Travar juro mais alto agora é boa opção

Com perspectiva de queda dos juros, ainda é possível encontrar títulos com taxas atraentes

fabiogallo

16 de janeiro de 2017 | 05h00

É hora de correr para o Tesouro Direto e outras aplicações de renda fixa e garantir uma taxa de juros alta já que muitos apostam que a Selic deve ir abaixo de 10% neste ano?

Investir em renda fixa garantindo uma taxa de rentabilidade relativamente elevada para o futuro é uma boa alternativa neste contexto. Desde o segundo semestre do ano passado já havia a perspectiva de queda de juros da nossa economia – o Banco Central fez o primeiro corte na Selic, a taxa básica de juros, em junho de 2016. Agora foi sinalizado que o corte da taxa básica de juros será contínua e mais forte, se forem mantidas as condições de queda de inflação e não houver um grande susto no cenário externo. Assim, fixar uma taxa mais alta aplicando no Tesouro Direto e ou em outros papéis de renda fixa permite ao investidor ter ganhos sem correr riscos adicionais. Aos mais propensos a correr riscos, uma boa opção é optar por títulos prefixados. Por exemplo: Tesouro Prefixado (LTN) para vencimento em 2023 e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais para 2027 (NTN-F) estão sendo vendidos com taxas ao redor de 11% ao ano. Na perspectiva de em 2017 termos a inflação abaixo do centro da meta de 4,5% (IPCA) e a Selic chegar abaixo de 10%, sem dúvida investir nesse tipo de título é realizar ganhos reais. De qualquer maneira, é essencial um bom planejamento financeiro para permitir que o investidor aplique em títulos que casem o seu vencimento com o prazo em que é prevista a utilização dos recursos para evitar o risco de mercado, que é a potencial perda de valor do título em virtude de alteração das taxas praticadas naquele momento. Esta situação pode ocorrer quando o investidor tem que vender o título antes do vencimento. Assim, não é garantido a realização da taxa de juros da compra do papel.

Tenho a maior parte dos investimentos em LCAs, Tesouro Direto e um FI que rende mais ou menos 14% ao ano, além da Previdência Privada que pago há mais de 15 anos. Tudo em grande banco. Não tenho planos de utilização nos próximos 10 anos e tenho 52 anos. Devo trocar alguma das aplicações?

A sua carteira está com diversos ativos de renda fixa, com prazos de vencimentos variados de acordo com seus objetivos financeiros e com baixo risco relativo. Ao que parece, esse mix atende adequadamente às suas expectativas. Lembre que sempre vale a pena comparar as rentabilidades obtidas nas aplicações atuais com títulos com grau de risco semelhante para verificar se não há alternativas melhores, mesmo em outras instituições financeiras, como as fintechs. Na comparação com as LCAs, procure aplicações que têm garantias de até R$ 250 mil pelo FGC e são isentas de Imposto de Renda. No caso do Fundo de Investimento (FI), é recomendado comparar ganhos e custos incorridos porque o ganho líquido pode estar abaixo de alternativas de mercado. Também é oportuno realizar comparações de sua previdência privada com outros planos na mesma instituição ou em outras, novamente comparando ganhos e custos. Caso seja encontrada alternativa mais interessante, você pode usar a portabilidade e transferir o saldo do plano atual para outro sem arcar com os custos tributários. Mesmo a sua carteira estando boa seria interessante investir uma parte de sua carteira em renda variável, caso você esteja disposto a aceitar um pouco mais de risco, como fundos multimercado ou de ações. Tendo em vista as mudanças previstas na aposentadoria, é importante que você se organize porque é possível potencializar ainda mais a poupança.

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