Como investir para bancar o aluguel

fabiogallo

12 Setembro 2016 | 07h55

Tenho um imóvel em que moro que vale R$ 1,1 milhão e preciso vendê-lo. Pensei em aplicar R$ 550 mil em renda fixa (LCI) por um ano e fazer uma retirada a cada ano no valor de R$ 54.000 para pagar um aluguel o qual pretendo morar. O restante da rentabilidade deixar aplicado por mais um ano e assim sucessivamente a cada ano. Será que o valor aplicado perderá valor?

A estratégia é interessante, mas tem riscos. Fazendo uma conta simplificada com as taxas que temos hoje, o valor total permite pagar o aluguel por 19 anos. Os parâmetros que considerei foram: R$ 550 mil sejam aplicados em LCIs a 100% do CDI; isenção de Imposto de Renda; inflação na casa de 7,3%; e correção do aluguel na mesma base de inflação. Logo, os riscos são inerentes à mudança forte do patamar da inflação, juros, mudanças da isenção tributária e, ainda considerando que a correção do aluguel ocorre pelo IGP-M e não pela inflação oficial (IPCA). Para que não haja perda de valor, o investimento deveria ser com algum tipo de aplicação que oferecesse ganho real acima do IGP-M, mas este tipo de aplicação não é disponível em nosso mercado. Uma alternativa a esse tipo de estratégia é aplicar em Tesouro IPCA (NTN-B) do Tesouro Direto. Embora tenha incidência de IR, é uma aplicação que paga juros reais acima da inflação. Para a aplicação permitir pagar o aluguel indefinidamente, o valor máximo possível seria de R$ 3 mil mensal.

Tenho uma aplicação em VGBL com rentabilidade IGPM + 6% ao ano. Por alguma falha, o plano não migrou para o regime regressivo de IR, ou seja, está no regime progressivo. Tenho direito a solicitar a alteração para o regressivo agora, sem alterar o plano?

Os planos de previdência não permitem alteração do regime tributário. Uma maneira de conseguir essa alteração é usar da portabilidade e migrar os recursos para outro plano de mesma natureza. Em outros termos, pode haver a transferência do saldo de um VGBL para outro VGBL sem pagamento de tributos. Quando houver a migração, o investidor poderá optar pelo regime regressivo de tributação, mas o prazo começa a contar a partir da data de ingresso no novo plano. Mas, se já prevalecia o regime regressivo no plano original, este não pode ser alterado na migração. A rentabilidade de IGPM mais 6% ao ano é muito boa e dificilmente será encontrado um novo plano que ofereça esse nível de retorno e, assim, seja vantajoso usar da portabilidade só pela questão tributária.

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