Para o consumidor, efeito da queda da Selic no bolso vai demorar

Economia & Negócios

24 de outubro de 2016 | 08h32

Em quanto tempo vamos começar a sentir os efeitos da redução da Selic? Os bancos vão repassar esse corte para o consumidor?

A queda na taxa básica de juros de nossa economia, a Selic, deve provocar mudanças tanto para o investidor quanto para o credor. Mas a queda de 0,25 ponto porcentual é uma alteração importante a ponto de afetar as nossas vidas? A resposta é não. Para o devedor que está na esperança de sentir no bolso a redução dos juros cobrados no cheque especial ou para quem quer comprar uma TV nova a prazo com juros menores, a notícia é que isso ainda vai levar algum tempo para acontecer. O seu bolso vai demorar um pouco mais para sentir o alívio de juros menores. Embora a curva de juros de mercado tenha como base a Selic e, tecnicamente, quando esta taxa é reduzida todas as outras taxas de mercado deveriam ser igualmente reduzidas, na prática isso não ocorre instantaneamente. As instituições financeiras demoram para reduzir as taxas que tem maior grau de risco, alegando, entre outros fatores, alto grau de inadimplência do consumidor.

Com a queda dos juros, investir na Bolsa vai ficar mais vantajoso do que na renda fixa? Devo migrar meus investimentos?

A redução dos juros abre novas perspectivas para o investidor. Com taxas de juros muito altas, a renda fixa é um verdadeiro paraíso na Terra: investir com relativo baixo risco e com boa rentabilidade é o que todo mundo quer. Historicamente, os dados mostram isso. Quando comparamos o CDI, a referência da renda fixa, com o desempenho do Ibovespa, temos alguns dados bem marcantes. Por exemplo, quem tivesse aplicado R$ 100,00 no último pregão de 1995 e permanecesse com esse investimento até o final de 2015, na Bolsa teria acumulado R$ 841,94, enquanto que no CDI o valor seria de R$ 3.077,99, tendo o IPCA acumulado o equivalente a R$ 441,94. Nos últimos 10 anos, esses números seriam de R$ 139,83 na Bolsa, R$ 336,28 no CDI e o equivalente do IPCA seria de R$ 187,28, portanto a aplicação na renda variável sequer cobriria a inflação do período. Obviamente, há momentos de muitos resultados importantes na Bolsa, acima dos outros investimentos, como ocorreu em 2009, com quase 83% de ganhos. Em 2016, com a melhoria dos sinais da economia, a Bolsa tem reagido muito bem. O Ibovespa atingiu na semana passada marcas superiores aos 64 mil pontos, oferecendo ao investidor retorno anual de quase 50%. O ambiente que se vislumbra com taxa de juro mais baixa abre a porta para os investidores começarem a diversificar mais suas carteiras, agregando aos seus investimentos a renda variável, além da renda fixa.

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