Não existe taxa zero em compras parceladas

Toda empresa tem custo do dinheiro em suas operações, portanto o custo do financiamento está embutido no valor das parcelas

fabiogallo

28 Novembro 2016 | 08h33

Devo acreditar na promessa de taxa zero, por exemplo, para a compra de um veículo?

Você não deve acreditar de forma alguma. Em qualquer compra que envolva parcelamento do valor, o custo de capital é considerado. Toda empresa tem custo do dinheiro em suas operações, assim em todas as suas vendas, cujo recebimento ocorrer em parcelas, sempre é embutido o custo desse financiamento. Vamos dizer que o vendedor de um carro tenha como custo final o valor de R$ 30 mil, já com impostos. Portanto, esse valor deve ser o preço à vista. Caso a empresa não receba o dinheiro no ato da venda, não terá caixa para repor estoques, pagar funcionários e arcar com todas as outras despesas. Assim, no caso de financiar a compra do cliente, a empresa não tem opção a não ser embutir o custo financeiro nessa operação de venda ou, como é mais comum, vender à vista e o cliente buscar um financiamento no mercado de crédito diretamente. Quando a empresa oferece pagamentos “sem juros” é porque ela embutiu o custo financeiro no preço à vista. Por exemplo, vamos admitir que a empresa tenha custo financeiro de 23% ao ano (dados do Banco Central) e anuncie vender o carro em 10 vezes “sem juros”: a empresa embute esse custo no valor final e calcula a prestação. Neste exemplo de R$ 3.294,53 mensais, com o valor total de R$ 32.945,39. Obviamente, o valor de R$ 30 mil não é anunciado e, sim, o valor com o custo total. Seria mais justo estabelecer o preço à vista mínimo possível e deixar por conta do cliente estabelecer a forma de financiamento, mesmo porque embutir custos financeiros no preço final aumenta os tributos da venda. Há o argumento de que a empresa está arcando com o custo financeiro e reduzindo sua margem. Isso é correto, mas neste caso a empresa está dizendo que há espaço para reduzir o valor à vista e poderia praticar valores menores. Sem falar na falta de transparência, porque com custos financeiros embutidos, não sabemos exatamente qual a taxa praticada na operação.

Tenho investimentos em ações e fundos multimercados. Li que a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA deve mexer com a economia mundial e estou em dúvida se devo manter as minhas apostas ou esperar um pouco.

Quando o risco de mercado está elevado, a dica é manter a posição e não tomar decisões apressadas. Mas, essa decisão deve considerar o grau de aversão a risco suportável pelo investidor. Usualmente, quando há muita incerteza no mercado, o investidor deve ter sangue frio e manter a sua estratégia de investimentos. O mundo vive a expectativa do que acontecerá após a posse de Trump. Logo após o anúncio de que ele havia sido eleito, os mercados reagiram negativamente. No entanto, ainda estamos aguardando o que ele realmente fará e como suas ações poderão afetar toda a economia mundial. Em suas primeiras declarações, foi anunciado que os EUA não irão confirmar o Tratado de Livre Comércio Transpacífico (TPP), sem falar em outras questões polêmicas que podem afetar o risco do mercado. Mas devemos considerar que Trump é um capitalista em essência e faz parte do mundo dos negócios. O importante é o investidor estabelecer uma estratégia para sua carteira e buscar cumpri-la, realizando alterações dessa estratégia a luz dos seus objetivos financeiros e do grau de risco estabelecido. Investir em ações e mesmo em fundos multimercado pressupõe aceitar maior grau de risco e ter uma perspectiva de investimento de longo prazo.

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