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Brasil melhor que América Latina no pós-Covid

Instituto Ifo, think-tank alemão, ouviu 950 especialistas em economia em 110 países sobre a retomada econômica pós-pandemia.

Fernando Dantas

19 de outubro de 2020 | 11h50

O Brasil deve se sair economicamente da crise da Covid-19 melhor do que a América Latina como um todo, segundo pesquisa coordenada pelo Instituto Ifo de Pesquisa Econômica, com sede em Munique e um dos maiores ‘think-tanks’ alemães (https://www.econpol.eu/sites/default/files/2020-10/EconPol_Policy_Report_26_Covid_Road_Recovery.pdf.).

A pesquisa, divulgada agora em outubro, ouviu 950 especialistas em economia em 110 países entre 12 e 29 de agosto. Uma primeira rodada do levantamento, com foco nos efeitos econômicos da pandemia, foi realizada em abril.

Segundo a média dos cenários mais favoráveis dos especialistas consultados sobre o Brasil, o PIB nacional deve recuar 6,1% em 2020 e crescer 2,8% em 2021.

Mas os analistas apontaram também o que consideraram como um cenário pessimista e outro otimista. No caso do Brasil, a média do primeiro foi de queda de 8%, e a do segundo, de recuo de 4,7%.

Já no caso da América Latina como um todo, a média do cenário principal dos analistas consultados é de queda do PIB de 7,9% em 2020 e crescimento de 1,9% em 2021. Para 2020, a média dos cenários pessimistas é de queda de 10,5%, e a dos otimistas, de recuo de 5,8%.

Em termos de volta ao nível de produto pré-pandemia, a maior parcela (35,3%) dos especialistas da América Latina prevê que isso ocorra na região em 2022. Uma parcela de 23,5% crê que a volta ao nível anterior ocorrerá em 2021, mas quase 40% consideram que isso acontecerá apenas em 2023 ou depois.

Já os analistas europeus chegaram aos piores prognósticos econômicos, em relação à sua própria região, na comparação com o resto do mundo. A projeção média de recuo do PIB da zona do euro em 2020 é de 8,9%, com previsões de queda de dois dígitos nos casos de Espanha (-13,5%), Itália (-10,5%) e Portugal (-10,5%).

Em termos do formato da recuperação, a maioria dos analistas (42%, e lembrando que cada um fez previsões para o seu próprio país) acredita em retomada em U, o que os organizadores do trabalho definem, na parte da recessão, como um “declínio forte e persistente” (com uma recuperação simétrica, naturalmente).

Outros 32% entre os especialistas preveem retomadas no formato do símbolo da Nike, isto é, “um declínio forte e temporário seguido por uma recuperação lenta”, segundo a definição do estudo. Apenas 6% dos analistas previram retomada em V, isto é, recuperação forte depois de queda intensa.

Já uma parcela de 21% previu recessão com mergulho duplo, o que seria o formato do W. No Reino Unido, 40% dos especialistas previram retomada em W, e, nos Estados Unidos, 37%. A previsão da “double-dip recession” está ligada, naturalmente, ao temor de uma segunda onda da Covid-19.

Um aspecto em que o Brasil não aparece bem, segundo os especialistas do próprio país, é o impacto da pandemia no crescimento potencial. Na maior parte dos países, a grande maioria dos analistas considera que haverá efeito negativo no produto potencial.

Mas a pesquisa distingue dois tipos de efeito. Um é o “efeito nível”, em que há uma queda no produto, que não se recupera depois. E outro é o “efeito crescimento”, em que a taxa de expansão do produto potencial passa a ser menor. No caso brasileiro, 35% dos analistas disseram esperar um impacto negativo no PIB potencial pelo efeito nível, e 65% pela combinação de efeito nível e efeito crescimento.

Nesse segundo indicador (porcentagem dos analistas que esperam perda de produto potencial tanto pelo efeito nível quanto pelo efeito crescimento), o Brasil foi o pior de uma lista dez economias importantes selecionados pelos organizadores do trabalho.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 16/10/2020, sexta-feira.

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