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Biden caminha para ganhar

Apesar de enfrentar a "catimba" política de Trump, um político adepto do jogo sujo, as coisas parecem caminhar para que, ainda com algumas trepidações, Joe Biden vença, tome posse e governe como qualquer outro presidente da grande democracia americana.

Fernando Dantas

04 de novembro de 2020 | 19h37

(esta coluna foi escrita hoje, 4/11, pela manhã)

 

No momento em que esta coluna está sendo escrita, desenha-se, ainda com incerteza, uma vitória de Joe Biden no complexo voto eleitoral norte-americano. Nem é preciso dizer que ainda pode haver surpresas.

A vitória de Biden, se for confirmada, será mais sofrida e suada do que indicavam as pesquisas eleitorais. Portanto, pela segunda vez consecutiva, as técnicas estatísticas dos institutos de opinião pública do país mais avançado cientificamente do mundo deixaram a desejar.

Em termos políticos, a possível vitória menos folgada do que se previa de Biden, se confirmada, obrigará o novo presidente norte-americano a olhar com atenção para o eleitorado que preferiu Trump – mesmo depois de uma vexaminosa gestão da pandemia, que deixou os Estados Unidos com o recorde absoluto de mortes por Covid (quase 240 mil até agora) e sétimo em termos de óbitos por milhão de habitantes (excluindo países minúsculos com Andorra e San Marino).

Outra consequência de uma vitória relativamente apertada será a “catimba” política de Trump que, como jogadores de futebol latino-americanos costumavam fazer, vai apelar e tentar burlar o espírito das regras do jogo com todas as forças de que dispor.

O presidente já está acenando com denúncias de fraude e ameaças de judicialização dos resultados. Para muitos, isso é um sinal de como Trump está levando à deterioração da institucionalidade democrática norte-americana.

O fato, porém, é que nenhuma democracia pode ser, por definição, à prova do surgimento de um político protagonista “catimbeiro” como Donald Trump. O verdadeiro teste da resiliência das instituições democráticas é ver se o jogo sujo prevalece ou não sobre o espírito das regras do jogo democrático.

É verdade que, no imbróglio das eleições de 2000, George W. Bush acabou sendo confirmado na presidência depois de voto da Suprema Corte que, na prática, decretou o fim do processo de sucessivas recontagens de votos na Flórida. E a parte decisiva desse voto foi de 5 a 4, sendo que todos os juízes nomeados por Republicanos votaram pelo lado vencedor e os nomeados por Democratas pelo perdedor.

A pergunta é: será que, em caso de judicialização do resultado, a atual Suprema Corte, também com maioria de nomeados por Republicanos, dará razão a Trump?

É duvidoso, porque a situação que se desenha é bem diferente. A vitória no Colégio Eleitoral de Bush foi apertadíssima, de 271 contra 266 de Al Gore, o candidato democrata.

A Flórida, com 25 delegados no Colégio Eleitoral, efetivamente viraria a eleição para Al Gore. E a diferença final pró-Bush na Flórida foi de 537 votos, ou 0,0092% entre quase 6 milhões de eleitores. Foi essa diferença minúscula, obviamente, que pôs em trânsito o frenesi de recontagens e contestações.

Pode-se dizer, dessa forma, que a eleição presidencial de 2000, em termos do Colégio Eleitoral, chegou o mais próximo que se pode conseguir de um “empate”. Foi nesse contexto que os juízes conservadores da Suprema Corte acabaram tomando a decisão que pôs fim a semanas de angústia e deu a vitória a Bush.

Agora, eventuais contestações de Trump serão feitas no âmbito de uma eleição – a se confirmarem as tendências do momento em que esta coluna estava sendo escrita – que, ainda que apertada, terá um claro vencedor.

Os juízes conservadores teriam que “forçar a barra” num grau imensamente maior do que o ocorrido em 2000, o que parece um pouco demais para uma instituição com a tradição de respeitabilidade democrática da Suprema Corte norte-americana.

Obviamente, nos tempos polarizados e insensatos que vivemos, tudo pode acontecer. Mas uma aposta em mais algumas trepidações caminhando para um final convencional de vitória, posse e governo “business as usual” do candidato democrata não parece insensata neste ponto.

Sempre com a ressalva, óbvio, de que no complexo sistema eleitoral americano podem surgir novas surpresas na apuração de uma eleição apertada.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 4/11/2020, quarta-feira.