Só profissionais devem especular na Bolsa

fabiogallo

02 de janeiro de 2017 | 05h00

Com a alta recente da Bolsa de Valores vale a pena continuar a apostar naquelas ações que pagam bons dividendos ou é possível arriscar posições mais arrojadas?
Em momentos de muita incerteza, especular investindo de maneira mais arrojada é só para investidores com muito conhecimento e tempo disponível para se dedicar à análise do mercado. Para aqueles que estão pensando somente em rentabilizar melhor o seu dinheiro e não têm as condições mencionadas é melhor não se aventurar e usar de estratégias mais “comportadas”, como pensar mais no longo prazo, buscar ações “blue chips” (as mais negociadas, como Petrobrás e bancos) e com bons dividendos. Uma boa opção é aplicar em fundos de investimentos de ações que são administrados por profissionais. Há boas opções no mercado e guias que classificam esses fundos ajudando na sua busca. Ações que pagam bons dividendos são boas opções de investimento para o investidor que tem uma visão de longo prazo e busca complemento de renda. O importante é ter uma estratégia para sua carteira. Por exemplo: as ações que apresentam altas relações de valor patrimonial, lucro líquido, fluxo de caixa e dividendos em relação ao seu valor de mercado são conhecidas com ações de valor. São alvo do investidor que mantém a estratégia conhecida como investimento baseado em valor (value investing), uma estratégia difundida por Warren Buffet. Em sentido oposto, há investidores que buscam estratégia de investimento baseada no crescimento comprando ações bastante valorizadas devido a seu alto potencial de crescimento. Esse tipo apresenta indicadores opostos aos descritos para ações de valor. Os investidores que buscam ações “mais arrojadas” são aqueles que buscam especular. Isto significa tomar risco, comprar na baixa e, assim que as ações se valorizarem, vendê-las, realizando ganhos de imediato. Ser um especulador requer muito conhecimento de mercado, dedicação total e sangue frio.
Minha corretora indicou CRI e CRA porque são aplicações que estão ganhando popularidade. Fiquei em dúvida se são boas opções porque quero resgatar o dinheiro em dois anos.
Sim, basta casar o prazo de aplicação com a sua necessidade de resgate. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Agrícola (CRA) são títulos que têm atraído os investidores porque apresentam boa rentabilidade e são isentos de Imposto de Renda. O investidor tem de considerar ao investir nesses títulos o prazo do papel, o retorno oferecido e o risco. Usualmente, eles são oferecidos com base em uma taxa fixa mais a variação da inflação pelo IPCA. Hoje são mais acessíveis ao público geral porque os valores iniciais de aplicação caíram. Anteriormente, os CRIs e CRAs eram destinados somente a investidores qualificados. Como são títulos de emissão exclusiva das companhias securitizadoras de direitos creditórios do agronegócio ou imobiliários não têm garantia até R$ 250 mil do FGC, ao contrario das LCI e LCA, embora tenham de ser registrados em sistema autorizado pelo Banco Central, como a Cetip. Para avaliar se você está fazendo uma boa aplicação compare com os títulos do Tesouro Direto com as mesmas características, como o Tesouro IPCA+ (NTN-B). Lembre-se de comparar com mesmo prazo de vencimento e levar em consideração a isenção do Imposto de Renda dos CRI e CRA, já que nos títulos do Tesouro há imposto. O risco do CRI e CRA está atrelado aos empreendimentos tomadores dos empréstimos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.