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BC comunicador

Até o fim do mês, Banco Central vai mostrar no comunicado (que já saiu) da última reunião do Copom, na ata da reunião e no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro o que pensa sobre a atual conjuntura. Há sensação é de que os sinais serão baixistas em relação aos juros.

Fernando Dantas

19 de setembro de 2019 | 10h46

Há amplo consenso no mercado de que o Copom deve cortar a Selic em 0,5 ponto porcentual, para 5,5%, ao fim da reunião que começa hoje e termina amanhã.

(esta coluna foi escrita em 17/9, terça-feira, antes da decisão do Copom de cortar a Selic em 0,5 pp em 18/9)

Descartando uma enorme surpresa, as atenções devem se voltar aos sinais do que virá após a reunião de setembro. E comunicação é o que não vai faltar. Daqui até o final do mês, o BC vai divulgar o comunicado da reunião (amanhã), e a ata da reunião e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro na semana que vem.

Há expectativa de que haverá outro corte de 0,5 ponto porcentual na reunião do final de outubro, levando a Selic a 5%. E essa expectativa é algo que o BC pode ou não reforçar na sua comunicação.

Na visão de Flavio Serrano, economista-chefe do Haitong Bank, um comunicado na reunião de setembro semelhante ao da reunião de julho (a última, quando a Selic foi cortada em 0,5 pp) reforçará a expectativa de outro corte de 0,5 pp em outubro.

A frase chave da ata a que ele se refere, no caso, é de que o Copom “avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”.

Uma questão importante nas próximas comunicações do BC é o balanço de riscos, especialmente em relação ao cenário externo.

O Copom pode sinalizar de forma mais clara que o cenário externo é, pelo menos no momento, desinflacionário em termos líquidos. Por um lado, o câmbio se depreciou e agora, com o ataque na Arábia Saudita, o petróleo de uma pipocada, mas cuja duração pode ser breve (a ver). Por outro lado, a desaceleração global, os juros baixíssimos e cadentes e o recuo das outras commodities estão pesando mais, para uma grande corrente de analistas.

O problema é que o cenário internacional é complexo, instável e tem um quê de binário. Pode haver sustos com a possibilidade de um mergulho recessivo americano e global mais intenso e rápido, o que poderia ser a fagulha para algum episódio mais agudo de aversão a risco – caso em que câmbio e o risco Brasil poderiam caminhar bem mais, atrapalhando o ciclo de afrouxamento monetário interno.

Maurício Oreng, economista-chefe do Rabobank no Brasil, chama a atenção também para a importância das novas projeções do modelo do BC sobre o comportamento da inflação, que certamente terão um papel relevante nas expectativas do mercado sobre a trajetória da Selic nos próximos meses.

Fatores como a redução das expectativas de mercado para a inflação à frente (especialmente para 2020), a queda das commodities, o nível de repasse da desvalorização do câmbio à inflação e a estimativa sobre o ritmo da economia podem influenciar as projeções do modelo.

As projeções do mercado para a trajetória da Selic provavelmente serão recalibradas com base nas novas projeções de inflação do modelo do BC e do que for dito na farta comunicação até o fim do mês sobre como o Copom avalia o balanço de riscos neste momento.

O mercado voltou a se animar na direção baixista dos juros nos últimos dias, com destaque para casas projetando Selic abaixo de 5% ao final desse ciclo e a curva de juros voltando a cair, como hoje, apesar do dólar a quase R$ 4,10. O ambiente parece propício a mais afrouxamento monetário, mas, por outro lado, o grau de incerteza é muito alto – no cenário externo, principalmente, mas também alimentada no front doméstico pelas confusões políticas do governo Bolsonaro.

Até o final do mês, em vários textos e números, o BC deve deixar mais claro o que pensa de tudo isso. Cada projeção e cada linha e entrelinha serão minuciosamente analisadas pelo mercado.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 17/9/19, terça-feira.

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