Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Consultor vê eleição difícil para Dilma

Fernando Dantas

13 de novembro de 2013 | 22h29

A situação da presidente Dilma Rousseff em relação às eleições de 2014 é muito menos tranquila do que possa parecer à primeira vista. A análise é de Alexandre Marinis, da Mosaico Economia Política, economista e consultor especializado em temas políticos.

“Vai ser difícil para a presidente ganhar a eleição no primeiro turno”, ele alerta. Segundo Marinis, quando “se destrincham os dados”, a popularidade atual da presidente Dilma Rousseff não é suficiente para que ela se reeleja no primeiro turno.

E, no segundo turno, diz o consultor, as coisas se complicam para candidatura da situação se o opositor for Eduardo Campos, governador de Pernambuco, que formará chapa com Marina Silva. “É uma candidatura que poderia fazer o segundo turno fugir da polaridade entre petistas e tucanos, que foi benéfica para o PT nas últimas eleições presidenciais”, analisa Marinis.

O consultor fez uma avaliação detalhada das últimas quatro pesquisas do Datafolha, Ibope, Vox Populi e MDA (CNT). Ele nota que é “a primeira rodada dos quatro grandes institutos sem Marina como candidata separadamente de Eduardo Campos’.

A principal observação de Marinis em relação às pesquisas recentes é o altíssimo nível de votos brancos e nulos que elas indicam. “Os números, dependendo da metodologia, dobraram ou triplicaram em relação à média histórica, que é de 7,5%”, ele nota.

É isso, continua o consultor, que faz com que Dilma apareça com uma margem folgada de vitória no cenário, hoje visto como o mais provável, em que ela concorre com o tucano Aécio Neves e com Campos.

Assim, na última pesquisa da MDA, na simulação de primeiro turno, Dilma aparece com 44% dos votos, Aécio com 19% e Eduardo Campos com 10%. Os brancos e nulos são 20%, e os que não sabem ou não responderam correspondem a 8%. Marinis nota que uma proporção altíssima do eleitorado, de 28%, fica excluída da conta dos votos válidos.

Para ganhar no primeiro turno, a candidata ou o candidato tem de ter 50% dos votos válidos mais um. Naquela simulação, Dilma fica com cerca de 60% dos votos válidos, o que significa um vitória folgada no primeiro turno.

Mas Marinis nota que, na simulação em que Marina entra no lugar de Campos como cabeça de chapa, os votos válidos caem para 15%, e a proporção dos votos válidos arrebanhados por Dilma no primeiro turno se reduz para 50,9% – o que já a deixa muito no limiar de ir para o segundo turno.

O problema para o governo, prossegue o consultor, é que as pessoas que declaram votar branco ou nulo tradicionalmente estão insatisfeitas com o governo, e tem um pendor a vir a votar na oposição, se afinal se decidirem por alguma candidatura que considerem aceitável.

Marinis acha que, na eleição efetiva no ano que vem, os votos válidos voltarão para mais perto da média histórica. Para ele, o nível de 20% na simulação com Campos não se sustenta, e mesmo o nível de 15%, na simulação com Marina, tende a cair.

Por outro lado, por causa da insatisfação geral com a política que ficou evidente nas manifestações de junho, o consultor acha que há uma chance de que os votos brancos e nulos fiquem acima da média histórica nas eleições de 2014, mas não tão acima como vem aparecendo nas pesquisas atuais. E esta redução dos votos brancos e nulos, na sua opinião, vai beneficiar a oposição, e tornar a disputa do próximo ano bem mais difícil para Dilma do que uma análise simplista parece sugerir.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna saiu originalmente na AE-News/Broadcast

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: