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Economia complica campanha de Dilma

Fernando Dantas

30 de abril de 2014 | 13h13

O cenário eleitoral está cada vez mais difícil para a presidente Dilma Rousseff. Parte das dificuldades deriva de questões políticas, parte emana da economia. O grande problema é que as duas áreas são intercomunicantes. A piora econômica afeta o capital político. A deterioração política por sua vez, torna mais difícil conduzir a economia em tempos difíceis.

É difícil de entender, por exemplo, a reação do governo à crise no setor elétrico, a não ser sob a ótica de enorme insegurança ante as perspectivas de vitória de Dilma. Como fica claro em relatório atrás de relatório sobre a situação energética, a avaliação técnica e o bom senso apontam como mais do que recomendável algum tipo de racionamento ou pelo menos de plano mais explícito de economia de energia.

É certo que há um forte estigma político em relação ao tema, já que o racionamento de 2001 é apontado como uma das principais razões da derrota do candidato tucano, José Serra, nas eleições de 2002. Ainda assim, diante da gravidade das ameaças de falta de água nos reservatórios até o fim do ano, um governo um pouco mais confiante nas suas perspectivas eleitorais provavelmente não tomaria um risco tão grande quanto o de ficar de braços cruzados – sobretudo considerando-se que a inação agora pode trazer problemas sérios em 2015, quando Dilma, caso reeleita, já estará às voltas com um ajuste econômico doloroso, independentemente do setor elétrico.

Na política macroeconômica, também há a sensação de que o governo se fechou na retranca e espera não tomar gols até as eleições. A inflação já ronda o teto de tolerância do sistema de metas, de 6,5% em 2014. Para 2015, embora a mediana das expectativas do Focus aponte inflação de 6%, já há nos bastidores de algumas instituições estimativas muito mais elevadas do que isso.

Muito depende, é claro, da hipótese que se faça sobre a correção dos preços administrados no próximo ano. Uma lógica política simples indicaria que é mais inteligente fazer as “maldades” de uma só vez, evitando o desgaste de parcelar o ajuste durante boa parte do próximo mandato, o que manteria a economia na atual zona turva de falta de confiança e baixo investimento. Uma correção rápida, por sua vez, teria boa chance de levar o IPCA de 2015 muito além do teto de 6,5% – as projeções para o reajuste de energia, por exemplo, são cada vez mais altas.

Diante desse quadro, o Banco Central (BC) parece ter jogado a toalha, pelo menos temporariamente. A situação da autoridade monetária é compreensivelmente difícil. Depois de ter realizado um aperto de 3,75 pontos porcentuais desde abril do ano passado, ao longo do qual tentou reafirmar sua credibilidade como instituição autônoma de política monetária, o Copom se vê à volta com deterioração adicional da inflação e das expectativas.  Para piorar, as perspectivas de crescimento também pioraram.

É difícil avaliar até que ponto os repetidos sinais do BC de que quer interromper o ciclo de alta da Selic derivam de pressões da presidência da República, preocupada com a reeleição, ou da própria inclinação deste Copom, particularmente sensível a efeitos sobre a atividade. É bem possível que se trate de uma combinação dos dois fatores. De qualquer forma, um pouco como no setor elétrico, a atitude parece ser a de considerar que já se fez o que se poderia fazer até as eleições – e que o melhor agora é esperar para ver o que acontece.

A grande aposta do governo é a de que o mercado de trabalho vai resistir até outubro, e os sinais ambíguos que continuam a vir dos indicadores desta área alimentam esta esperança. Mas a impressão é que, cada vez mais, todos os ovos do projeto de reeleição estão jogados na mesma cesta, que combina baixa recorde de desemprego com profusão de transferências sociais.

O problema de se operar quando muitas coisas estão dando errado simultaneamente é a tendência de se deixar levar pela combinação de paralisia com decisões erráticas, com a perda do sentido estratégico. O movimento do “Volta Lula” adiciona ainda mais confusão à candidatura da situação – parece que o principal adversário do governo hoje é ele mesmo.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

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