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E o BC tinha razão

IPCA de setembro, com ligeira deflação e abaixo das expectativas, mostra que recente virada "dovish" (maior disposição para cortar juros) na comunicação e nas projeções de inflação do Banco Central provavelmente foi correta.

Fernando Dantas

10 de outubro de 2019 | 20h05

O IPCA de setembro, de -0,04%, no piso das expectativas das Projeções Broadcast e abaixo da mediana (0,02%), reforça a ideia de que foi bem calibrada a surpresa “dovish” na comunicação e nas projeções do Banco Central, a partir do comunicado da reunião de Copom de setembro.

“O Banco Central tomou a dianteira do mercado, e teve quem dissesse que o modelo deles estava muito otimista – mas a realidade está mostrando que o BC tinha razão”, comenta Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Claro que a leitura de apenas um mês não pode ser usada para conclusões definitivas, mas a inflação de setembro foi mais uma pincelada num quadro extremamente benigno.

O IPCA em 12 meses está correndo em 2,89%, e a média de todos os núcleos considerados pelo BC está em 2,81%. Praticamente não há lado para o qual se olhe em que a inflação não esteja dando sinais baixistas.

Para o baixo IPCA de setembro, houve contribuição da deflação de alimentos, mas a surpresa baixista ficou por conta dos serviços, que subiram apenas 0,04%

Thadeu nota que o Rio de Janeiro, um Estado que vem tendo um desempenho particularmente ruim na lenta retomada da economia brasileira, vem dando uma contribuição especial para conter a inflação de serviços.

No caso do subitem “refeições” da alimentação fora de casa, houve deflação de 0,4% no Rio, comparado a recuo nacional de 0,06%.

Flavio Serrano, economista-chefe do Haitong Bank, também acha que o IPCA de setembro está em linha com o cenário traçado pela recente comunicação do BC, embora frise que o importante é o quadro geral, e não o dado de um mês.

Em setembro em particular, ele chama a atenção para a média de todos os núcleos de somente 0,09%, abaixo da sua expectativa de 0,17%.

Com as boas notícias no front inflacionário, é natural que as projeções de Selic dos economistas e aquelas implícitas nos juros de mercado recuem. Hoje, estas últimas caem expressivamente.

Thadeu tem projeções bem fortes (na direção baixista) tanto para a inflação quanto para a Selic. A previsão de IPCA este ano foi alterada de 3,08% para 3,03%, e, para 2020, está em 3,44%. Com as metas em 2019 e no próximo ano são de, respectivamente, 4,25% e 4%, haveria amplo espaço para a Selic cair.

O economista da Ativa já pensa que a Selic pode chegar ao fim de 2020 em 4%.

Serrano tem projeções menos agressivas, de IPCA de 3,26% este ano e de 3,80% em 2020. De qualquer forma, também estão confortavelmente abaixo das metas. A previsão do Haitong de Selic ao fim do ciclo de queda é de 4,75%.

Serrano nota, entretanto que, hoje (quando esta coluna foi apurada), no embalo do IPCA de setembro, a estrutura a termo dos juros já sinaliza algo próximo a 4,5% de Selic no final do ciclo.

Ambos os economistas ouvidos pela coluna destacam um cenário macroeconômico muito favorável à queda da inflação dos juros.

Internamente, a retomada segue em seu ritmo muito gradual (que estaria até um pouco mais firme, pelos sinais mais recentes da atividade). Isto, por sua vez, deve permitir uma aceleração do crescimento que vai reduzir a capacidade ociosa da economia de forma igualmente gradativa.

Adicionalmente, inflação e juros também sofrem pressões baixistas no mundo como um todo (com exceções, claro).

O BC está com a tesoura e a Selic nas mãos para conduzir o Brasil a níveis baixos impensáveis em termos de juros, salvo grandes surpresas negativas domésticas ou externas.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 9/10/19, quarta-feira.

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