Aplicar em ouro é indicado só para os investidores dispostos ao risco

Aplicar em ouro é indicado só para os investidores dispostos ao risco

Economia & Negócios

28 de março de 2016 | 05h00

Como faço para investir em ouro? É possível aplicar por meio de fundos? Qual o valor mínimo? É um bom momento para apostar nesse produto?

Investir em ouro é considerado por muitos como um “porto seguro” em épocas de crise mais aguda, mas trata-se, sempre, de um investimento de risco. O ouro é um ativo financeiro útil para diversificação de carteiras, mas é para aqueles com mais apetite ao risco. Logo, não é indicado para os mais conservadores. Há algumas maneiras de se investir em ouro, sendo que a aplicação mínima depende da forma de aquisição e da cotação do dia. Uma possibilidade é aquisição de ouro físico, como uma joia, mas não há garantia de revenda por preço justo e este ativo não guarda grande correlação com o preço do mercado. A compra física do metal também pode ocorrer no mercado de balcão, em Distribuidoras de Valores (DTVM), que vendem barras com diversos pesos. Pode haver retirada do ouro ou este ser mantido em custódia, o que facilita a venda.

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(Foto: Arnd Wiegmann/Reuters)

O metal é de 24 quilates, com alto grau de pureza. Se a barra não é custodiada por uma instituição credenciada, deverá passar por análise para verificação do grau de pureza na hora da venda. A negociação como ativo financeiro também pode ser realizada na BM&FBovespa nos mercados à vista, em lingotes de ouro fino, podendo ser de 250 gramas ou lotes fracionários. Neste caso, o ouro é fundido por empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas credenciadas pela BM&FBovespa, negociado em lote padrão de ouro fino de 24 quilates. Nesta operação, há custos de corretagem e custódia (0,07% ao mês). Há também incidência do Imposto de Renda (IR), com o mesmo tratamento de renda variável (alíquota de 15%). Na Bolsa, ainda podem ser negociados contratos futuros, a termo ou de opções. Estes mercados são mais sofisticados e recomendados para profissionais. No Banco do Brasil pode ser comprado ouro físico, na forma de barras fundidas, ou também na modalidade escritural. Os interessados no investimento em ouro também têm a opção de aplicar em fundos multimercado. O tratamento tributário de ouro como ativo financeiro é o mesmo da renda variável, mas as operações de mútuo e compra vinculada à revenda são equiparadas à renda fixa. Já na negociação em que o ouro não for considerado ativo financeiro haverá apuração de ganho de capital, para efeito do IR.

Pretendo fazer um investimento em dólares americanos no exterior. Terei alguma despesa quando fizer a remessa inicial? Como será a tributação? Enquanto não resgatar deverei atualizar o saldo na declaração do Imposto de Renda?

O investimento no exterior exige que você abra uma conta em uma corretora e isto traz diversos custos de operação e manutenção. Na remessa em si, há custos da operação, mas não há valores retidos. Segundo o Banco Central, a remessa de dinheiro do Brasil para o exterior pode ser feita por intermédio de instituição autorizada a operar em câmbio por meio de ordem de pagamento ou pelos Correios. Uma dica importante é consultar se a corretora é legal e devidamente autorizada a operar junto à SEC (Security Exchange Commission), que equivale à CVM no Brasil. Há todo um protocolo de cadastramento e documentos necessários para iniciar a operação. Segundo a Receita Federal, os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior por residente no Brasil devem, primeiramente, obedecer os acordos, convenções e tratados internacionais firmados entre o Brasil e o país de origem dos rendimentos. Os ganhos de capital advindos de venda de bens ou direitos e a liquidação ou resgate de aplicações financeiras, inclusive depósito remunerado, adquiridos em moeda estrangeira por pessoa física estão sujeitos à tributação de forma definitiva. Acredito que a alíquota incidente deverá obedecer a Lei nº 13.259/16, que estabelece faixas conforme o ganho de capital: 15% até R$ 5 milhões ou 22,5% acima de R$ 30 milhões. Para sua declaração de Imposto de Renda, os valores devem ser atualizados conforme extratos recebidos. A diferença é considerada como aumento ou perda em seu patrimônio e não requer outro tipo de reconhecimento. Vale a pena estudar com cuidado as opções de investimento e comparar com as alternativas internas. Além dos custos, há o risco cambial.

Tenho disponível R$ 95 mil para aplicação por um período de 5 anos ou mais. Qual a melhor opção? LCIs de bancos menores e que oferecem maior rentabilidade ou Tesouro Direto? Tenho também uma previdência corporativa, em que a única taxa cobrada é de 0,7%. Vale a pena separar uma quantia para esta aplicação?

Neste prazo e com este valor disponível para aplicação, a minha opção é o Tesouro Direto. Como o cenário econômico brasileiro ainda é incerto, uma opção mais conservadora é investir nos títulos Tesouro IPCA + Juros Semestrais 2020 (NTN-B), que está sendo oferecido com taxa de 6% ao ano mais a correção monetária. De qualquer forma, o Tesouro Prefixado 2021 (LTN) também é uma boa opção, com taxa da ordem de 14% ao ano. A LCI tem sido oferecida pelos bancos menores com taxas que chegam a 130% da CDI. Sem dúvida é um bom rendimento, mas, se os juros começarem a cair no futuro, o ganho será reduzido. Este título tem a vantagem de ter garantia de até R$ 250 mil pelo FGC e não ter incidência de IR. Embora a taxa de administração da previdência fechada seja boa, a avaliação de reforçar esse investimento depende de conhecer os retornos obtidos.