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Contando os votos da Previdência

Ricardo Ribeiro, analista político da consultoria MCM, estimou piso e teto de votos a favor da reforma da Previdência. Exercício não é dos mais animadores para quem quer ver a reforma passar.

Fernando Dantas

03 de maio de 2017 | 11h48

Ricardo Ribeiro, analista da consultoria MCM, que vem se situando no campo majoritário dos especialistas que preveem que “alguma reforma da Previdência passará”, ainda que com grau acentuado de diluição, publicou um recente relatório que é capaz de dar um frio na espinha dos participantes do mercado que ainda botam fé nesta visão da maioria.

Um alívio é que o próprio Ribeiro, no mencionado relatório, ainda tem um cenário básico que é favorável à aprovação da reforma. Mas quando se lê o conteúdo da sua análise, é difícil não ficar um pouco alarmado.

O analista político parte da constatação de que a disposição do governo de retardar a votação da reforma é um sinal de que não há confiança na sua aprovação. Ele nota que Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, é o grande especialista em mapear os votos favoráveis e contrários no Congresso, e o fato de que lideranças governistas estejam falando em adiamento da votação certamente significa que ele está inseguro quanto à vitória.

Segundo Ribeiro, se a primeira votação na Câmara não ocorrer até o final de maio, seu cenário passa a ser negativo para a aprovação da reforma da Previdência.

A parte mais interessante do relatório, contudo, é aquela em que o analista contabiliza os votos favoráveis ao governo dos deputados dos 19 partidos da base aliada em oito votações importantes: impeachment, PEC do teto, terceirização, quatro destaques ao texto do projeto de ajuda aos Estados superendividados (três foram rejeitados, de acordo com a posição do governo, e um foi aprovado) e o segundo pedido de urgência para votação da reforma trabalhista, que foi aprovado.

Um total de 104 deputados votaram favoravelmente ao governo em todas essas votações. Ribeiro divide os parlamentares que votaram pelo menos uma vez contra o governo naquelas oito votações em quatro grupos: no primeiro, os que votaram uma ou duas vezes contra; no segundo, os que votaram três ou quatro vezes; no terceiro, cinco ou seis; e, no quarto, sete ou oito.

A partir daí, Ribeiro faz um exercício em que considera que o terceiro e quarto grupos votarão contra a reforma da Previdência, e o primeiro votará a favor. Considerando ainda os 104 que nunca foram dissidentes, esse exercício cria um piso de votos a favor de 259 e um teto de 339. Quem decide, claro, é o segundo grupo, que votou contra o governo em três ou quatro de oito votações importantes.

Não consta do relatório da MCM, mas uma média aritmética simples do piso e do teto do exercício de Ribeiro dá 299 votos, abaixo dos 308 necessários para aprovar a reforma da Previdência, e próximo aos 296 obtidos na acirrada batalha política da votação esta semana da reforma trabalhista.

Evidentemente, esses exercícios não são capazes de prever seguramente o que se dará na primeira votação da reforma da Previdência, já que a política é por definição uma atividade fluida e há diferenças de conteúdo entre cada votação no Congresso. A classe empresarial é super-representada no parlamento, o que pode ter facilitado a votação da reforma trabalhista, mas nem tanto para a Previdência.

Parece certo, contudo, que o governo e seus operadores intensificarão o trabalho de convencimento no segundo grupo mencionado por Ribeiro, de deputados que oscilaram entre votar favorável e contrariamente às propostas do governo (três ou quatro votos contra, num total de oito), e que são mais fáceis de convencer do que aqueles que ficaram em posição dissidente a maior parte do tempo. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 28/4/17, sexta-feira.

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