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Índices de confiança ajudam a monitorar economia

Fernando Dantas

21 de outubro de 2011 | 14h06

O Banco Central (BC) e os analistas de mercado já sabem que o mês de setembro não foi bom para a atividade econômica, apesar de não terem ainda sido divulgados os principais indicadores do mês, como os índices da indústria e do comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (BC), o IBC-Br.

Esse mapeamento de curto prazo da atividade econômica, quase imediatamente após o fim de cada mês, se deve em boa parte à coleção de indicadores de tendências econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas.

Vagner Ardeo, vice-diretor do Ibre e responsável pela Superintendência de Estatísticas Públicas do instituto, explica que, desde 2005, um trabalho vem sendo realizado para implantar no Brasil todo o conjunto de indicadores de tendência recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

São duas pesquisas de demanda e quatro de oferta. No primeiro grupo, estão a sondagem mensal das expectativas do consumidor, lançada em 2003 e paulatinamente aperfeiçoada, e a sondagem de investimentos, realizada duas vezes por ano.

Pelo lado da oferta, o Ibre tem as sondagens da indústria de transformação, que passou de trimestral para mensal em 2005; a dos serviços, lançada em 2010; e a do comércio, divulgada pela primeira vez no dia 13 de outubro, na semana passada. Para fechar o conjunto recomendado pela OCDE, será iniciada até o fim do ano a sondagem do setor da construção.

Os seis índices, de demanda e de oferta, formam o que o Ibre batizou de “Sistema Brasileiro de Monitoramento de Tendências Econômicas”. Os quatro de demanda são conhecidos internacionalmente com os “business tendency surveys” (pesquisa de tendências dos negócios), ou BTS, na sigla em inglês.

O Banco Central, interessado direto na implantação no Brasil dessa coleção de índices de monitoramento da economia no curto prazo, muito importante para a execução da política monetária, financiou o desenvolvimento e a implantação dos indicadores de demanda dos serviços e do comércio, e está fazendo o mesmo em relação à sondagem da construção.

Os indicadores de tendências econômicas são qualitativos, e baseados em questionários. Com exceção da sondagem do Consumidor, as perguntas são respondidas por gestores de empresas dos diferentes setores. Em cada uma das pesquisas, algumas perguntas são selecionadas para a construção do indicador síntese, que é o de confiança.

Tipicamente, as perguntas sobre diversos aspectos e perspectivas da atividade do setor são respondidas com três opções: se estão mais favoráveis do que a média (respostas positivas), se estão normais, ou se estão menos favoráveis (negativas). O índice de confiança soma a diferença entre as respostas positivas e as negativas ao número 100. Se forem iguais, o índice é 100, indicando neutralidade. Se houver mais respostas negativas, o índice será menor do que 100, desfavorável. Em caso contrário, será maior do que 100, sinalizando confiança em alta.

Mas há, além do indicador agregado de confiança, diversos outros detalhes na pesquisa, como perguntas sobre emprego e fatores limitadores da produção, que podem ser relevantes para analistas e autoridades econômicas. Ardeo nota, por exemplo, que a sondagem da indústria de setembro indicou a probabilidade de redução de quadros nos próximos meses.

O vice-diretor do Ibre observa que o fundamental das pesquisas de confiança é a rapidez com que são feitas e divulgadas. No período que vai do final do mês de referência ao início do próximo, elas já chegam ao público.

“Isso é um avanço institucional para o País, pois dá uma capacidade de se entender rapidamente o que está acontecendo e permite às autoridades econômicas reagirem”, comenta Ardeo.

Nesse sentido, ele considera a criação recente do IBC-Br pelo Banco Central como outro grande avanço, já que antecipa o PIB trimestral. Ainda assim, acrescenta o economista, o IBC-Br tem uma defasagem de mais de 40 dias em relação ao mês de referência e aos indicadores de tendência.

Ardeo nota também que a velocidade de leitura dos sinais da economia é especialmente importante em momentos de grandes flutuações e mudanças bruscas de cenário. “É justamente quando há crises e grande volatilidade que mais se precisa desse tipo de indicador, e infelizmente parece que esse tipo de conjuntura será a tônica dos anos à frente”, ele comenta.

Fora dos indicadores qualitativos de tendência, o Ibre também lançou recentemente um indicador de preços imobiliários comerciais, e já está desenvolvendo outro índice, para os imóveis residenciais. Com o mercado residencial americano e de outros países ricos como a causa mais fundamental da grande crise global, a importância de indicadores de maior consistência para ativos imobiliários também veio à tona.

Ardeo, único representante sul-americano no conselho do Centre for International Research on Economic Tendency Surveys (Centro para Pesquisa Internacional de Sondagens de Tendência, ou Ciret na sigla em inglês), lembra que o Ibre tem uma tradição em indicadores econômicos no Brasil, sendo pioneiramente responsável pelas Contas Nacionais até a sua transferência para o IBGE nos anos 80.

O economista revela ainda que um trabalho conjunto em indicadores de tendência econômica está sendo desenvolvido pelo grupo dos BRICs, isto é, Brasil, Rússia, Índia, China e, ainda, a África do Sul. Há inclusive uma proposta, ainda muito inicial, de um índice agregado de confiança dos BRICs. No momento, diz o vice-diretor do Ibre, o Brasil é de longe o mais adiantado dentro do grupo neste tipo de indicador.

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