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Mais chances de não estourar os 6,5% de inflação

Fernando Dantas

25 de julho de 2014 | 13h35

Aumentaram as chances de o IPCA de 2014 ficar abaixo de 6,5%, o teto do limite de tolerância em torno do centro da meta, de 4,5%. O IPCA-15 de 0,17% em julho, que ficou abaixo da mediana de 0,20% dos analistas ouvido pela AE Projeções, foi uma boa notícia para o Banco Central em termos de reduzir a probabilidade de descumprimento do objetivo. O rompimento do teto da meta, porém, não está descartado, e ainda há projeções acima de 6,5%.

Segundo Solange Srour, economista-chefe da gestora ARX Investimentos, “agora deve ficar abaixo de 6,5%, e há muitas revisões para baixo em torno de 10 pontos base (0,1 ponto porcentual)”. Na ARX, a projeção é de IPCA de 6,3% em 2014.

A grande ajuda no momento ao Copom (Comitê de Política Monetária) está vindo do vilão anterior, os alimentos. Houve deflação da alimentação no domicílio de 0,37% no IPCA-15, e deflação de 0,03% no grupo alimentação e bebidas como um todo, que também inclui as refeições fora do domicílio.

Fernando Rocha, economista-chefe e sócio da gestora JGP, nota que houve deflação de 0,6% na alimentação domiciliar, que deve aproximadamente se repetir em julho. E, para agosto, a ele prevê outra deflação nesse item, em torno de 0,25%.

Rocha lembra que recentemente houve um “minichoque” positivo em termos dos preços dos alimentos, com um relatório surpreendentemente positivo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre as safras de grãos no país. Assim, o preço internacional da soja caiu cerca de 20% desde o final de maio, e o do trigo recuou aproximadamente 30% desde o fim de abril.

A queda do custo dos grãos, por sua vez, acaba barateando a ração e chega ao preço das proteínas, aumentando o seu impacto sobre o grupo de alimentação. Paralelamente, como é comum nesta época do ano, os preços dos alimentos in natura no mercado interno recuam, compensando a alta sofrida em meses anteriores.

A JGP reviu sua projeção de inflação para julho de 0,1% para 0,05%. Rocha observa que vários analistas estavam com projeções na cada de 0,15% a 0,20%, e acredita que muitos deles podem também rever para baixo seus números. Para agosto a gestora projeta 0,1%.

Para o ano, a projeção da JPG é de 6,2%. Um fator importante na previsão do IPCA de 2014 é a hipótese sobre a alta da gasolina, que muitos analistas consideram que possa ocorrer depois das eleições. Rocha embute na sua expectativa do IPCA no ano um aumento da gasolina de 4% para o consumidor. Sem essa alta, o IPCA cairia para 6%. Solange, da ARX, considera na sua previsão de 6,3% para a inflação em 2014 uma elevação de 5% da gasolina.

José Márcio Camargo, economista-chefe da gestora Opus, ainda mantém uma projeção do IPCA este ano em 6,7%, acima do teto do sistema de metas.

“Na verdade, pode ficar um pouco acima ou um pouco abaixo do teto, mas é muito pouco provável que caia para 6%, ou atinja 7% ou mais”, ele diz. Um cenário de estouro mais forte do intervalo de tolerância poderia ser causado por uma disparada do câmbio, mas ele considera algo difícil de acontecer.

“No fundo, nem é tão importante assim se a inflação vai estourar o não o teto da meta em 2014, porque isso só será sabido em janeiro de 2015, já depois da eleição e no início do próximo mandato, quando provavelmente todo mundo estará mais preocupado com o que vai acontecer do que com o que já passou”, diz Camargo.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi publicada pela AE-News/Broadcast em 22/7/2014, terça-feira.

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