Guerra cambial

Fernando Dantas

27 de setembro de 2010 | 15h25

O Brasil, no momento em que escrevo, 2ª feira, três e pouco da tarde, está na manchete do site do Financial Times (aqui, para assinantes), principal vitrine de notícias e análises do mercado financeiro global. A matéria é sobre a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o mundo está numa “guerra cambial”. O jornal inglês interpreta a fala de Mantega como sinal de que o Brasil “está preparando medidas para evitar uma valorização ainda maior da sua moeda, o real”.

Segundo o FT, “Mantega, que tem feito recentemente comentários cada vez mais agressivos sobre a necessidade de o Brasil controlar a sua moeda, disse que os governos mundo afora estavam tentando enfraquecer suas moedas para estimular a competitividade”.

É interessante – e preocupante – como a questão cambial vem ganhando peso no debate internacional, e como o Brasil é visto como um dos países mais afetados pela desvalorização do dólar.

Já estava previsto pelos melhores observadores que o modelo brasileiro de euforia econômica puxada pelo consumo leva a um equilíbrio (se houver equilíbrio, o que parece que há) de moeda forte, muita entrada de capital e déficit crescente na conta corrente. Esse equilíbrio vem da manutenção do fluxo de financiamento externo, alicerçado na confiança do investidor internacional (que persiste) na nossa responsabilidade macroeconômica aliada à perspectiva de investimentos que expandirão nossa capacidade produtiva.

O modelo é esse. Deve dar para segurar um pouquinho a valorização, como quer Mantega, aliviando a barra para os bens produzidos no Brasil que competem com similares no mercado internacional. Mas não me parece que seja possível mudar qualitativamente esse modelo, sem mexer no consumo. O que significa mexer na euforia. O que significa mexer na popularidade dos governantes. Quem sabe depois da eleição?

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