Brasil no bom quadrante da retomada

Brasil no bom quadrante da retomada

Indicadores antecedentes e coincidentes do Conference Board, tradicional think tank norte-americano, colocam Brasil numa boa posição em termos de recuperação entre as principais economias globais.

Fernando Dantas

26 de julho de 2021 | 10h47

O Brasil está no melhor quadrante da retomada global, com expansão e aceleração, segundo apresentação realizada hoje pelo economista Ataman Ozyildirim, diretor de Economia e Pesquisa Global do “Conference Board”, tradicional “think tank” de economia dos Estados Unidos.

Ozyildirim faz parte de um grupo organizado pela OCDE para debater e aperfeiçoar o acompanhamento das economias em tempo real pelos chamados “leading economic indicators (LEI)” e “composite leading indicators” (CLI).

Aloisio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas do Ibre-FGV, faz parte do grupo montado pela OCDE e participou da apresentação do diretor do Conference Board.

O Conference Board tem indicadores – antecedente e coincidente – globais cobrindo 73,8% do PIB mundial. Fazem parte desses indicadores 12 importantes economias (incluindo o Brasil) e a zona do euro.

Em um gráfico da sua apresentação, Ozyildirim dividiu essas economias em quatro estágios: contração, recuperação (saída da contração), expansão e desaceleração (após a expansão). A classificação é feita pelo último LEI de cada país e da zona do euro.

Nenhuma das economias está em contração, mas Reino Unido e zona do euro ainda estão na fase de “recuperação”, não tendo entrado ainda em “expansão”.

A maior parte das economias está em expansão, com destaque para a África do Sul, cujo LEI sinaliza  a expansão mais forte do grupo. Brasil, China e Estados Unidos, coincidentemente, estão num patamar parecido, e mais modesto, de expansão. México, Coreia e Rússia já desaceleram.

Os indicadores antecedentes do Conference Board incluem componentes quantitativos e qualitativos como índices de confiança, indicadores de spread, crédito, mercado acionário e mercado imobiliário, horas trabalhadas e seguro desemprego.

Como explica Campelo, os indicadores antecedentes são especialmente úteis para indicar viradas na atividade econômica, tanto para melhor como para pior, quando não apenas o índice composto faz um movimento forte, mas como quando a direção desse movimento está bem difusa entre os diversos componentes.

Os indicadores apresentados pelo diretor do Conference Board, mostrando retomada firme da economia global, estão congruentes com a divulgação recente dos Barômetros Globais, neste caso elaborados pela FGV em colaboração com o KOF, instituto de pesquisa econômico suíço, como sede em Zurique.

Mas os barômetros globais de julho, referentes a junho, embora ainda estejam em terreno de expansão e em patamar elevado, indicam algum recuo em relação a junho, assim como houve recuo entre maio e junho.

Os Barômetros Globais abrangem três grandes regiões: Hemisfério Ocidental, Europa e “Asia & Pacífico e África”. Já em termos setoriais, o conjunto de indicadores tem como subdivisões indústria, construção, serviços e comércio, e economia (o agregado de todos os setores).

Campelo nota que, apesar de ter tido a maior queda no índice de julho (referente a junho), o indicador coincidente dos Barômetros Globais relativos aos serviços está no nível mais elevado entre os setores, indicando uma forte recuperação do setor mais afetado pela pandemia.

Ele acrescenta que, no Brasil, os serviços ainda têm muito o que se recuperar, o que pode ser impulsionado pela recente aceleração da vacinação. Nesse caso, a economia brasileira ainda tem bastante tração para ganhar no segundo semestre.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 23/7/2021, sexta-feira.