Incerteza exige ajuste nos investimentos

Incerteza exige ajuste nos investimentos

fabiogallo

05 Dezembro 2016 | 05h00

Após a última reunião do Copom, alguns analistas já entendem que o ritmo de queda dos juros será mais gradual do que o esperado. Como isso afeta as minhas decisões de investimento? Estava considerando arriscar mais, mas agora me parece que é hora de ser cauteloso.

Um cenário de maior incerteza pressupõe mais cautela nos investimentos. Sem dúvida as alterações ocorridas no cenário econômico afetam as decisões de aplicações financeiras. A sinalização do Copom de que os juros irão cair em ritmo menos acelerado mostra que há dúvidas sobre a queda dos preços e sobre o cenário econômico como um todo. Por outro lado, as suas decisões sobre investimentos devem seguir um planejamento mais longo e abrangente do que pontual.

O primeiro item do seu planejamento deve ser o estabelecimento de seus objetivos financeiros, que devem ser datados e valorizados. Em outros termos, estabeleça quando pretende atingir o seu objetivo e qual o seu valor. Com isso estabelecido, você pode aferir o grau de risco aceitável e, assim, decidir em quais classes de ativos serão aplicados os recursos.

MOEDA1 - RJ - 14/04/2014 - MOEDA/REAL - ECONOMIA OE - Reprodução de notas de cem e cinquenta Rais. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

(Foto: Fábio Motta/Estadão)

Desta forma, as decisões que envolvem as alterações de cenário de curto prazo são mais fáceis de serem tomadas. Neste momento é essencial o planejamento mais rigoroso porque as incertezas não são somente de natureza monetárias, como o caso dos juros, mas há questões políticas importantes que podem prejudicar o ajuste fiscal e isto pode trazer sérias consequências para o mercado.

Além disso, há incertezas vindas do mercado internacional com a eleição de Donald Trump e a possível elevação dos juros nos Estados Unidos. Independentemente da questão de curto prazo, pensar em investir em renda fixa atrelada à inflação é uma boa opção, bem como considerar uma carteira bem diversificada que contenha uma parcela de renda variável.

Não estou conseguindo achar com o meu gerente LCIs tão interessantes como há um ano. Devo adquirir esses títulos mesmo assim ou há opções mais atraentes?

A taxa básica de juros da nossa economia, a Selic, está 0,5% mais baixa do que um ano atrás. Portanto, as ofertas de taxas para investimentos devem estar mais baixas agora e provavelmente não serão encontradas LCIs com rentabilidade como no ano passado. Por outro lado, a sua decisão de investimento não pode ser baseada nas taxas de períodos passados. A economia é dinâmica e, qualquer que seja o tipo de investimento, a decisão envolve o futuro e não o passado. A sua decisão deve ser tomada à luz da comparação objetiva com as alternativas de aplicações que você dispõe.

Atualmente no mercado, há muitas opções interessantes para o investidor. Como você está se referindo à renda fixa, busque opções entre CDBs, LCIs, LCAs, Letras de Câmbio, Tesouro Direto e fundos. Compare as ofertas lembrando de descontar os custos e o imposto de renda, lembrando que LCI e LCA são títulos isentos. Amplie sua busca para corretoras e fintechs, essas instituições estão com muito boas ofertas, em regra acima da média dos bancos tradicionais.

Hoje há bancos de investimentos tradicionais também entrando no mercado online, com a redução de custos e maior agilidade. Considere, ainda, o fato de que renda fixa de bancos é garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em até R$ 250 mil. Caso você tenha dúvida se o título em que você pretende investir é garantido, é possível consultar o site do FGC (fgc.org.br). Também é interessante verificar se há registro do produto na Cetip.

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