Arminio diz que não vai

Ex-presidente do BC está disposto a ajudar no que puder, mas não se considera o nome certo para esta hora. Ele acha inclusive que o novo ministro da Economia deveria ter mais experiência política.

Fernando Dantas

20 de abril de 2016 | 18h23

Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio-fundador da gestora Gávea, reiterou para Michel Temer na segunda-feira à noite que não vai para o governo do atual vice-presidente, caso o Senado aceite o pedido de impeachment, segundo fonte desta coluna que teve acesso ao conteúdo da conversa. Na verdade, Fraga já vem conversando com pessoas próximas ao vice-presidente há bastante tempo, e sempre sinalizou que não se considera a pessoa certa para o atual momento. Ele inclusive considera que o novo chefe da economia num governo Temer deveria ter mais experiência política.

A conversa de ontem, durante jantar na casa de um amigo de Temer em São Paulo, contou com a presença também de Aécio Neves, presidente do PSDB e último candidato do partido à presidência.

A discussão girou em torno de grandes linhas de política econômica, com ênfase na meritocracia e no documento Ponte para o Futuro, endossado por Temer e outras lideranças do PMDB, e que em boa parte contém propostas ortodoxas e liberais. Ficou claro que Temer terá que pesar a política e a economia na hora de selecionar, entre a grande quantidade de temas e propostas do Ponte para o Futuro, aquelas que vai priorizar no início de seu governo.

Fraga é admirador de diversos nomes que vêm sendo cogitados para comandar a economia se Temer vier a ser presidente, como Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, Murilo Portugal, presidente da Febraban, o senador José Serra (PSDB-SP) e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung.

Fraga não se colocou na posição de indicar quadros para Temer, embora, é claro, esteja à inteira disposição para ajudar no que puder. O ex-presidente do BC considera que, se algum daqueles nomes de peso for para o Ministério da Fazenda, há toda uma nova geração de economistas de excelente formação que poderia ser recrutada. A tarefa do novo ministro e seus colaboradores, porém, será árdua. Um interlocutor do ex-presidente do BC diz que ele se referiu recentemente à economia que Temer herdará como “terra arrasada”.

No mercado, a postura ainda é de espera. Mesmo sem Arminio Fraga, a sensação é de que as políticas econômicas heterodoxas e as falhas de implementação, inclusive pela perda de apoio político da presidente Dilma Rousseff, serão deixadas para trás. A ideia de criar alguns superministérios, que foi veiculada na imprensa, também é percebida como algo que poderia dar mais eficiência e celeridade ao governo.

Mas o mercado percebe algumas nuances na lista de possíveis ministros da Fazenda que vem circulando até agora. O ponto positivo é que todos os nomes têm boa reputação para assuntos fiscais, o que significa um salto em relação ao atual governo. Por outro lado, a ligação de Temer com Paulo Skaf da Fiesp, e o fato de que o Ponte para o Futuro teve o ex-ministro e deputado Delfim Neto como um dos articuladores, traz algumas dúvidas sobre como será gestão do câmbio e dos juros. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas é jornalista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pela AE-News/Broadcast em 19/4/16, terça-feira.

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