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A sociedade do Carneiro

Fernando Carneiro, profissional do mercado de capitais e original observador das pessoas, da sociedade e do universo, escreveu um livro imperdível sobre ... bem, o mercado de capitais, as pessoas, a sociedade e o universo. Não deixem de ler!

Fernando Dantas

10 de maio de 2017 | 10h13

Sociedade Anônima, reunião de crônicas de Fernando Carneiro, representante no Brasil de uma consultoria internacional de mercado capitais, vai muito além do tema central que se propõe a tratar. Coleção de crônicas, publicadas entre 2008 e 2015 em um blog hospedado no site de O Globo, o livro, além da linha mestra da defesa da democratização e da transparência do mercado de capitais, é uma plataforma em que Carneiro exercita o papel de originalíssimo pensador, transitando num universo de referências que vai do surf à literatura, do rock à filosofia, com sua verve afiada e peculiar em eterna ebulição.

Assim, o leitor não deve se surpreender nem buscar referências ao mercado de capitais na primeira crônica do livro, sobre o filme “A morte de JP Cuenca (O filme)”. O texto é um aperitivo e, logo de início, vai se notar que Carneiro é expansivo e rebelde demais para se confinar rigidamente em um assunto, e que sua grande habilidade é justamente a de juntar fios aparentemente desconexos para descortinar uma visão de mundo toda própria, da qual quase nada do que é humano lhe escapa.

Dessa forma, o que Carneiro tem a dizer efetivamente sobre temas da sua área central, como na hilária crônica “Marli and me – Remuneração de executivos…” (em que o personagem principal é sua faxineira), não soa como mais uma receita tecnocrática. Na verdade, suas opiniões sobre o mercado de capitais e a economia em geral são parte de uma abordagem extremamente lúcida, rica e humanista da vida em sociedade, mesmo que ironicamente possa soar apocalíptico por vezes, como na crônica em duas partes “O Clube dos 3 Bilhão”, em que advoga um encolhimento radical da humanidade.

O redemoinho de citações, ironia e sarcasmo bombardeado ininterruptamente por Carneiro em suas crônicas, que compõem o estilo do autor e garantem o provocante sabor do seu texto, não provém de um escritor ranzinza trancado em seu gabinete, de mal com a vida humana do seu tempo. Pelo contrário, à medida que se lê “Sociedade Anônima”, o que se percebe é um autor apaixonado, capaz de escrever com o mesmo entusiasmo sobre mercado de capitais, esporte, arte, política, etc., e com a rara habilidade de ver o mundo como um conjunto pulsante de partes, e não como partes estanques que supostamente formam um conjunto.

Não percam!

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