A grande escaramuça fiscal

Fernando Dantas

20 de julho de 2010 | 19h49

Estimular ou não estimular a economia tornou-se de fato “a” questão. Assume dimensões cada vez mais grandiosas a briga entre economistas do primeiro time global sobre se é hora de pisar no acelerador dos gastos públicos, para evitar o segundo mergulho recessivo do mundo rico; ou se, ao contrário, é hora de começar a reajustar as contas para compensar a enorme expansão das dívidas públicas em função das medidas de estímulo fiscal já tomadas.

Como se vê, os grandes medalhões da ciência econômica não discutem a gradação de algum remédio. Na verdade, eles estão receitando medicamentos diametralmente opostos. É quase como dois médicos que receitassem para um mesmo paciente repouso absoluto e exercícios pesados. O paciente com certeza temerá pela sua vida caso, numa loteria de 50% de chances, ele escolher a opção errada. É mais ou menos a situação da economia global hoje em dia, com a diferença de que as autoridades econômicas dos países ricos parecem que não vão nem para um extremo nem para o outro. O que também é preocupante, pois equivale a não tomar medicamento algum.

De qualquer forma, o Financial Times abriu um fórum de debates “Austeridade versus Estímulo” (para quem tem acesso) sobre o tema, convidando grandes economistas para escreverem artigos, e responderem uns aos artigos dos outros.

Até agora, está dando empate. A favor do estímulo já escreveram Martin Wolf, principal comentarista econômico do FT, e o blogueiro-economista americano Brad DeLong, parceiro do prêmio Nobel Paul Krugman na ala mais extremada dos defensores do estímulo. Na verdade, Wolf se posiciona mais contra um ajuste fiscal agora do que a favor de novos pacotes fiscais.

Contra mais estímulos já se posicionaram Kenneth Rogoff, coautor de uma monumental história das crises financeiras nos últimos 800 anos e ex-economista-chefe do FMI, e o o historiador econômico britânico Niall Ferguson.

Na coluna do meio está Lawrence Summers, principal assessor econômico de Obama, que escreveu defendendo a atual política americana – o estímulo já realizado e um compromisso (que os fiscalistas consideram pífio) de rearrumar as contas públicas mais adiante.

DeLong e Ferguson já se bicaram em réplicas e tréplicas. O Fórum deve continuar a receber artigos de figurões da Economia nos próximos dias. Vale a pena conferir para os que  têm acesso ao Financial Times.

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