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Economia da PUC atrai financiamento de empresas

Fernando Dantas

13 de novembro de 2013 | 18h36

O Departamento de Economia da PUC-Rio, célebre como ninho de boa parte dos economistas responsáveis pelo plano Real, resolveu inovar em termos de financiamento. Inspirado nas universidades americanas, a Economia da PUC-Rio está introduzindo as cátedras financiadas por empresas e instituições privadas.

“São recursos complementares que irão inteiramente para o pagamento dos professores, para manter os salários competitivos em termos do mundo acadêmico”, explica José Márcio Camargo, professor da Economia da PUC-Rio, e economista-chefe da gestora Opus, no Rio.

A competição entre instituições acadêmicas de Economia pelos melhores professores e pesquisadores, aliás, está se intensificando. A própria PUC-Rio recentemente viu sair o professor Rodrigo Soares, doutor pela Universidade de Chicago, que foi para a Escola de Economia de São Paulo (EESP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) E, em janeiro, João Manoel Pinho de Mello, doutor por Stanford, deixará a PUC-Rio e irá para o Insper, também de São Paulo. Um fato curioso é que ambos têm com uma das suas áreas de especialização o crime.

A PUC-Rio já fechou o financiamento de cátedras com o Banco Itaú, a Fundação Estudar (do investidor Jorge Paulo Lemann) e a Vinci Partners, gestora de recursos no Rio. Segundo Camargo, há negociações com quatro outras empresas.

O economista diz que o ideal é negociar contratos de longo prazo, de quatro ou cinco anos, pelos quais as empresas e instituições financiem um complemento ao salário dos professores (de tempo integral), com algo como R$ 200 mil a R$ 250 mil ao ano. A PUC-Rio tem cerca de 15 professores em tempo integral, dedicados ao ensino e à pesquisa.

O financiamento de cátedras visa justamente permitir que o professor seja bem remunerado com a atividade de ensino e pesquisa. O Departamento de Economia da PUC-Rio pretende atrair novos professores, que podem tanto ser brasileiros como estrangeiros. Os financiadores têm a opção de sugerir áreas de pesquisa para as novas contratações cuja complementação salarial venham a financiar. “Neste caso, nós vamos buscar quem for melhor naquela especialização”, diz Camargo.

A principal vantagem para o financiador, entretanto, é – seguindo o modelo americano – o prestígio de ter o nome associado à pesquisa acadêmica de alto nível. Nos Estados Unidos, é comum que acadêmicos importantes tenham, na descrição da sua posição, o nome de alguém que tenha contribuído com a universidade (ou ajude a financiar aquela cátedra específica), seguido da especialização.

Assim, Robert Shiller, prêmio Nobel de Economia de 2013, é descrito como Sterling Professor of Economics da Universidade de Yale. John William Sterling (1844-1918) foi um advogado formado em Yale que fez grandes contribuições para a universidade americana.

No caso da PUC-Rio, os financiadores podem optar tanto pelo nome da empresa ou da instituição, como apontar o nome de uma pessoa a ser homenageada, como explica Camargo. A partir daquele momento, o professor financiado sempre se apresentará como associado àquele nome, que constará do site, das pesquisas, apresentações, etc.

Camargo disse que houve discussões intensas na Economia da PUC-Rio sobre a conveniência de associar professores ao nome de empresas privadas, no ambiente cultural brasileiro. “No final, os mais jovens convenceram os mais velhos de que não era nada demais”, diz o economista.

Bolsa-Família

E, aproveitando o tema, faço um acréscimo à minha coluna recente sobre o Bolsa-Família, baseado em comentários de leitores. A Economia da PUC-Rio, tão associada ao plano Real, também teve um papel pioneiro no Brasil em termos dos programas de distribuição de renda focada e condicionada (na primeira leva, o mais famoso foi o Bolsa-Escola, evoluindo depois, com a fusão de vários programas, para o Bolsa-Família). Camargo e o atual senador Cristovam Buarque (PDT-DF), então no PT, foram os primeiros a propor a ideia no Brasil, entre o final dos anos 80 e o início dos 90. E a unificação dos programas de transferência de renda da era FHC no Bolsa-Família foi inicialmente sugerida por Camargo e Francisco Ferreira (economista brasileiro do Banco Mundial), como texto para discussão do Departamento de Economia da PUC-Rio.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi originalmente publicada na AE-News/Broadcast

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