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Copom faz primeiro movimento

Com "moderação e gradualismo", BC corta 0,25 ponto porcentual da Selic, depois de quatro anos sem baixa.

Fernando Dantas

21 de outubro de 2016 | 19h18

O Banco Central escolheu a moderação e o gradualismo, conceitos introduzidos no comunicado do Copom da recém-terminada reunião, para dar partida no tão aguardado ciclo de relaxamento monetário. A decisão unânime reforça o posicionamento do Copom, que preparou o passo de hoje com a discricionariedade autoconcedida nas últimas peças de comunicação, mas simultaneamente, ao negar o corte de 0,50 ponto porcentual dos mais otimistas, busca manter o controle sobre a curva de juros e a credibilidade da convergência para a meta de 4,5% no horizonte relevante de 2017 e 2018.

Para uma minoria ultraconservadora, o corte de 0,25 ponto porcentual, antes que as expectativas do Focus e o cenário de mercado do modelo do BC apontem inflação na meta em 2016, pode ser uma piscada de olhos do Copom – a autoridade monetária quer baixar os juros, mas já que as condições objetivas e o mandato do sistema de metas não corroboram ainda este passo, faz uma concessão simbólica, que pode ser contraproducente em termos de expectativas.

Por outro lado, uma corrente significativa de analistas compartilha com o Banco Central (BC) um certo alarme em relação a sinais recentes da atividade que poderiam indicar, na pior das hipóteses, que a economia brasileira ainda não encontrou o fundo do poço. Para aqueles que defendiam o corte de 0,5 pp, a fraqueza da economia, a grande capacidade ociosa, o bom comportamento da inflação corrente, a valorização do câmbio e o sucesso inicial no encaminhamento da PEC 241 justificariam um passo mais ousado.

O BC, porém, preferiu colocar água na fervura do otimismo e economizar suas fichas por enquanto. Ao optar pelo 0,25 pp, agiu de acordo com o preconizado por uma significativa e respeitada fatia do mercado. (fernando.dantas@estadao.com).

Este comentário foi publicado pelo Broadcast em 19/10/16.

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