observação é que o rendimento dos imóveis está coerente com a tendência mundial de evolução de preços. Também firma a posição de que o Brasil não esteve ameaçado por uma bolha imobiliária. No período inicial destes últimos 15 anos, o investimento imobiliário estava reprimido por falta de renda e crédito. Num segundo momento, o Brasil passou a crescer, a renda real aumentou, o crédito, particularmente o imobiliário, foi usado como alavanca de manutenção do crescimento e o resultado não poderia ser outro: crescimento agudo dos preços, já que as famílias buscavam o seu primeiro imóvel. Desde 2014, contudo, a aceleração de preços perdeu força e, no ano passado, houve forte queda nas vendas e muitas devoluções de compras na planta. Quando observamos o ganho em períodos mais longos percebemos mais objetivamente que o ganho real existe, mas não é exacerbado como muito alardeavam e, sim, compatível com a evolução econômica. Por outro lado, isto não torna o investimento imobiliário uma opção deplorável. Trata-se de uma opção de diversificação de carteira de investimentos. Além disso, existem várias formas de investimentos em imóveis além do investimento direto, tais como fundos imobiliários, Letras de Crédito Imobiliário e Certificado de Recebíveis Imobiliários. O importante é cada investidor analisar corretamente a relação de risco e retorno oferecida por cada investimento e optar pelo mais adequado aos seus objetivos.

Fiz a doação de um imóvel, localizado em São Paulo, à minha filha, brasileira, mas que reside e trabalha há vários anos na França. Ela pretende alugar esse imóvel e, como o futuro inquilino deverá por lei informar em sua declaração de IR o CPF de minha filha, pergunto: ela será obrigada a pagar no Brasil o carnê-leão e também fazer declaração de IR anual? Ou deverá apenas pagar o imposto correspondente na França?
A Receita Federal informa que “os rendimentos recebidos de fontes situadas no Brasil pela pessoa física que se retirar em caráter permanente do território nacional sujeitam-se à tributação exclusiva na fonte ou, no caso de ganhos de capital, à tributação definitiva, a partir da data da saída definitiva do País.” A pessoa física deve comunicar à fonte pagadora a data da saída definitiva do Brasil. Em relação à declaração, a questão 161 do tira-dúvidas do Imposto de Renda, disponível em http://bit.ly/1LhvmgL, deixa claro que a pessoa física não residente no Brasil não está obrigada a apresentar Declaração de Ajuste Anual no Brasil.

Recebi em doação de meus pais um apartamento no valor de R$ 100 mil, paguei ITCMD pelo valor venal da Prefeitura, mais as despesas de escritura e registro. Posso acrescentar as despesas que tive na declaração de bens do Imposto de Renda?
Sim, o valor a ser declarado do imóvel recebido pode considerar as despesas e tributos incorridos na sua escrituração.

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