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Inflação na meta em 2017?

Modelo da gestora Kapitalo Investimentos mostra projeção otimista para inflação em 2017.

Fernando Dantas

29 de agosto de 2016 | 18h59

O IPCA de 2017 deve ficar em 4,65%, próximo à meta de 4,5%, enquanto o PIB deve crescer entre 1,5% a 2%. Esta projeção, mais otimista que o consenso de mercado, tanto em relação à inflação quanto ao trade-off entre esta e a atividade, deriva do modelo de médio prazo da gestora Kapitalo Investimentos, em São Paulo.

Segundo Alfredo Binnie, economista-chefe da Kapitalo, é a primeira vez desde 2010, quando a gestora foi aberta, que esse modelo aponta inflação próxima da meta. O modelo, calibrado para acertar a inflação e cujo erro médio é próximo de zero – isto é, sem viés para cima ou para baixo –, tem seu melhor desempenho no prazo de seis a 18 meses. Desde 2010, ele tem apontado inflação ao fim de 18 meses acima de 5,5%, e muitas vezes acima do topo do intervalo de tolerância da meta de inflação, de 6,5%.

Binnie explica que o bom trade-off entre inflação e crescimento apontado pelo modelo para 2017 deriva em parte do fato de que, mesmo que a economia cresça em torno de 1,8% no próximo ano, o desemprego vai continuar aumentando até meados do ano, puxando para baixo a inflação de serviços. O economista projeta inflação de serviços de
6,3% este ano e de apenas 4% em 2017. Em 2015, ela ficou em 8,1%.

“Há vários analistas que acham que o efeito do hiato do produto sobre a inflação tornou-se menor, que essas relações mudaram, mas não vemos motivos para que o desemprego deixe de impactar a inflação como no passado”, ele diz.

O modelo utilizado pressupõe que o câmbio real fique estável no horizonte das projeções. Isto, por sua vez, segundo Binnie, tem efeito desinflacionário na inflação de bens comercializáveis, principalmente os industriais.

“Está é outra diferença grande em relação aos últimos anos, quando tivemos forte desvalorização do real”, acrescenta.

O maior risco para o cenário da Kapitalo, como para a maioria do mercado, é o cenário político e de ajuste fiscal. Ele observa que “o cenário de câmbio real estável pressupõe que esse risco político/fiscal não atrapalhe a inflação”.

Em segundo, lugar em termos de risco, vem a alimentação. Binnie não esperava que os alimentos subissem tanto e, mesmo considerando comportamentos anormalmente altistas como o do milho e do feijão no mercado interno, a alta de grupos agregados da alimentação em prazos mais longos chama a atenção do analista: “O fato de eu ter errado aí nos últimos anos, e especialmente nos últimos meses, pode indicar que estejamos perdendo alguma coisa.

Ainda assim, o seu cenário é de devolução de boa parte das altas durante este ano e 2017, o que faria com que, no próximo ano, a alimentação subisse menos que sua média histórica. (fernando.dantas@estadao.com)

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